"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Mudança boa

"Se a mudança permitir maior mobilidade, é boa"
http://dn.sapo.pt/2005/01/28/sociedade/se_a_mudanca_permitir_maior_mobilida.html
Ângela Marques DN
28 de Janeiro de 2005

Arrancam todos os dias pela mesma hora para fazerem os mesmos percursos da área metropolitana de Lisboa. Os passageiros não reclamam da falta de originalidade porque têm pressa de chegar ao destino. Dentro de um autocarro da Carris, os 50 minutos que distam entre Odivelas e o Cais do Sodré são vividos com agitação. A maioria das pessoas faz trajectos curtos. Por isso, "pagar só o que se anda será melhor".Porque a cidade mudou muito, e tem hoje menos habitantes e emprego que nos últimos anos, a Carris anunciou no dia 20 a reestruturação da sua rede de transportes - que se quer mais circular, mais segmentada e mais complementada com o Metropolitano. Para quem, como José Maria Barros, de 52 anos, utiliza diariamente estes serviços, "todas as mudanças que permitam maior mobilidade são boas". Empregado de mesa num estabelecimento da baixa da cidade, José Maria é a favor da simplificação "um cartão que dê para todos os transportes é uma boa ideia".São "bem usados os 25 euros por mês" que Luci Sanches, de 37 anos, gasta no passe combinado que lhe permite andar de autocarro e de Metro pela cidade. As viagens que faz "não são só de casa para o trabalho e de volta a casa". Durante o dias usa muitas vezes os transportes públicos. O preço não lhe parece, por isso, abusivo, e o serviço prestado pelas empresas "satisfaz". No entanto, considera que, se o modelo proposto pela Autoridade Metropolitana de Transportes avançar, "a situação melhora". Os 90 euros que Maria Wilson, de 33 anos, gasta em transportes públicos por mês "pesam muito no orçamento familiar". As duas horas que demora a chegar ao emprego - em Lisboa -, todos os dias, pesam no corpo que tem de despertar de madrugada no Barreiro.Primeiro é o barco, depois o comboio e só então o autocarro. "Um cansaço que não termina." Maria não usa regularmente o Metropolitano, pelo que não vê "grande vantagem em ter um cartão que dê para andar de Metro". Mas "se o resto ficasse mais barato, seria óptimo", conclui.