"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sexta-feira, agosto 31, 2007

Areia na china

Tempestades de areia destroem Muralha da China
http://dn.sapo.pt/2007/08/31/artes/tempestades_areia_destroem_muralha_c.html
31 de Agosto de 2007

A desertificação avança 1300 quilómetros quadrados por anoAs tempestades de areia ocorridas no Noroeste da China estão a transformar partes da Grande Muralha da China em montes de terra e podem fazer com ela que desapareça dentro de cerca de 20 anos, afirmoua agência noticiosa oficial chinesa. A grande muralha, eleita no mês passado como uma das novas sete maravilhas do mundo, foi erguida há mais de 2000 anos, percorre o território chinês ao longo de 6.700 quilómetros e recebe, segundo estimativas, 10 milhões de visitantes por ano. Mais de 60 quilómetros da muralha na região do condado de Minqin (província de Gansu), construídos na Dinastia Han (que durou de 206 a.C. a 220 d.C.), têm "desaparecido rapidamente", segundo o director do museu local, Zhou Shengrui. "Esta zona da grande muralha era feita de lama, e não de tijolos e pedra. Estava mais sujeita à erosão", disse Zhou, acrescentando que a construção se tinha tornado quebradiça e que, ao longo do tempo, a lama transformou-se em pó e foi levada dali pela acção do vento."Um processo semelhante de erosão aconteceu noutros pontos da Grande Muralha. Mas a situação é muito mais grave aqui", explicou. O responsável acrescentou que a adopção de técnicas de agricultura intensiva, nos anos cinquenta do século XX , esgotou os lençóis freáticos de Minqin e destruiu o ecossistema na região, o que fez da região uma grande fonte de tempestades de areia no noroeste da China.Mais de 40 quilómetros da muralha desapareceram nos últimos 20 anos, sendo que continuam de pé apenas cerca de dez quilómetros.A muralha foi erigida pelo imperador Qin, e pretendia unir os diversos pontos defensivos do território para impedir a invasão da Mongólia. - G.P.

A sinagoga que sobreviveu a duas guerras mundiais
http://dn.sapo.pt/2007/08/31/internacional/a_sinagoga_sobreviveu_a_duas_guerras.html
31 de Agosto de 2007
CARLA GUERRA, Berlim

Renovação durou três anos e custou quase cinco milhões de euros
Foi o principal símbolo de desafio a Hitler e hoje é uma marca arquitectónica com carga emocional muito forte. A sinagoga da rua Rykestrasse, em pleno centro de Berlim, reabre hoje as portas, dois dias antes da comemoração do Ano Novo judaico, assinalando a entrada no ano 5766.Antigo centro de joalharia e local de habitação de trabalhadores judeus, hoje Prenzlauer Berg é um dos locais históricos mais simbólicos devido à maior sinagoga da Alemanha, a única instituição judaica que sobreviveu, quase intacta, à "Noite de Cristal", de 9 de Novembro de 1938, quando Hitler mandou incendiar sinagogas e lojas de judeus. A sinagoga acolherá hoje líderes políticos e sobreviventes do Holocausto de todo o mundo. Uma série de eventos marca a reabertura, incluindo concertos com artistas israelitas e alemães, teatro, filmes e recitais. O arranque é assinalado com exposições, abertas toda a noite. A sala, com capacidade para 1200 pessoas, receberá cantores alemães e judeus da cena hip hop e pop, que dedicam as actuações a Selma Meerbaum-Eisinger, uma romena vítima do Holocausto, que morreu em 1942, com 18 anos, num campo de concentração na Ucrânia. A 6 de Setembro terão lugar concertos dos compositores judeus Gideon Klein, Erwin Schulhoff e Hans Krasa, mortos pelos nazis. A Rykestrasse e as ruas paralelas carregam o peso de duas guerras mundiais e uma era comunista. Por isso, Prenzlauer Berg é uma zona com uma atmosfera especial, repleta de cafés da vanguarda e boutiques excêntricas. Foi aqui que a vida judia floresceu desde o século XIII. A sinagoga foi inaugurada em 1904. Desde a reunificação alemã, em 1990, tem sido um importante centro de apoio ao afluxo de judeus imigrantes da Rússia que chegam a Alemanha e que fazem da comunidade judia alemã a maior do mundo.

