Documento milenar está a ser recuperado
Raios-x revelam tratados inéditos de Arquimedes
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=367294
POR Alexandre Costa
07 Agosto de 2006
estamos a conseguir ouvir um dos pais da ciência
manuscritos em pergaminho sobre os quais os copistas medievais rasparam as inscrições originais para os reutilizarem com novos textos. Conhecido como o «palimpsesto de Arquimedes», o manuscrito de 174 páginas que está agora a ser alvo de uma delicada operação de recuperação, é de especial importância porque contem vestígios de sete tratados de Arquimedes, três dos quais com dados novos até aqui desconhecidos.
No caso do tratado sobre «Corpos Flutuantes» é o primeiro documento encontrado com esta teoria escrita em grego (a língua na qual Arquimedes a escreveu originalmente), quanto ao «O Método dos Teoremas Mecânicos» trata-se mesmo do único registo em qualquer língua que sobreviveu até os dias de hoje com esta teoria, tal como algumas das inscrições encontradas do tratado «Stomachion» (um quebra-cabeças geométrico).
Arquimedes viveu no século III A.C. e é considerado como um dos maiores cientistas e matemáticos da antiguidade.
Os estudiosos acreditam que no século X um escrivão copiou para este manuscrito os tratados de Arquimedes a partir dos documentos originais gregos. Uma transcrição que três séculos mais tarde foi apagada por um monge cristão, que reutilizou o manuscrito de pergaminho para escrever orações.
Os tratados de Arquimedes estão agora a ser recuperados através de raios-x (do tamanho de um cabelo) que conseguem detectar pequenas partículas de ferro deixadas pela tinta original.
«É uma das operações mais difíceis realizadas num documento medieval porque o livro está em péssimo estado de conservação», referiu Willian Noel.
Demora cerca de 12 horas a digitalizar cada página do manuscrito e os estudiosos estão a concentrar-se sobretudo nas páginas que contém dados inéditos.
Na quinta-feira passada o público pode assistir em directo a este processo através de uma transmissão de vídeo pela Internet, sendo que à medida que cada página é recuperada é disponibilizada na web.
Nos últimos 8 anos, investigadores tentaram através de filtros ultravioleta e infra-vermelhos recuperar o documento, mas algumas páginas estavam demasiado deterioradas.

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