Dez dólares
Aos 12 anos, enquanto estudante num colégio católico
Fidel Castro pediu 10 dólares a Roosevelt
Seria o mundo um lugar diferente se ele a tivesse recebido?
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=374705
Expresso 4 de Janeiro de 2007
POR Pedro Chaveca
No dia 6 de Novembro de 1940, o menino Fidel Castro enviou uma simpática carta ao presidente norte-americano, onde pedia “uma nota verde de 10 dólares americanos”.
Javier Galeano/AP
O ícone vivo da luta anti-capitalista, em criança, simpatizava com o presidente americano
10:26 terça-feira, 02 JAN 07
Link permanente:
x
Fidel Castro, que hoje é o ícone vivo da luta anti-capitalismo, nem sempre se portou como um inimigo dos Estados Unidos. Na afável e cordial carta escrita a Franklin Delano Roosevelt, então presidente americano, o tom é tudo menos hostil.
A carta timbrada com o selo do Colégio de Dolores e manuscrita em inglês, numa impecável caligrafia de criança, inicia-se com um genuíno “meu querido amigo Roosevelt”, para, de seguida, reconhecer com humildade não dominar perfeitamente o inglês: “não sei o suficiente, mas sei o que preciso para lhe escrever”. Fidel aproveita para partilhar com o amigo americano que adora ouvir rádio e que ficou muito feliz com a reeleição de Roosevelt para um novo mandato.
“Uma nota verde de 10 dólares”
Na parte seguinte da carta, o menino de 12 anos vai directo ao assunto: “Se quiser pode enviar-me uma nota verde de 10 dólares americanos na carta, porque eu nunca vi uma nota verde de 10 dólares americanos e gostava de ter uma”. Assim que a carta perde o tom obsessivo em relação à “nota verde de 10 dólares americanos”, o jovem estudante escreve a sua morada, sempre acreditando no envio da tão desejada “nota verde de 10 dólares americanos”.
De seguida, explica que não sabe muito de inglês, mas domina o espanhol, e que o seu interlocutor não deve perceber muito de espanhol, embora domine o inglês, “porque o senhor é americano e eu não sou americano”. A história encarregar-se-ia de dar uma dimensão universal a esta frase.
No fim, já depois de ter assinado numa caligrafia trabalhada e imponente, “o seu amigo Castro. Fidel Castro”, e em estilo post-scriptum, o jovem cubano refere ainda uma das mais-valias da sua ilha natal – o ferro. E oferece-se como cicerone dos americanos para lhes mostrar “as maiores minas de ferro da terra. Elas ficam em Mayari, Oriente, Cuba”. A sua terra natal. O objectivo seria os americanos fornecerem-se de ferro para a construção dos seus navios. Aí, sim, choveriam as tais “notas verdes de 10 dólares americanos”.
Resposta sim, nota não
A História, contudo, não se compadece com os sonhos ingénuos das crianças e, em Outubro de 1962, com Fidel Castro à frente dos destinos de Cuba, o mundo esteve à beira de uma guerra nuclear. Mísseis armados com ogivas nucleares soviéticas estavam prontos a ser usados, caso os Estados Unidos tentassem uma invasão à ilha. Foram 14 dias em Outubro, que poderiam ter sido os últimos.
Quanto à carta propriamente dita, andou perdida durante algum tempo, tendo sido encontrada por uma investigadora há escassos anos. Neste momento, encontra-se arquivada nos Arquivos Nacionais Norte-americanos, juntamente com toda a correspondência enviada por crianças aos vários presidentes dos Estados Unidos.
Uma vez que a presidência norte-americana, possui um departamento próprio para lidar com este tipo de correspondência, é certo que Fidel recebeu resposta, mas não a “nota verde de 10 dólares americanos”.
A embaixada americana em Lisboa confirma a existência da carta e que foi dada uma resposta do lado americano. Embora não possa precisar o conteúdo da carta enviada a Castro, o gabinete de imprensa acredita ter sido um modelo «standard», igual ao que se costuma enviar na maioria dos casos.
O EXPRESSO contactou a embaixada de Cuba em Portugal e está há oito dias a aguardar uma resposta da administração cubana. Em Lisboa, “já ouviram falar desse assunto, mas é melhor esperar uma confirmação oficial”. Ao que parece, a demora deve-se à altura festiva do ano.

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home