sábado, agosto 25, 2007

Explicação

Artigos publicados na "Science"
Cientistas apresentam uma explicação para a sensação de estar fora do próprio corpo
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1303088&idCanal=13
24 de Agosto de 2007
POR Teresa Firmino


Não faltam filmes a ficcionar o fenómeno, nem relatos reais. Alguém, acordado, sente que está fora do próprio corpo e até o vê noutro sítio, por exemplo deitado. Estarão estas experiências fora do corpo para lá das leis da natureza? Ou têm uma explicação mundana, que ainda não foi encontrada? É tudo criado no cérebro, garantem hoje duas equipas de cientistas na revista "Science".
Estas experiências têm sido relatadas por doentes com epilepsia ou que tiveram acidentes vasculares cerebrais. A toxicodependência e acidentes já motivam relatos. Pessoas saudáveis dizem ter sentido o mesmo. Entre as várias hipóteses estão a falta de oxigénio no cérebro ou um funcionamento cerebral diferente. Há ainda quem diga que é imaginação, tal como há quem lhe atribua um cariz sobrenatural. Mas há cientistas a procurar uma justificação a nível cerebral. Para tal, é preciso não só conceber uma experiência que leve alguém a sentir-se fora do seu corpo, como esses resultados têm de ser reproduzidos por outras equipas. Foi o que fizeram as duas equipas, com recurso a técnicas de realidade virtual para confundir os sentidos de pessoas saudáveis. Henrik Ehrsson, do University College em Londres e do Instituto Karolinska, na Suécia, testou 12. A equipa de Olaf Blanke, da Escola Politécnica de Lausana e do Hospital Universitário de Genebra, na Suíça, testou 14. Os participantes recebiam, em óculos especiais, imagens de vídeo, a três dimensões, dos seus corpos filmados de costas. Depois, os cientistas simulavam que lhes tocavam nas costas "virtuais" com uma varinha de plástico, enquanto tocavam de facto noutra parte do corpo. Foi o primeiro teste a induzir uma mudança na percepção do local onde se encontra o "eu" em relação ao corpo físico, conclui Ehrsson. "Antes, não havia maneira de induzir experiências fora do corpo em pessoas saudáveis, tirando os relatos por fundamentar da literatura sobre ocultismo."Na experiência de Blanke, em que os participantes se viam a si próprios pelas costas, vários relataram sensações "estranhas". Nenhum fez as descrições clássicas da sensação de estar fora do corpo, mas, quando os levavam de olhos tapados para outro sítio e lhes pediam para voltar à posição original, alguns punham-se no local do seu holograma. Para as duas equipas, a sensação de estar fora do corpo resulta de um conflito entre a informação recebida no cérebro pelos vários sentidos, neste caso entre a da visão e a do tacto. "A perspectiva visual é crucial na experiência de fora do corpo. Sentimos que o nosso "eu" está localizado onde se encontram os olhos", diz Ehrsson, num comunicado. "Disfunções cerebrais que interfiram na interpretação de sinais sensoriais podem causar alguns casos clínicos de experiências fora do corpo", acrescentou. "Se todas têm a mesma causa, ainda está em aberto."Este trabalho pode ter várias implicações, começando pelas neurociências. "Interessa-me saber por que razão nos sentimos dentro do nosso corpo. A filosofia discute-o há séculos, mas é difícil de abordar experimentalmente", disse Ehrsson. "Se conseguirmos projectar pessoas numa personagem virtual, para que se sintam e respondam como se fossem reais numa versão virtual de si próprias, imaginem-se as implicações. Os videojogos podem atingir um novo nível, mas pode ir muito além disso. Um cirurgião pode fazer uma operação remota, através do controlo do seu "eu" virtual num local diferente."

quinta-feira, agosto 16, 2007

30 COISAS QUE AINDA NÃO SABE SOBRE ELVIS EURICO DE BARROS e PAULA LOBODIREITOS RESERVADOS
http://dn.sapo.pt/2007/08/16/artes/30_coisas_ainda_sabe_sobre_elvis.html
16 de Agosto de 2007

