"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

terça-feira, abril 18, 2006

Vizinhança

Felinos de circo rugem e assustam vizinhança
http://dn.sapo.pt/2006/04/18/cidades/felinos_circo_rugem_e_assustam_vizin.html
18 de Abril de 2006
POR Daniel Lam Rodrigo Cabrita

Moradores da localidade de Vale de Touros, no concelho de Palmela, queixam-se que numa mata defronte das suas vivendas estão jaulas do Circus Universal com dois tigres e dois leões. Dizem-se incomodados pelos animais, que "rugem durante a noite", e "preocupados com o bem-estar" dos felinos, considerando-os "mal tratados". A GNR já esteve no local, tal como o veterinário da câmara municipal e elementos da Direcção-Geral de Veterinária. Mas todos empurram as responsabilidades de uns para os outros e ninguém se entende sobre quem deve fazer o quê.No local, dezenas de reboques e atrelados de vários circos - Universal, Gottani, Cardinali e Circo do Futuro - estão espalhados pela mata. Por apresentarem um aspecto já degradado , parecem constituir uma espécie de cemitério do circo. Mais atrás, dois reboques com grades guardam um casal de leões (César e Sara) e de tigres (Tarzan e Royal). Nas imediações, pastam dois póneis.Do circo, apenas falou o jovem tratador Daniel Sobral, dizendo que os animais "não estão velhos e continuam a poder fazer os números de acrobacia. Só precisam de voltar a ser ensaiados". Conta que "há um mês, eles estavam fraquinhos e magros, porque o outro tratador não lhes dava a atenção que devia".Segundo explicou, cada felino "come três ou quatro cabeças de porco por dia ou quatro ou cinco perús, mas daqueles enormes". Esclarece que os felinos "rugem de noite, porque é o instinto deles". Recorda que "aqui na mata há cães perigosos à solta. No ano passado, o nosso búfalo foi atacado por dois cães e ficou com as pernas todas rasgadas".Naquela mata, propriedade de um privado que vive em Lisboa, estão desde há cerca de oito meses os animais, o dono do circo, a sua mãe, o tratador e outro empregado.A situação "foi denunciada à Câmara de Palmela pela Associação de Moradores da Lagoinha e Vale de Touros", relatou ao DN a assessora de imprensa da autarquia. Adianta que, "em Janeiro, o veterinário municipal foi com elementos da GNR ao local, mas não pudemos fazer nada, porque a câmara não pode intervir em espaço privado".Acrescentou que, "no dia 1 de Fevereiro, o veterinário municipal foi lá com elementos da Divisão de Bem-estar Animal da Direcção-Geral de Veterinária (DGV), mas eles consideraram que os animais estão em condições, pelo que tudo se mantém. A única solução é o proprietário do terreno expulsá-los dali".O dono do terreno, António Pateiro, diz já ter falado com eles "há uns 15 dias. Responderam-me que daqui a pouco tempo vão embora para trabalhar, mas nunca mais. Os vizinhos estão sempre a telefonar-me a queixar-se que os animais fazem muito barulho à noite. Mas também me custa ir gastar dinheiro numa acção em tribunal, que depois nunca mais sei quando se resolve".Sandra Moutinho, do Instituto de Conservação da Natureza (ICN), refere ao DN que, "sobre a legalidade dos animais, os tigres cumprem as normas. No caso dos leões, em 2005 a GNR levantou um auto de notícia, porque faltava documentação".Fonte da DGV informa que "a avaliação das condições de bem-estar dos animais deve ser feita pelo veterinário municipal. A DGV só intervém quando há denúncias do ICN ou do veterinário municipal".