um milhão de bíblias na china
Monges de Taizé distribuem um milhão de Bíblias aos cristãos da China
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/31-12-2009/monges-de-taize-distribuem-um-milhao--de-biblias-aos-cristaos-da-china-18504683.htm
Por António Marujo
A comunidade monástica, que realiza até dia 2 de Janeiro um encontro europeu na Polónia, mantém contactos com os cristãos chineses há mais de duas décadas
Encontro no Porto
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A comunidade monástica de Taizé (França), que reúne monges de origem católica e protestante, está a concluir a distribuição de um milhão de Bíblias aos cristãos da China. A iniciativa, divulgada nas vésperas do encontro europeu de jovens que esta terça-feira começou em Poznan, na Polónia, foi concretizada através da Operação Esperança, espécie de fundo de solidariedade que a comunidade mantém para apoio a necessidades sociais ou culturais em diversas partes do mundo.
As Bíblias foram impressas na China, como forma de apoiar também a economia e os trabalhadores, disse ao PÚBLICO um dos irmãos de Taizé. O próprio prior da comunidade, irmão Aloïs, esteve três semanas no país, no início de Dezembro, acompanhado de dois outros monges de Taizé, um chinês e um coreano.
"A fé entre os cristãos deste país é muito dinâmica", relata o irmão Aloïs, alemão que sucedeu ao fundador, irmão Roger Schutz, morto em 2005 por uma mulher com perturbações mentais. "Admiramos a sua perseverança e a sua fidelidade. Houve várias pessoas que nos falaram sobre o sofrimento que os seus pais ou os seus avós atravessaram por causa da fé. Encontrámos cristãos que, no seu humilde lugar, contribuem activamente na construção do futuro do seu país."
Apesar das restrições que têm existido, a comunidade mantém contactos com os cristãos chineses há mais de duas décadas. A partir da sua experiência do início de Dezembro, o prior de Taizé escreveu a Carta da China. Em Poznan, até sábado, 2 de Janeiro, o texto será debatido em várias das dezenas de actividades que o encontro prevê - a par de duas orações diárias, a decorrer no parque de exposições.
No texto (disponível em http:/www.taize.fr/pt_article9567.html), escreve o irmão Aloïs que "as fronteiras dos países mais ricos devem poder abrir-se mais". E acrescenta: "A guerra não é inevitável. (...) É possível haver mais justiça na terra. As análises e os apelos com vista a promover a justiça e a paz não faltam. O que falta é a motivação necessária para perseverar para lá das boas intenções."
Perante um quadro de graves injustiças, o prior de Taizé sugere iniciativas que podem merecer o envolvimento pessoal: "Há muitas iniciativas de partilha que estão ao nosso alcance: desenvolver redes de entreajuda; favorecer uma economia solidária; acolher os imigrantes; (...) utilizar bem as novas tecnologias para criar laços de apoio..."
Barroso enviou mensagem
Um outro tema para o debate dos participantes será animado por um antigo presidente do Supremo Tribunal de Justiça da Hungria: o que foi feito da liberdade na Europa, duas décadas depois da queda do muro de Berlim, é o mote. A questão da falta de liberdade em vastas regiões do globo, bem como a solidariedade e a justiça económica serão temas de outros ateliês.
Em mensagem aos participantes, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, regista a propósito que Poznan e a Polónia "evocam duas datas cruciais para a nossa história: o deflagrar da Segunda Guerra Mundial, em Agosto de 1939, e a queda da Cortina de Ferro, no Outono de 1989, que permitiu o regresso da democracia na Europa Central e abriu caminho à reunificação" europeia.
Além do Papa Bento XVI, do patriarca ortodoxo Bartolomeu, de Constantinopla, e do arcebispo anglicano de Cantuária, Rowan Williams, também o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, enviou uma mensagem destacando a importância da expressão "comunidade": "Sozinhos conseguimos muito pouco. Mas acções conjuntas podem mudar o mundo para melhor. Alegro-me particularmente com a ênfase que a peregrinação deste ano coloca nas questões sociais, nomeadamente sobre o sentido da liberdade."
No encontro, participam 30 mil jovens de toda a Europa. Centena e meia de paróquias mobilizaram-se para acolher os jovens, incluindo perto de 500 portugueses que participam também neste 32.º encontro europeu de jovens promovido pela comunidade de Taizé. Neles se incluem 100 jovens da diocese do Porto, como acto de preparação imediata para o encontro ibérico que decorre na cidade, em Fevereiro.

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