Da normalidade do dia
Da normalidade do dia para a brutalidade da noite
http://dn.sapo.pt/2005/11/08/tema/da_normalidade_dia_para_a_brutalidad.html
8 de Novembro de 2005
não me digam que não há trabalho
alunos da escola atacada mostram desenhos sobre a violência
do princípio da noite de domingo
200 jovens, três horas
o embate mais violento
e não há qualquer rasto dos confrontos
as estradas limpas
o sol entre as nuvens
algumas crianças, um par de velhos na padaria
como acreditar?
há apenas 12 horas era um cenário possível
quem vem de fora tem dificuldades em compreender
deixar-se contagiar pelos motins
pelos bairros sociais
os edifícios de 12 andares
desenhados mais a verde que a cinzento
e nem sequer grades
basta alçar uma perna
uma escola para crianças foi incendiada
a biblioteca ardeu mas as crianças continuam a vir
falam do que aconteceu
para estas crianças não há problemas de raça ou religião
estão habituadas a viver
nós a trabalhar
a educação ainda é a melhor solução
um homem de ascendência portuguesa nunca viu nada assim
há uma competição para fazer mal
o país em fogo, aquela gente, a mesma
fala-se com à-vontade num café
não me digam que em frança não há trabalho
não é como há 30 anos mas há trabalho
o dono do estabelecimento faz sinal com o dedo com medo
que lhe cortem o pescoço
o sol
os pássaros

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