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O mundo descobriu que Tiger Woods não é perfeito
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/04-12-2009/o-mundo-descobriu-que--tiger-woods-nao-e-perfeito-18348212.htm
Por Marco Vaza
A vida do melhor golfista de sempre deixou de ser privada. Os patrocinadores vão continuar com ele
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A vida desportiva de Eldrick Tont "Tiger" Woods é quase uma lenda. O pai ensinou-o a jogar golfe quando ele tinha dois anos. Quando entrou no circuito profissional de golfe, aos 20 anos, já tinha um patrocínio da Nike no valor de 40 milhões de dólares (27 milhões de euros). Ao longo dos anos, Tiger transformou-se num exemplo, atleta de eleição, talentoso, milionário, filantropo e homem de família. Mas reservado como poucos. Durante a última semana, o mundo descobriu que Tiger Woods afinal é apenas humano. Em poucas horas, depois de ter sido encontrado ferido e inconsciente após ter chocado de carro contra uma árvore, já se especulava que Tiger tinha várias amantes. O que parecia ser um normal acidente de automóvel teria sido provocado pela sua mulher, com um taco de golfe na mão, que descobrira as suas infidelidades.
As únicas palavras que Tiger (ou os seus relações-públicas) proferiu desde o acidente da passada sexta-feira foram através de comunicados cuidadosamente escritos e divulgados através do seu site na Internet. "Sou humano e não sou perfeito", admitiu este homem que conseguiu sempre rentabilizar a sua imagem limpa, tornando-se no primeiro desportista, segundo a Forbes, a atingir mil milhões de dólares em ganhos (mais de 660 milhões de euros). Sem se referir às alegadas infidelidades, Tiger admitiu que, pelo menos, desiludiu a sua família. "Não fui fiel aos meus valores e ao comportamento que a minha família merece. Vou lidar com este meu comportamento e com estas minhas falhas em privado, com a minha família", acrescentou Woods.
O mais desejado
Aos 33 anos, Tiger Woods é considerado o atleta mais desejado pelas marcas para dar a cara pelos seus produtos. Tem contratos de patrocínio com algumas das maiores empresas do mundo, como a Nike, a AT&T, a Gillette ou a Pepsi, pelos quais recebe uma soma anual de 100 milhões de dólares. Mas o episódio do acidente e das especulações dos media sobre as alegadas infidelidades do golfista parece não ter tido qualquer efeito nas campanhas publicitárias. Já quase todas as empresas fizeram saber que vão manter os contratos: "A Nike apoia Tiger e a sua família. A nossa relação não mudou", disse em comunicado a empresa de material desportivo.
Para os especialistas em marketing, Woods faz bem em pedir desculpas. "Basicamente, o que ele está a dizer é: "Fiz coisas erradas e estou arrependido. Vou fazer tudo para resolver o assunto"", disse ao New York Times Aaron Perlut, da Elasticity, uma empresa de marketing de Saint-Louis.
Mas estes acontecimentos recentes também podem servir para algumas empresas renegociarem os contratos com Woods por valores mais baixos, como disse Phil de Picciotto, especialista em marketing desportivo, ao diário norte-americano: "Alguém pode aparecer e dizer, "Não vamos despedir o Tiger, mas queremos uma redução considerável porque protegemos a sua imagem quando ele mais precisava e queremos reduzir os pagamentos ou prolongar a duração do contrato."
Circo mediático
Tudo o que Tiger Woods fez até à última sexta-feira para manter a sua vida privada longe do olhar público desfez-se com o acidente. Teve o destino habitualmente reservado às celebridades, perdendo o poder de controlar o fluxo de informação. O seu comunicado inicial - nele dizia que tinha tido um acidente, que se ferira sem gravidade e que já estava tudo bem - não bastou para travar o circo mediático que entretanto se criou à sua volta. O mundo ficou (ou acha que ficou) a saber tudo. Viram-se imagens do seu Cadillac Escalade desfeito à porta da sua casa, em Orlando, na Florida. Ficou a saber-se que iria ser multado pela polícia em 164 dólares por condução irresponsável. Até se especulou que tipo de taco de golfe teria a sua mulher usado para partir os vidros do carro.
Os tablóides norte-americanos também não demoraram muito a fazer listas de alegadas amantes de Woods. A US Weekly, por exemplo, reproduziu declarações de Jamiee Grubbs, uma empregada de bar de 24 anos, que diz ter tido mais de 20 encontros com Tiger Woods ao longo dos últimos 31 meses e que tem 300 mensagens de texto e uma mensagem de voz no seu telemóvel que o provam. Outra das alegadas amantes de Woods, Rachel Utichel, tem-se deixado fotografar pela imprensa tablóide na companhia de uma advogada especialista em escândalos de celebridades, Gloria Allred, mas vai mantendo o silêncio sobre a sua alegada relação com o golfista.
O esmiuçar da vida de Woods chegou ao ponto de terem surgido na imprensa declarações de Jesper Parvenik, o homem que em 2001 o terá apresentado à sua mulher, a antiga modelo sueca Elin Nordegren, com quem casou em 2004 e com quem tem dois filhos: "Tenho pena dela. Pensei que ele fosse melhor tipo." Arriscamo-nos a dizer que esta história não vai ficar por aqui.

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