quando morrerem os animais perigosos
Donos de circos revoltados com proibição de animais
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1390027
por BRUNO ABREU, Hoje
Quando morrerem os animais perigosos dos circos portugueses, a actividade pode estar em causa. Pode ainda demorar vinte anos, mas os donos dos circos mais conhecidos do País já criticam a nova lei, que entrou em vigor ontem
Os donos dos circos portugueses mais famosos estão revoltados com a nova lei que proíbe a posse e reprodução de animais considerados perigosos. Os circos passam a estar impedidos de comprar novos macacos, elefantes, leões, tigres ou hipopótamos. Ou seja, quando morrerem os animais que estão agora a actuar nos espectáculos, não pode ser criado ou adquirido mais nenhum.
Miguel Chen, do circo com o seu nome, fala mesmo em discriminação: "Há registo de mais acidentes com touros e ninguém lhes faz nada", alega, garantindo que não tem nada contra as touradas e exigindo apenas ser tratado da mesma forma.
De entre a lista dos animais que o circo Chen apresenta nos seus espectáculos, há uma espécie que fica proibida: o tigre siberiano. Neste grupo circense há cinco destes animais.
Já o circo Cardinali vai ter mais problemas: dos animais que fazem parte do espectáculo, só os camelos não entram na lista. De resto, elefantes, leões e tigres não podem ser mais adquiridos ou reproduzidos. Mas Victor Hugo, responsável pelo Circo Cardinali, diz esperar que a lei mude. "Vou apelar a quem de direito" para continuar a ter animais no circo, avisa.
Victor Hugo aproveita para criticar os espectáculos que não usam animais. "Posso fazer algo como o Cirque do Soleil, que é feito para os intelectuais de Lisboa e do Porto. Mas experimentem levar o Cirque do Soleil a Portalegre e os meus amigos alentejanos vão perguntar 'que porra é essa?'".
A partir de hoje, os circos estão impedidos de comprar estes novos bichos, mas podem manter os animais que já detinham antes da entrada em vigor da portaria 1226/2009. A reprodução de animais em cativeiro também passa a ser proibida. Para Victor Hugo esse não é o problema porque não a fazia."Comprava os animais sempre que necessário", diz, revelando que apenas estava a pensar na inseminação dos elefantes, que são todos fêmeas.
Já Miguel Chen admite que vai deixar os animais no estado natural, "como eles se sentem bem". "Esteriliza-los ou separa-los é contra-natura, por isso vou deixá-los viver a vida deles e que façam o quiserem". Chen aproveita e deixa o recado: "o ministro se quiser que venha cá tratar do assunto e separa-los".
Por seu lado, a Animal congratulou o Governo por ter dado "um importante primeiro passo para corresponder às muitas queixas e denúncias" feitas pela associação de defesa dos direitos dos animais, apesar de considerar uma lei moderada. E sentencia dizendo que se trata do "fim do uso de animais em circos em Portugal". No entanto, segundo Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), s circos vão continuar a ter elefantes, leões e tigres nos próximos 10 ou 20 anos. Isto, explica o instituto, depois de fazer contas baseadas na idade dos animais que vivem actualmente nos circos.
"Tentámos que houvesse uma adaptação dos circos ao novo regime, não queríamos uma mudança brusca. O grosso dos animais detidos pelos circos são felinos, embora um circo tenha um elefante. Estes animais devem durar mais 10 ou 20 anos", afirmou à Lusa João Loureiro, do ICNB.
Também a partir de hoje, circos e lojas de animais têm de registar no ICNB os animais que a portaria enumera (ver lista). Até agora não existia um registo obrigatório dos circos, nem das lojas. Mas nos últimos quatro anos o ICNB recolheu sete leões e quatro tigres abandonados na via pública, encontrados em jaulas que indiciavam ser de circos, mas nunca confirmou.
Os parques zoológicos,centros de recuperação de animais e outras entidades licenciadas pelo ICNB, são os únicos a quem a lei permite actualmente deter animais como os felinos, hipopótamos ou elefantes.

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