São 30 factos, pequenas curiosidades ou idiossincrasias. Uma por cada ano que passou desde a morte de Elvis Presley, a 16 de Agosto de 1977. Recorrendo a várias fontes - nomeadamente à Internet Movie Database (IMDB), ao jornal The Independent e a vários artigos da Wikipedia (entre eles a especializadíssima subsecção ElvisPedia) -, quisemos construir um retrato em fragmentos do cantor.1 Gémeo. O irmão gémeo, Jesse Garon Presley, morreu no parto. Elvis nasceu 35 minutos depois.2 Religião. Elvis usava ao pescoço um fio com o símbolo hebraico Chai ("viver") e uma estrela de David. Explicação? "Não quero deixar de entrar no Paraíso por uma questão técnica", dizia.3 Equipa. Os colaboradores mais próximos eram conhecidos como "Mafia de Memphis" e Elvis deu a todos eles anéis iguais, em ouro e diamantes. Tinham um relâmpago e as letras TCB, que supostamente queriam dizer "Take Care of Business" (toma conta do negócio). O próprio "Rei" foi sepultado com um anel desses no dedo.4 Armas. Era um ávido coleccionador de armas e distintivos. Este ano, a empresa America Remembers lançou uma edição especial do "Elvis Presley TCB Tribute Revolver", um Smith & Wesson de calibre 35, em ouro de 24 quilates e decorado com uma foto do "Rei" e o desenho de um relâmpago. 5 Pneus. Elvis gostava de auxiliar pessoas que tinham furos a mudar os pneus. Várias foram as vezes em que mandou parar o carro na rua ou na estrada, para ir ajudar perfeitos estranhos a trocarem pneus.6 Padrinho. Sonhava interpretar o papel de Don Vito Corleone no filme O Padrinho, de Francis Ford Coppola. Elvis nunca foi chamado para as audições e a personagem acabou por ser entregue a Marlon Brando.7 Penteado. Disse um dia que se inspirou no cabelo do actor Robert Mitchum para criar o seu famoso penteado. Conheceram-se para discutir a possibilidade de interpretarem juntos o filme Thunder Road (1958), mas - como sucedeu com tantos outros papéis - o "coronel" Tom Parker, seu manager, impediu a concretização dos planos.8 Filmes. Era fã de James Dean e da personagem Dirty Harry. Os seus filmes favoritos eram Rebelde sem Causa (1955), Um Eléctrico Chamado Desejo (1951) e A Fúria da Razão (1971).9 Pernas. Segundo um dos seus amigos, o modo como mexia as pernas ao dançar foi inspirado em 'Big Chief' Wetherington, cantor do grupo gospel The Statesmen, que Elvis idolatrava na sua juventude.10 Caso. Teve um breve caso com a modelo e actriz Ann-Margret, enquanto filmavam Viva Las Vegas, em 1964. A partir daí, sempre que ela actuava em Las Vegas, o cantor mandava-lhe flores no formato de uma guitarra.11 Beatles. Em 1965, a única pessoa que os Beatles queriam conhecer nos EUA era Elvis. Encontraram-se e passaram uma tarde agradável. Os Fab Four eram grandes fãs dele. Cinco anos depois, Elvis disse ao presidente Nixon que eles eram "muito antiamericanos" por consumirem drogas e protestarem contra a Guerra do Vietname. Sugeriu mesmo que fossem proibidos de entrar nos EUA.12 Peso. Em 1960, depois de sair do exército, pesava 77 quilos e nunca esteve tão magro.Quando morreu, tinha chegado aos 118 quilos.13 Banana. Receita da sanduíche favorita de Elvis: barrar uma fatia de pão com manteiga de amendoim e outra fatia de pão com uma banana esmagada. Juntar as duas. Aquecer gordura de bacon numa frigideira e tostar de ambos os lados.14 Televisão. Elvis: Aloha From Hawaii, gravação do concerto de 1973 no Centro de Convenções de Honolulu, foi o primeiro programa televisivo a ser transmitido mundialmente por satélite. Teve mais espectadores do que a