"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

segunda-feira, março 28, 2005

Combate de rua

Usar a realidade virtual para curar o stress de guerra
http://jornal.publico.pt/noticias.asp?a=2005&m=03&d=28&id=13172&sid=1439
POR Ariana Eunjung Cha, San Diego



diante das imagens de um jogo
os veteranos revivem horrores pequenos
e o primeiro passo para a cura

ajeitou o corpo no sofá
pôs um par de óculos e segundos depois foi transportado
andou por labirintos a olhar para os telhados em busca de amigos
passando por carros e bombas
o silvar de uma bala ao lado da cabeça foi assustador

durante o período mais turbulento na cidade
foram os primeiros a testar a nova realidade
capaz de ajudar os soldados que sofrem
a ideia é obrigar a reviver

os doentes controlam melhor as suas memórias
acabam-se as insónias e as agressões no teatro
as forças entram numa crise de saúde
um em cada seis regressados com ansiedade e desordem

a realidade está entre os esforços mais inovadores do governo
grupos de apoio, reabilitação, aconselhamento das tropas
os médicos estão espantados com os sobreviventes

ajudou-se uma executiva que não conseguia dormir
esquecia as notícias e a televisão
irritava-se com coisas sem importância
depois de submetida por 14 semanas
começou a recordar, a desenterrar

o tratamento por alta tecnologia
pode ser bem recebido pelos machos
que se baseia num jogo:
pôr o doente no meio da cidade
gradualmente

na primeira sessão, uma rua vazia
na segunda, soldados e civis por perto
para o fim de semanas ou meses um ataque grande

há planos para que as salas tenham cheiros e temperaturas
altas como as sentidas
o ponto de partida para conversas com médicos
a única complicação é a experiência
variada e complicada