a história do cubano que viveu 53 dias num aeroporto da costa rica
A história de José,
o cubano que viveu 53 dias num aeroporto da Costa Rica,
teve um final feliz
http://jornal.publico.clix.pt/
30 de janeiro de 2009
POR Fernando Sousa
Um refugiado cubano que passou quase dois meses a viver no aeroporto de San José, na Costa Rica, conseguiu ontem finalmente entrar no país. Mas foi preciso a intervenção do Governo, porque a própria justiça estava a ponto de o devolver à procedência - Havana.
José Ángel Roque Pérez, de 40 anos, estava por assim dizer em terra de ninguém, depois de ter tropeçado com os serviços de imigração. Comia dos tabuleirinhos da companhia que o tinha trazido, a TACA, e dormia entre duas cadeiras num canto das instalações aeroportuárias enquanto batia o pé e garantia que jamais voltaria a Cuba.
Na quarta-feira, e perante o que já se transformara num escândalo internacional, para mais passado na Costa Rica, um país cheio de pergaminhos de paz e de direitos, comparado com a maioria da América Latina, a ministra da Segurança Pública, Janina del Vecchio, actuou. E agora o fugitivo já tem casa e cama.
A saga de José começou no dia 4 de Dezembro, contou ontem o diário digital nacion.com, de San José. Apanhara em Havana um voo para Quito, Equador, mas ao que parece o que tinha no íntimo era ficar no primeiro aeroporto de escala - a capital costa-riquenha. E foi o que fez.
O problema foi que, ao tentar passar por salvadorenho, o seu sotaque traiu-o - o sotaque castelhano na região muda tanto como a paisagem. Os serviços de imigração travaram-lhe o passo e ele ficou retido num limbo onde só chega o direito internacional.
Assim que os familiares que o esperavam souberam da história, procuraram um advogado. A questão foi levada aos juízes, que se mostraram favoráveis à sua deportação. A família recorreu da decisão, os media fizeram um alvoroço, ele continuou a dizer que não saía. No domingo a provedora de Justiça, Lisbeth Quezada, apresentou um recurso de habeas corpus ao Tribunal Constitucional e anteontem a ministra da Segurança Pública considerou-o refugiado, abrangido pelo artigo 2 da Convenção sobre o Estatuto de Refugiados de 1951. E o calvário de José Pérez acabou.
O Governo deu como provado que o cubano tinha fundados "temores de ser perseguido", como diz a lei, no seu caso por ter recolhido assinaturas, em 1998, para emendas à Constituição cubana, do que as autoridades de Havana não terão gostado. Outras pessoas que tinham andado no mesmo afã estavam a ser perseguidas.
E foi esta a aventura de José Ángel Roque Pérez, técnico de electrónica, que passou 53 dias no aeroporto de San José e agora vai trabalhar como electricista na Costa Rica.

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