"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

terça-feira, março 08, 2005

E os monstros

A bela e o monstro
http://jornal.publico.pt/noticias.asp?a=2005&m=03&d=08&id=10238&sid=1093
Ana Pinto da Costa
8 de Fevereiro de 2005

a beleza não é uma verdade comum a todos os membros
sobe temperada na espécie

há variação nas propriedades
de um grupo a outro, a beleza não persiste no universo
em comum apenas o sofrimento

magras e regimes a ocidente
mulheres em tempos com desejo e carne
nas ilhas redondas obesas ganham peso antes de oferecidas
entre os povos espalhados
os dentes, dois incisivos a cada jovem
os masculinos usam mecânicas para alongar um membro
as chinesas passam felizes pelas dores
os pés minúsculos
algumas tribos olham a cabeça
pressionam as crianças até à adolescência
desenha-se a proeminência dos lábios
técnicas para efeitos desejados

a procriação único fim
a virgindade sujeita ao casamento
mulheres viúvas
libertam-se do espírito
encorajadas em relações com desconhecidos
antes um filho, prova e fertilidade
um ancião impotente rompe o hímen
a virgens sem valor
se só consagradas aos deuses
actos vergonhosos pela continuidade do grupo

não há beijos, carícias
romance nos povos da montanha
aparece a existência saudável
comer e beber
quanto mais não seja para obedecer