Desde que há medições
NASA: 2005 foi o ano mais quente em mais de um século
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25.01.2006 - 10h26 Lusa, PUBLICO.PT
O ano passado foi o mais quente no planeta Terra desde que as temperaturas começaram a ser registadas cientificamente, nos finais do século XIX, indica um estudo divulgado hoje pela agência espacial norte-americana NASA. Segundo os cientistas, o século XXI poderá registar aumentos de temperatura de 3 a 5 graus centígrados.
O ano de 2005 conseguiu mesmo ultrapassar o recorde de temperatura de 1998, por ter sido registado mais calor do que o normal na zona árctica, segundo a Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço (NASA, na sigla em inglês).
O estudo sublinha "a forte tendência subjacente de aquecimento" na Terra. Desde meados da década de 1970, a temperatura do planeta subiu 0,6 graus centígrados, enquanto que em todo o século XX o aumento foi de 0,8 graus.
"Cinco dos anos mais quentes do século passado ocorreram nos últimos oito anos", afirmou James Hansen, director do Instituto Goddard de Estudos Espaciais (GISS) da NASA, com sede em Nova Iorque. A lista dos anos mais quentes é encabeçada por 2005, seguida de 1998, 2002, 2003 e 2004.
Em 1998 ocorreu o fenómeno atmosférico El Niño, de aquecimento das águas do oceano Pacífico, que foi o mais intenso do século e fez aumentar a temperatura em todo globo. Todavia, 2005 foi mais quente do que 1998, o que preocupa os cientistas.
O aquecimento verifica-se em todo o planeta, mas é mais acentuado nas elevadas altitudes do hemisfério Norte. Nos últimos 50 anos, os maiores aquecimentos medidos por ano e por Verão surgiram no Alasca e na Sibéria, bem como na península Antárctica, segundo a NASA.
O facto de essas regiões estarem longe de grandes cidades leva os peritos a concluir que o aquecimento não resultará directamente da poluição dos centros urbanos. A maioria dos cientistas crê que o fenómeno se deve à emissão dos gases que produzem o chamado efeito de estufa, como o dióxido de carbono, o metano e o ozono.
"Este recente aumento da temperatura coincide com um crescimento rápido das emissões dos gases com efeito de estufa atmosférica resultantes da actividade humana", sublinha a NASA em comunicado. "Por isso - insiste a agência - o aquecimento rápido observado torna urgentes as discussões sobre o modo de reduzir as emissões com efeito de estufa".
Os Estados Unidos são o principal produtor mundial de gases com efeito de estufa e não ratificaram o Protocolo de Quioto, o único documento global dedicado à redução das emissões de gases, com vista à redução do aquecimento global.

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