caminhada de Neil Armstrong na Lua.15 Nixon. A 21 de Dezembro de 1970, foi recebido na Casa Branca pelo presidente Richard Nixon. Elvis tinha-lhe enviado uma carta de seis páginas a pedir o encontro e a sugerir a sua nomeação para agente federal honorário da Brigada de Narcóticos.16 Canto. No final de um concerto nos anos 50, um cantor de ópera foi ter com ele aos bastidores e disse-lhe que cantava como um saloio e precisava de aulas de canto. "Obrigado pelo conselho, mas quantos desses milhares de pessoas que estão aí fora vieram para o ouvir?", respondeu-lhe Elvis. 17 Recorde. Em Março de 1974, no Houston Astrodome, o cantor bateu o recorde de público num só dia: as duas actuações foram vistas por 89 mil fãs.18 Vendas. Estima-se que em todo o mundo se venderam 1,8 mil milhões de discos de Elvis, mais do que qualquer outro artista ou banda.19 Conta. Quando morreu, a sua conta bancária estava estimada em cinco milhões de dólares (3,68 milhões de euros, ao câmbio actual).20 Fogo. Quanto mais perigosos, mais gostava dos jogos. Um dos seus preferidos era o chamado Whip. Elvis e a "Mafia de Memphis" vestiam fatos da Força Aérea, luvas e capacetes. Dividiam-se em duas equipas e atiravam fogo-de-artifício uns aos outros. Foi assim que o cantor ficou com uma cicatriz no pescoço e que um dos seus amigos quase perdeu um olho. 21 Estrangeiro. Só actuou duas vezes fora dos EUA, ambas no Canadá. A sua primeira digressão europeia estava a ser agendada para 1978.22 Brilhantes. Depois de o ver em concerto, o pianistakitsch Liberace sugeriu-lhe que passasse a usar fatos mais vistosos. Elvis passou a vestir casacos dourados de lamé e fatos brancos cravejados de pedras coloridas, e reservava sempre lugar para Liberace na plateia.23 Patriotismo. No início dos anos 60, Elvis Presley deu um concerto no Havai e doou os royalties para ajudar a construir o memorial do USS Arizona, um dos navios afundados durante o ataque japonês a Pearl Harbor, em 1941.24 Música. Elvis gravou mais de 600 canções, mas nunca escreveu nenhuma delas.25 Filmes. Entrou em 31 filmes e dois documentários musicais.26 Antepassados. Elvis descendia de índios cherokee e do tetravô do presidente Abraham Lincoln. E era também primo afastado do presidente Jimmy Carter.27 Chimpanzé. No início da década de 60, arranjou um chimpanzé chamado Scatter, que tinha pertencido a um artista que trabalhava em festas para crianças. O chimpanzé sabia fazer muitos truques e gostava de levantar as saias das mulheres. Uma das partidas favoritas do cantor era juntar as suas amigas em casa e soltar Scatter no meio delas.28 Casa. Comprou a mansão de Graceland, no Tennessee, a 19 de Março de 1965, por 102 500 dólares. Tem 23 quartos e 55 hectares de terreno. É ali que Elvis está sepultado e, actualmente, Graceland é a segunda residência mais visitada nos EUA, depois da Casa Branca.29 Livro. Na altura da sua morte, estava a ler The Scientific Search for the Face of Jesus, de Frank O. Adams, editado pela Physical Aid Foundation em 1972. 30 Cinema. Na véspera de morrer, Elvis tentou arranjar uma cópia do filme Guerra das Estrelas para mostrar à sua filha, Lisa Marie.
30 COISAS QUE AINDA NÃO SABE SOBRE ELVIS
Livro reúne pinturas e desenhos de Sylvia Plath
Uma vigília à luz das velas e uma canção na Internet
Bordel à chuva e uma falsa despedida
A 'Ressaca' do Euro 2004 por António Júlio Duarte
Fusões artísticas em Trafalgar
Alegações finais de Vítor Sobral (CHEFE DE COZINHA): "Vai acabar a vergonha de o filho ser cozinheiro"
A velha arte de contar histórias

