Kim deu o pontapé de partida para a sucessão na Coreia do Norte
http://jornal.publico.pt/noticia/29-09-2010/kim-deu-o-pontape-de-partida-para-a-sucessao-na-coreia-do-norte-20296958.htm
Por Francisca Gorjão Henriques
Ao nomear o filho general de quatro estrelas, o "Querido Líder" estará também a dizer que o Exército continua a ser o pilar do poder
B.I.
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O que era uma suposição passou a ser quase uma certeza. O "Querido Líder" deu o primeiro título oficial ao seu filho mais novo, nomeando-o general e colocando-o em postos chave do partido que governa o país. Para a generalidade dos analistas ocidentais, só há uma forma de interpretar isto: foi dado o tiro de partida para a sucessão dinástica na Coreia do Norte.
A nomeação de Kim Jong-un - que terá 27 anos e nenhuma experiência militar - como general aconteceu, não por acaso, antes do arranque do congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia, o primeiro do género em 30 anos.
Horas depois, era enviado outro sinal de que muitos observadores internacionais estavam à espera para confirmar as suas suspeitas sobre a sucessão: Kim Jong-un era nomeado vice-presidente da Comissão Militar Central do partido.
Trata-se de um cargo que tem uma enorme influência no regime e que Kim Jong-il assumiu quando foi escolhido pelo pai, Kim Il-sung, para o suceder. Para além disso, Jong-un tornou-se também membro do Comité Central.
Milhares de delegados acorreram a Pyongyang para participar nesta reunião "histórica", que começou com a recondução de Kim Jong-il como secretário-geral do partido. "Um sinal de absoluto apoio e confiança", segundo a KCNA.
A vida política norte-coreana vive envolta em especulações e exercícios de adivinhação. Desta vez, há vários sinais de que este não é um encontro qualquer, e que os observadores têm direccionado bem as suas apostas quando dizem que Kim está há cerca de dois anos a preparar o seu filho mais novo para a sucessão.
"A longa espera terminou; a transição começou". Era assim que Adrian Foster-Carter, um especialista em questões coreanas, colocava as coisas, num artigo publicado no Financial Times.
O congresso partidário é apenas o terceiro do género desde 1966 (e o último foi em 1980), o que significa que algo de grandioso iria acontecer. A agência oficial também diz que o desfile militar que a precedeu foi o maior de sempre na história do país. E, pela primeira vez, o nome do filho mais novo de Kim Jong-il, Kim Jong-un, foi pronunciado directamente pelos media do Estado (antes era referido através de expressões como o "jovem general").
Kim Jong-il tem 68 anos e uma saúde frágil, especialmente desde que há dois anos sofreu um acidente vascular cerebral. Desde então que não param as especulações sobre quem lhe sucederá. A passagem dinástica de poder, que fez com que o próprio Kim o tivesse recebido do pai, nunca deixou de estar no topo das apostas dos observadores.
Para além do jovem Un, também a irmã de Kim, Kyong-hui, adquiriu a patente de general de quatro estrelas. Kyong-hui (que controla a indústria ligeira do país) é casada com Jang Song-taek, o braço-direito do "Queri- do Líder" e o homem mais forte da Coreia do Norte a seguir a ele. Jang foi promovido recentemente na Comissão Nacional de Defesa, o principal órgão executivo de Pyongyang.
Kim pretenderá garantir uma forte base de apoio ao seu filho, cuja inexperiência poderá criar divisões no regime. E no caso de Kim Jong-il morrer sem que Jong-un esteja preparado, o casal poderá assegurar a regência.
Ao fazer do filho general, o líder está a dar mais uma indicação, adianta a Economist: ao contrário do que chegou a ser dito, o Exército continua a ser o grande pilar do poder.

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