"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sábado, fevereiro 05, 2005

Homenagem à fertilidade

Uma homenagem à fertilidade
Céu Neves
http://dn.sapo.pt/2005/02/05/sociedade/uma_homenagem_a_fertilidade.html
Diário de Notícias, 5 de Fevereiro de 2005

no novo estado tudo é permitido
menos a fertilidade
as festividades reprimidas alteram as regras
invertem os papéis de parte dos homens
expõem os males

a festa agrícola desperta para a função fértil
dá o sustento e o anúncio
de uma nova estação de repouso
sem colheitas nem sementeiras

o sol sobe e há luz
os dias maiores acabam as festividades
além disso é inverno
mata-se o animal principal

o sustento da época mantém as carnes salgadas
não falta a comida e as condições para a festa
o rei é um pai velho em tamanho natural
um boneco para recomeçar
o sentido de queimar coisas vivas

o calendário organiza a vida
há mais festas a nossa senhora
mais de mil marcam o meio
de perceber porque as coisas existem

energia, terra e máscaras
as pagãs e não o contrário
o fim da euforia e da abundância
há muito tempo o jejum e a penitência

paga-se para comer carne às sextas
o número de luas ilustra a data
transgressão
quarenta dias antes da ressurreição

os homens de mulher em todo o país
licença onde elas não entram
a principal alteração:
recentemente vi mulheres de máscaras

há uma dança que chama para a rua os novos
descobrem-se as carecas, a dança dos cus