Especialistas divergem sobre o genuíno rosto de Shakespeare
http://dn.sapo.pt/2006/03/06/artes/especialistas_divergem_sobre_o_genui.html
6 de Março de 2006
A National Portrait Gallery de Londres - museu londrino especializado em retratos históricos e contemporâneos - organizou uma programação de festejos do seu 150º aniversário na figura de William Shakespeare (1564-1616), incluindo actividades populares e académicas. Nestas celebrações, integram-se uma exposição, patente até 29 de Maio, e um congresso em torno da vida e da obra do mais relevante autor de língua inglesa. Questões como as da autoria e fisionomia do dramaturgo não deixarão de ser abordadas em diversas iniciativas.Este museu iniciou a sua trajectória em 1856 com a doação do The Chandos Portrait, atribuído a John Taylor, cuja figura se identificava com Shakespeare. Não há, porém, provas documentais de que se trate de uma reprodução fiel do rosto do dramaturgo, até porque não está muito parecido com o busto de Shakespeare exposto na sua igreja local, a da Santíssima Trindade, pouco depois da sua morte, em 1616. Não faz lembrar, por outro lado, o jovem surgido na primeira edição, em 1963, das suas obras de teatro. Com o tempo surgiram, entretanto, outros supostos retratos do autor de Hamlet que a National Portrait Gallery reuniu, pela primeira vez, na exposição Em Busca de Shakespeare.O museu renova, nesta exposição, o mistério em torno da obra do bardo. Será o Portrait of Chandos o verdadeiro de Shakespeare, ou um entre outros dos que se conservam, como assegura a académica alemã Hildegard Hammerschmidt-Hummel? Trata-se de um dilema difícil de resolver uma vez que, segundo observa Thompson, "a ideia que fazemos dele muda continuamente". O professor de Oxford e o tradutor de Dom Quixote, Jon Rutherfiord, argumenta, por outro lado, que " o importante são as suas palavras no papel e não os pormenores sobre a imagem ou a personalidade."A investigação de três anos e meio da National Portrait Gallery traz novos dados, mas sem chegar a uma conclusão definitiva sobre qual é o retrato genuíno de Shakespare. O museu crê que o Portrait of Chandos representa na realidade o escritor inglês, mas, de acordo com Tarnya Cooper, comissária da exposição Em Busca de Shakespare, esta reivindicação "não é infalível." Para a especialista do século XVI, uma vez que "não existem documentos que a avalizem categoricamente, será difícil descobrir a prova definitiva."As conclusões da investigação do museu contrastam com o extenso estudo levado a cabo por Hildegard Hammerschmidt-Hummel. Aplicando técnicas forenses e medições faciais, a académica aceita como fidedignos três retratos reunidos em Londres. Cooper considera que a sua metodologia é errónea.

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