As ilhas inabitáveis
Inabitáveis nove ilhas nas Maldivas
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, visitou ontem o arquipélago devastado
http://dn.sapo.pt/2005/01/10/sociedade/inabitaveis_nove_ilhas_maldivas.html
POR Ângela marques
AP-Petros Karadjiassri lanka.
Vítimas do tsunami esperam por ajuda no campo de refugiadosNove ilhas do arquipélago das Maldivas ficaram inabitáveis à passagem dasondas gigantes de há duas semanas. Pelo menos 82 pessoas morreram e 15 milficaram sem casa. Na ilha de Kolhufushi, o mar é o melhor refúgio para umanoite bem dormida. As águas paradas adormecem os pescadores, que deixammulheres e crianças nos edifícios que ficaram de pé.Para avaliar os estragos provocados pelo maremoto, o secretário-geral daONU, Kofi Annan, visitou ontem o arquipélago. A cumprir a terceira etapada sua viagem aos países afectados pelo tsunami, Kofi Annan foi recebidono aeroporto de Male pelo ministro dos Negócios Estrangeiros das Maldivas,Hasthulla Jameel, e pelo presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn.«É a primeira visita de um secretário-geral da ONU ao arquipélago»,declarou o porta-voz do Governo. E acrescentou «Gostaríamos que ascircunstâncias fossem outras, mas queremos mostrar a destruição que omaremoto aqui deixou.» Segundo o representante permanente das Maldivas nasNações Unidas, Mohamed Latheef, as ilhas tornaram-se inabitáveis, dado oelevado custo para retirar a água acumulada e reconstruir asinfra-estruturas.O Governo das Maldivas calcula que sejam necessários 1,5 mil milhões dedólares para os trabalhos mais urgentes de ajuda e reconstrução, para alémdo grande investimento que terá que ser feito para recuperar ainfra-estrutura hoteleira, que colocou o arquipélago no mapa dos destinosturísticos de luxo do mundo.Elevadas a apenas um ou dois metros do nível da água, 14 ilhas tiveram queser evacuadas. O Governo das Maldivas expressou já a intenção de instalaras pessoas que nelas viviam noutras ilhas do país - onde os riscos decatástrofe são menores. Para o Presidente da República das Maldivas,Maumoon Abdul Gayoom, «em termos proporcionais, este pode mesmo ter sido oPaís mais afectado pelo maremoto».Gayoom considera que as Maldivas não poderão recuperar da catástrofe sem«uma cooperação regional e internacional maciçaa», uma vez que as ondas dequatro metros que varreram o arquipélago provocaram «estragos a longoprazo, cujo impacto ambiental e económico é ainda imprevisível». Muitascomunidades tinham como fonte de rendimento plantações que foramdevastadas. A pressão da água levantou vários centímetros da camadasuperficial do solo e os recifes ficaram cobertos de sedimentos. «Estasúbita erosão provocará danos por agora incalculáveis», afirma Gayoom.As Maldivas têm uma população de 300 mil pessoas. Pelo menos 100 milprecisam de ajuda imediata. Segundo o Presidente, a população não afectadapelo maremoto foi tão pouca que é impossível contar com ela para asoperações de reconstrução das ilhas. Até agora não há registo dosurgimento de qualquer epidemia, mas a partilha de espaços exíguos pordezenas de pessoas preocupa as autoridades.

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