"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sexta-feira, outubro 21, 2005

CiênciaPeritos receiam desintegração em cadeia dos gelos polares - estudo
2005-10-21, 10:29
http://intranet.ring.gov.pt/noticias/bd_lusa_noticia.asp?id=536679&modo=4

Washington, 21 Out (Lusa) - Cientistas norte-americanos e europeus receiam uma desintegração em cadeia dos gelos na Gronelândia e no Antárctico que poderia elevar o nível dos oceanos mais rapidamente do que previsto, indica um estudo hoje publicado nos Estados Unidos.
Segundo os seus autores, a fusão das camadas de gelo situadas nas costas da Gronelândia e no Antárctico observada nos últimos anos poderá desestabilizar importantes massas glaciares e acelerar a sua desintegração.
Esta hipótese não foi considerada nos modelos informáticos de previsão da subida do nível dos oceanos, explicou um deles, o glaciologista norte-americano Peter Clark, da Universidade de Oregon, num artigo publicado na edição de hoje da revista Science.
Uma fusão de placas de gelo importantes "faria subir o nível dos oceanos muitos mais e também mais rapidamente do que se prevê actualmente", sublinhou.
A maior parte da subida dos oceanos tal como está actualmente prevista nos modelos informáticos para os próximos 200 anos resultará da fusão dos gelos, sobretudo na Gronelândia, devida ao aquecimento climático.
Mas nesse cenário, o fenómeno seria em grande parte compensado por maiores precipitações e pela acumulação de gelo no Antárctico, explicou o cientista. Assim, o nível dos oceanos subiria cerca de meio metro (50 centímetros) nos dois próximos séculos.
Mas a desintegração dos glaciares, caso se confirme - como vários sinais a fazem recear - "poderá duplicar" esta previsão e atingir um metro, o que é considerável, assinala Peter Clark.
E a muito longo prazo, dentro de mil anos, os gelos da Gronelândia poderiam fundir-se totalmente, fazendo subir mais de 6 metros o nível dos oceanos do planeta. A desintegração das grandes placas de gelo no Antárctico e no Árctico poderia acelerar fortemente este fenómeno, nota ainda.
"Tornou-se evidente que a placa de gelo do Antárctico ocidental que assenta em grande parte em terras situadas abaixo do nível do mar é uma das mais vulneráveis do mundo á desintegração", escreveu o cientista.
"Haverá um verdadeiro problema no dia em que estas pequenas fracturas nos gelos árcticos e antárcticos provocarem desintegrações mais extensas que farão subir o nível dos oceanos e acelerarão este fenómeno" como numa reacção em cadeia, adverte.
CM.
Fonte: Agência LUSA