Cardeal faz ressuscitar o fantasma do nazismo
http://dn.sapo.pt/2007/09/18/internacional/cardeal_ressuscitar_o_fantasma_nazis.html
POR Carla Guerra
Indignação generalizada no país após declarações de Joachim Meisner
O cardeal de Colónia, Joachim Meisner, poderá ser obrigado a abandonar o cargo depois de ter utilizado num discurso de inauguração de um museu a palavra "degeneração", expressão que na Alemanha recorda os fantasmas do nazismo e relembra a perseguição aos artistas que, nessa época, eram acusados de produzir arte "degenerativa"."Quando a cultura não está ligada à veneração do divino, o culto cai no ritualismo e a cultura degenera. Perde o centro", terá afirmado o cardeal, de 73 anos. O comentário foi já amplamente criticado por intelectuais, imprensa e políticos em todo o país.O ministro da Cultura da Alemanha, Bernd Neumann, considerou que as palavras do cardeal são inaceitáveis, enquanto Claudia Roth, dirigente da oposição ecologista, apelou ao cardeal para que se demitisse: "Na minha opinião, ele não pode continuar a ser aceite como cardeal na Igreja católica".O Conselho Central dos judeus alemães pronunciou-se igualmente de forma crítica sobre o episódio, classificando Joachim Meisner de "falso espiritual" e de "notório incendiário intelectual". Segundo a imprensa, este episódio reforça a ideia de que a sociedade alemã ainda é extremamente sensível ao passado nazi, demonstrando igualmente que alguns responsáveis da Igreja Católica ainda revelam uma visão medieval do mundo, ao considerar que a arte que não faça referência ao divino e a Deus não é arte.O que Joachim Meisner, que é conhecido pelas suas posições conservadoras, fez, não hesitando em afirmar que existe uma relação inalienável "entre a cultura e o culto".Levando a revista Der Spiegel a ironizar sobre a situação, quando ontem escrevia que os talibãs do Afeganistão não teriam quaisquer dificuldades em subscrever as afirmações proferidas por Joachim Meisner. Elogio aos nazisA polémica em torno do cardeal de Colónia surge dias depois de uma veterana apresentadora do canal público ARD, Eva Herman de 48 anos, ter sido despedida em cinco minutos, na sequência dos elogios que fez à política de família do regime nazi. "Foi uma época de loucos e perigosa que conduziu a Alemanha à ruína, mas que tinha uma coisa boa: o valor família". A frase caiu como uma bomba e apenas contentou os extremistas do NPD, que convidaram Eva Herman para assessorar o partido. Na prática, os nazis incentivavam as mulheres a ter filhos através de um programa cujo objectivo era o aumento de uma raça ariana; os casais que tinham 3 ou mais filhos eram honrados com medalhas, autorizados a fazer compras nas melhores lojas ou tinham ainda direito às rendas de casa pagas pelo governo.

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