"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

segunda-feira, maio 09, 2005

Para comer

Biblioteca Nacional mostra «inimigos» dos livros
Literatura para comer
http://online.expresso.clix.pt/1pagina/artigo.asp?id=24750985
9 de Maio de 2005
POR Mafalda Ganhão


são autênticos, devoradores
livros
é impossível resistir quando estão em causa insectos multiplicados
pragas em estantes e acervode bibliotecas
se não se agir muitos dos livros arriscam desaparecer

este problema vem do lado menos visível das bibliotecas
uma exposição revela provas do crime
obras esburacadas, rendilhadas,
livrtos na fogueira fruto de pragas passadas
apresentem-se, um por um, os autores

a química organizou as pragas
com optimismo
há formas de prevenir ataques de inimigos
e métodos
práticas regulares de desinfestação
colocação de armadilhas
em certas zonas e nos depósitos

baratas, escaravelhos, peixinhos de prata e piolhos, leitores
sem géneros literários
papel, pergaminho, cartão
comer o o que um livro contém
longe do olhar humano


as larvas alimentam-se no interior
à vontade nas páginas
chegam ao estádio de adulto
e abandonam os livros para se reproduzirem
como insectos

silenciosos e discretos
quando se dá pelo mal têm os exemplares expostos
corredores nas páginas formando labirintos
curiosos mas capazes de destruir a passagem das letras
guardadas

as térmitas são o grande terror

atacam tudo e começam pelas estruturas
chegam aos livros e aos arquivos
felizmente para-se a praga com um fungo
as preocupações dos insectos não têm sempre a mesma dimensão
o normal seria combater as pragas instaladas

já em 1920 tinha sido feita uma lista das espécies
actualmente procura-se preservar com as mãos limpas
mas não é uma prática enraizada
a contratação das empresas tem um custo

mas também faltam pessoa

uma mensagem de optimismo
existem produtos eficazes que não são tóxicos
há um exército cada vez maior à espera
e estes inimigos não contam com todos os humanos como aliados