Nenhum método é fiável
Nenhum método é fiável
Continua a ser impossível prever sismos
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1254203
16 de Abril de 2006
POR Maria Ana Colaço
Prever sismos, o local onde vão ocorrer e quando, tem sido o objectivo de vários cientistas, devido ao grande potencial destruidor deste fenómeno. No entanto, estes não se podem prever. Até à data, nenhum dos métodos para prever sismos é fiável.
Não há ciência física demonstrada de forma inquestionável e que possa prever a ocorrência no tempo e no espaço.Portugal tem vários cientistas que estudam estes fenómenos sobre vários pontos de vista. Miguel Miranda, coordenador do Laboratório Associado Instituto D. Luis, explica que a grande questão é saber se a incapacidade de prever um sismo se deve à falta de conhecimento ou se é um problema intrínseco ao fenómeno: sabe-se que o sismo vai acontecer, mas não quando, devido à sua componente caótica. Para este cientista, prever não é a questão essencial, mas sim saber o que é preciso fazer para evitar danos ou minimizá-los. Os sismos fazem mais vitimas nos países onde as construções não são feitas segundo normas anti-sísmicas. As tendências actuais não são para as previsões, mas sim para os alertas rápidos, diz Miguel Miranda. Se se souber que o sismo está a acontecer (informação em tempo real), pode-se ter um conjunto de procedimentos automáticos que permitem tomar medidas para minimizar estragos, se estiverem montados para dar respostas rápidas. Os países que têm observatórios instalados têm observado fenómenos que ninguém conhecia até à data, pois não havia medições contínuas que os pudessem detectar. Com a continuidade da observação consegue-se antever, mas não prever. Ainda não se consegue prever sismos em todo o mundo, explica Gabriela Queiroz, do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos da Universidade dos Açores. É tudo uma questão de probabilidades. Esta cientista fala do caso da região autónoma dos Açores. Está instalada uma rede de observação que faz a monitorização sísmica continua. Estuda-se onde há mais tensões, onde se estão a acumular, quais as zonas onde ocorrem sismos. Analisam-se vários parâmetros, como o aumento ou diminuição da frequência dos sismos, os níveis de gases raros nas falhas, o nível das águas nos poços. Vai-se informando a Protecção Civil da análise deste conjunto de parâmetros.O importante é investir na diminuição que o mal pode causar, diz Gabriela Queiroz. Dá o exemplo do que se passou na Ilha do Faial em 1998: as casas sofreram danos porque eram antigas. A reconstrução após o sismo foi feita com normas anti-sismicas. As casas têm uma construção melhor, estão longe de falhas e de arribas onde possa haver deslizamentos de terra. O que importa é melhorar as condições de vida da população, independentemente de se poder prever ou não.João Fernandes, do Instituto Superior Técnico, também é da opinião que os sismos não se podem prever. Nos anos 70 e 80 tentava-se prever, mas estes estudos foram depois abandonados devido à componente caótica dos sismos. Nos últimos anos, está a haver um reavivamento de estudos de previsão, com a descoberta de que os fenómenos que acontecem numa falha interagem com outras da mesma região. Os sismos terão de ser estudados à escala regional e não cada falha individualmente. Mas o que um engenheiro necessita de saber não é em que data o sismo vai acontecer, mas sim do risco que está a assumir ao construir o edifício numa determinada área, ou seja, qual a intensidade do movimento do solo nos próximos 50 anos, a perigosidade sísmica. É com a informação da perigosidade sísmica aliada à vulnerabilidade da região (se tem hospitais, escolas, centrais nucleares) que se estabelece o risco sísmico.Para Pedro Terrinha, do Instituto Nacional de Engenharia Tecnologia e Inovação, a previsão depende do intervalo de tempo com que queremos prevê-los. Se falarmos de horas ou dias, é impossível. O que se sabe é que sismos grandes são geralmente precedidos por uma série de pequenos eventos que produzem deformação dos solos, libertam radão (gás nobre radioactivo), podem alterar o comportamento dos animais, alterar a composição química e o nível das águas subterrâneas, assim como podem ocorrer variações no fluxo de calor emitido pela Terra e no campo magnético. Algumas vezes estes fenómenos podem-se medir, mas prever com antecipação a hora ou um dia em que um sismo vai acontecer é impossível.

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