Cientistas criam "peças" do corpo para idosos
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/21-10-2009/cientistas-criam-pecas-do-corpo-para-idosos-18056757.htm
Por Andrea Cunha Freitas
O objectivo do programa de 54 milhões de euros no Reino Unido é assegurar qualidade de vida a todos os que, no futuro, poderão viver até aos 100 anos
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A esperança de vida aumenta, mas o "prazo de validade" dos nossos corpos nem por isso. Enquanto o avanço da Medicina nos prolonga os anos de vida com mais e mais respostas para os problemas de saúde, espera-se também que invista na qualidade de vida. De que serve ter mais anos para viver se for em más condições?
É por essas razões e outras que uma equipa de investigadores da Universidade de Leeds vai receber cerca de 54 milhões de euros para os próximos cinco anos. O projecto quer responder a uma das principais necessidades dos idosos apostando no desenvolvimento de próteses de anca e joelho quase vitalícias e em válvulas do coração (entre outros implantes) apoiadas na Medicina regenerativa.
O lema da equipa de cientistas é 50 anos activos depois dos 50 anos. Assim, o programa divulgado ontem pela BBC parte do princípio de que serão cumpridas as expectativas já conhecidas em que metade dos bebés nascidos actualmente no reino Unido vai poder chegar aos 100 anos de vida. Para que a segunda metade da vida seja ainda bem vivida é preciso assegurar muitas condições.
As questões propostas pela Universidade de Leeds são apenas algumas das situações que poderão prejudicar o gozo deste suposto privilégio de viver mais. Assim, os investigadores querem ajudar a fornecer melhores implantes e próteses aos muitos idosos que acabam por precisar destas ajudas. Porque os ossos gastam-se e quebram-se (entre muitas outras causas, está a osteoporose que atingirá cerca de 800 mil portugueses) e os tecidos perdem a força e deixam de cumprir a função. Depois de prolongar a vida, está na hora de prolongar a vida dos "materiais de suporte".
Na lista de "partes do corpo anti-envelhecimento" estão tecidos que podem ser transplantados para o corpo sem o risco de rejeição, como válvulas do coração. Há ainda próteses de anca feitas com materiais mais resistentes e que poderão durar toda a vida, ultrapassando o actual limite da validade destas soluções que se situa nos 20 anos. O mesmo se aplica a joelhos artificiais. Os cientistas querem ainda "criar" ligamentos e tendões que possam substituir os eventualmente danificados e até vasos sanguíneos artificiais. Por fim, há ainda o campo dos transplantes de tecidos para reparar lesões na pele e outros órgãos.
Medicina regenerativa
Se no caso das próteses o progresso será feito com novos materiais mais resistentes, no caso de válvulas cardíacas e outros implantes entra-se no promissor campo da Medicina Regenerativa em que se pretende ajudar o corpo a regenerar partes danificadas.
Segundo Pedro Granja, investigador do Instituto de Engenharia Biomédica, a tecnologia anunciada tem sido experimentada por várias equipas pelo mundo fora (já se conseguiu uma bexiga artificial, um transplante de traqueia e um coração inteiro de um ratinho), mas, desta vez, há diferenças que podem ser inovadoras. Porém, avisa o especialista, estas técnicas podem demorar anos a chegar ao mercado comercial e, nalguns casos, fazem com que a prática clínica esbarre nos limites impostos pela disponibilidade de tecidos e órgãos de dadores.

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