Adornos antigos
Com pelo menos cem mil anos
Encontrados adornos que poderão ser os mais antigos da humanidade
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1261784
23.06.2006 - 00h11 AFP
Contas feitas com conchas do mar encontradas em Israel e na Argélia, com cem mil anos, poderão ser os mais antigos adornos da humanidade, segundo um estudo publicado ontem na revista norte-americana "Science".
Estes adornos são 25 mil anos mais antigos do que as peças semelhantes encontradas há dois anos na África do Sul."O nosso estudo apoia a teoria segundo a qual os humanos modernos desenvolveram em África comportamentos considerados modernos numa época muito distante", explicou Francesco d'Errico, membro do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS), investigador no Instituto da Pré-História e de Geologia na Universidade de Bordéus e co-autor do estudo.As contas foram encontradas nos anos 1930/1940 em Israel e na Argélia. As duas contas encontradas em Israel datam de há cerca de cem mil anos e as que foram encontradas na Argélia datam de há 90 mil anos. Todas estavam em museus em Londres e em Paris e só recentemente, durante os estudos das colecções destes museus, foram datadas e identificadas.Segundo o estudo, estas conchas trabalhadas foram encontradas longe do mar, o que deixa supor que foram transportadas deliberadamente até aos locais onde foram descobertas.Os cientistas acreditavam que os primeiros sinais da cultura humana surgiram há 35 mil ou 40 mil anos, quando os homens chegaram à Europa."Os adornos exprimem, provavelmente, vários aspectos da identidade social e cultural dos homens e a maioria dos arqueólogos está de acordo em dizer que foram uma das expressões mais importantes da cultura humana moderna", explicou Marian Vanhaeren, do University College de Londres e co-autora do estudo.
Há cem mil anos já se usava colares de contas
http://dn.sapo.pt/2006/06/23/sociedade/ha_mil_anos_se_usava_colares_contas.html
POR Filomena Naves
É apenas um punhado de conchas, que se assemelham a pequenos búzios. Mas a sua provecta idade e os orifícios certeiros que as atravessam têm uma história surpreendente para contar: a de que os seres humanos já usavam "jóias" há mais de cem mil anos. Ou seja, cerca de 25 mil anos antes do que até agora se pensava. A revelação, feita por uma equipa de cientistas britânicos, franceses e israelitas, e publicada na edição de hoje da revista Science, vem rescrever a história e com isso contribuir para aclarar o debate sobre as origens dos comportamentos humanos ditos modernos. Juntamente com as manifestações de arte, os ornamentos pessoais são geralmente considerados na arqueologia como provas da capacidade de pensamento simbólico, o que está associado ao chamado comportamento humano moderno. Pensava-se que essa capacidade tinha emergido há 40 mil anos, quando as populações humanas já estavam estabelecidas na Europa. Tudo aponta agora para que as coisas não se tenham passado dessa forma abrupta, mas para que essa evolução comportamental tenha ocorrido de forma lenta e em diferentes zonas geográficas.Escavações anteriores na Etiópia demonstraram que o Homo sapiens já era anatomicamente moderno há 160 mil anos. Mas a questão comportamental mantinha-se em aberto, já que as provas mais antigas, com 75 mil anos, de artefactos com funções de ornamento (sempre as mesmas conchas), foram encontradas na África do Sul, num sítio arqueológico chamado de Blombos. O estudo hoje publicado vem lançar uma nova luz sobre esta questão e "empurrar" ainda mais para trás no tempo a existência confirmada destes comportamentos simbólicos e artísticos. As conchas agora estudadas, da espécie Nassarius, são provenientes de regiões da bacia mediterrânica, actualmente nos territórios de Israel (Skhul) e da Argélia (Oued Djebbana). A equipa, liderada por Marian Vanhaeren, do Instituto de Arqueologia da University College de Londres, fez a datação das conchas, estudou a forma dos orifícios, para concluir que não foram produzidos acidentalmente, e sustenta que estas são as contas de colar mais antigas de sempre que se conhecem."O facto de a mesma espécie de concha ter sido encontrada em sítios diferentes, com características que indiciam a mesma utilização, sugere a hipótese de que uma tradição de manufactura de contas de colar já existia no Norte de África e no Médio Oriente antes de os seres humanos anatomicamente modernos terem chegado à Europa", conclui Marian Vanhaeren

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