"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sexta-feira, março 16, 2007

Bento XVI escreve aos fiés e à hierarquia
Papa quer moderação na saudação da paz
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=380492
16 de Marco de 2007
POR Monica Contreras

Na exortação Apostólica pós-sinodal, hoje divulgada, o Papa recomenda aos católicos que sejam um testemunho da sua fé na vida quotidiana.


José Ventura
Bento XVI entende que os católicos deveriam ir à missa em jejum
18:03 terça-feira, 13 MAR 07





Link permanente:
x
Bento XVI quer que os católicos façam uma "saudação da paz" mais discreta. A "saudação da paz" é o momento que antecede a comunhão durante o qual os crentes se cumprimentam. Diz o Papa na Sacramentum Caritatis – uma exortação apostólica pós-sinodal, hoje divulgada – que durante o Sínodo dos Bispos (em finais de 2005) foi salientada a importância de "moderar este gesto, que pode assumir expressões excessivas, suscitando um pouco de confusão na assembleia". O líder dos católicos sugere que a saudação seja limitada a quem está mais perto.
Dedicado à eucaristia, o documento fala da importância de uma participação activa dos fiéis e da necessidade de cada um criar uma disposição interior antes da celebração. Os meios, recomenda Bento XVI, podem ser o jejum, o recolhimento e o silêncio antes do início da missa, e a confissão.
Aos bispos e sacerdotes, o chefe da Igreja Católica exorta-os a melhorarem "a qualidade da homilia". "Evitem-se homilias genéricas ou abstractas", afirma o autor da exortação.
Nos encontros internacionais, as grandes liturgias devem ser celebradas em latim "a fim de exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja" com excepção para as leituras, a homilia e a oração dos fiéis. O Papa defende ainda que os futuros sacerdotes "sejam preparados para compreender e celebrar" a missa em latim.
A defesa do canto gregoriano é feita no documento. Diz Bento XVI que a música e os cânticos litúrgicos "constituem um património de fé e amor". Mas, realça, em liturgia "não podemos dizer que tanto vale um cântico como outro". Sugere, assim, que se valorize o cântico gregoriano como próprio da liturgia romana.
Na exortação, o Papa apela à Hierarquia que garanta assistência espiritual aos doentes, quer estejam em casa ou no hospital, e dê uma atenção especial aos deficientes. "Procure-se remover eventuais obstáculos arquitectónicos" nos templos.
Bento XVI quer ainda que a sociedade civil reconheça o domingo como "dia de repouso do trabalho" de modo a que "se possa ficar livre de obrigações laborais sem ser penalizado por isso".
Neste documento produzido na sequência do encontro dos bispos realizado em finais de 2005, o Papa volta a falar da obrigatoriedade do celibato dos sacerdotes. "O facto de o próprio Cristo, eterno sacerdote, ter vivido a sua missão até ao sacrifício da cruz no estado de virgindade constitui ponto seguro de referência para perceber o sentido da tradição da Igreja Latina". Mais uma vez – o Sínodo antes e agora o Papa – realça-se a proibição da comunhão para os fiéis recasados. No entanto, Bento XVI defende a existência em cada diocese de pessoas preparadas para "o solícito funcionamento dos tribunais eclesiásticos" para os casais que pretendam pedir a nulidade do matrimónio.