"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quarta-feira, agosto 25, 2010

Investigação espacial

Bactérias sobrevivem 553 dias no espaço
24.08.2010
http://www.publico.pt/Ciências/bacterias-sobrevivem-553-dias-no-espaco_1452713

Por PÚBLICO

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As baratas podem resistir ao holocausto nuclear, mas não ganham a competição no concurso do ser vivo mais rijo. O troféu vai para as bactérias que conseguiram sobreviver 553 no espaço, fora da Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês).
Os astronautas retiram a cápsula onde estão guardadas as amostras (NASA)

As bactérias foram retiradas dos desfiladeiros da região costeira da Inglaterra, perto da aldeia de Beer, condado de Devon. Os cientistas retiraram um pedaço de rocha deste local e enviaram para a ISS em 2008.

Na rocha iam várias espécies de bactérias que colonizam este substrato, mas só sobreviveram células de uma espécie parente da Gloeocapsa – uma bactéria capaz de fazer a fotossíntese como as plantas que pertence ao grupo das cianobactérias.

“A Gloeocapsa forma uma colónia de muitas células que provavelmente protegem as células do centro da exposição à radiação ultra violeta, e que também dá uma certa resistência à dissecação”, explicou citado pela BBC News Charles Cockell, professor que trabalha no Instituto de Investigação das Ciências Espaciais, na Universidade Aberta, em Milton Keynes, no Sul da Inglaterra.

Apesar de os cientistas saberem que esporos de bactérias sobrevivem vários anos no espaço, esta experiência mostra pela primeira vez que bactérias que fazem a fotossíntese também são capazes de resistir.

A rocha foi colocada numa caixa no Laboratório Colombus, que fica no extremo da ISS. Durante a viagem, as bactérias foram expostas a mudanças dramáticas de temperatura, e à radiação ultra violeta extrema, que é filtrada quando chega à Terra pela camada de Ozono. Toda a água da rocha também evaporou.

Os cientistas defendem que a parede celular que estas bactérias possuem pode ter ajudado a resistir, mas ainda estão a investigar para justificar a causa da sobrevivência específica desta espécie.

A forma como as bactérias reagem ao espaço pode ser importante para o futuro da exploração espacial. “Foi proposto que as bavctérias podiam ser utilizadas em sistemas de suporte de viva para reciclar tudo”, explicou Karen Olsson-Francis.

“Também existe o conceito que se desenvolvermos bases na Lua ou em Marte, poderíamos usar bactérias para actividades mineiras – utilizá-las para extrair minerais importantes das rochas”, adianta o investigador que também pertence ao mesmo instituto.

Esta experiência dá argumentos à possibilidade dos microrganismos poderem ser transportados em meteoros e colonizarem outros planetas.