Antes dele nao existia nada

Antes dele, não existia nada
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fdt%3D20070816%26page%3D6%26c%3DC
16.08.2007, Mário Lopes

Elvis Presley, o homem que, com um movimento de anca, abriu caminho para a libertação da sexualidade e para o fim da segregação racial. Elvis Presley, o provinciano que não soube conviver com o mundo que transformou. Morreu a 16 de Agosto de 1977, há precisamente 30 anos.
Em Graceland, Elvis Presley preparava-se para a digressão que iniciaria no dia seguinte. Passou a noite em claro, como tantas vezes acontecia por essa altura, resultado da dependência dos mais variados medicamentos e retirou-se para o seu quarto, às sete da manhã, para descansar antes do voo que, mais tarde o levaria a Portland. Não chegou a embarcar. Ao final da manhã, era encontrado morto. À tarde, a notícia corria o mundo: "Rei Elvis morto". 16 de Agosto de 1977, há precisamente 30 anos. Elvis had left the building. Permanentemente. Não ressurgiria noutro palco, noutro casino, noutro filme.Causa da morte? Incerta. Só a saberemos em 2027, quando a sua autópsia passar a ser do domínio público. Culparam-se o excesso de medicamentos, culpou-se um coração fraco, uma vida sedentária e a desilusão com a artificialidade da sua existência naqueles últimos tempos. Charlie Feathers, companheiro dos primórdios do rock"n"roll, seria mais prosaico: "Elvis não morreu das drogas, morreu do pequeno-almoço". Na sua memória, as sandwiches de taxa calórica assassina que compunham a dieta do amigo, que não bebia álcool, que não se drogava com a heroína e a cocaína da praxe em estrela rock"n"roll.Em 1977, engordado de forma grotesca, enfiado em fatos de um kitsch inenarrável, incapaz dos movimentos felinos de outrora ou de se lembrar das letras das suas canções, Presley continuava a ser um dos mais lucrativos artistas americanos. Os concertos, os curtos concertos que conseguia dar, esgotavam. O público, envelhecido como ele e, também como ele, distante da actualidade pop, acorria em massa para ver o mito. Elvis já não era humano. Era uma imagem, um ícone, uma certa ideia de América - que não era a nova América a que, inadvertidamente, tinha dado impulso decisivo nos anos 50. "Antes de Elvis, não existia nada", hiperbolizou John Lennon - mas estava certo. "Elvis morreu quando foi para o tropa", exagerou o mesmo Lennon - mas havia na afirmação um fundo de verdade.De Tupelo à ElvislândiaElvis Aaron Presley. Nascido em Tupelo, entre a pobreza da Grande Depressão, a 8 de Janeiro de 1935. O camionista que, com um movimento de ancas e uma música que reunia no mesmo corpo o country branco e o r&b negro, abriu caminho para a libertação da sexualidade e para o fim da segregação racial. Esse Elvis Presley detestado por conservadores adultos e idolatrado por adolescentes que não queriam e não podiam ser como os pais, foi destacado para o serviço militar em 1958, quatro anos depois de gravar o primeiro single, That"s All Right. A revolução estava lançada e Presley, provavelmente a figura mais importante da cultura popular americana do século XX, não soube como viver nela. Quando o coração parou a 16 de Agosto de 1977, Elvis já estava morto. O mito como grande herói americano, como entertainer supremo de excentricidade e voz imbatíveis, esse estava em construção há muito.Tão cedo quanto 1956 o mercado foi invadido de produtos de merchandise - de águas-de-colónia a cães de peluche. Em 1971 já se faziam visitas guiadas à casa de Tupelo onde nasceu e, no ano seguinte, erguiam-se placas com a alteração toponímica da estrada fronteira à sua mansão: "Elvis Presley Boulevard".Este presente em que Graceland é uma espécie de "Elvislândia" que recebe 600 mil visitantes por ano, em que milhares de pessoas vivem profissionalmente da imitação do "Rei", em que se vendem bustos "Elvis" robotizados que entoam as suas canções mais famosas (é só procurar no youtube) e em que até "edições especiais" da sua manteiga de amendoim preferida têm procura, ou seja, este Elvis caricatural que perdura na memória colectiva formara-se há muito. No meio de tudo isto, como descobrir este homem de quem falava Bob Dylan: "Quando ouvi pela primeira vez a voz de Elvis, soube que não iria trabalhar para ninguém e que ninguém iria ser o meu patrão"? Este a que Bruce Springsteen se referia desta forma: "Ele era tão grande quanto o próprio país, tão grande quanto o sonho completo. Nada tomará alguma vez o seu lugar"?Em 30 de Setembro de 1955, James Dean morria ao volante de um Porsche. Juntamente com Marlon Brando, o "rebelde sem causa" mostrara pela primeira vez o retrato de uma juventude que não era apenas compasso de espera entre a inocência da infância e a seriedade do mundo adulto: abria-se um novo universo, convulsivo e irrequieto, rebeldia angustiada vivida como se não houvesse espaço para mais que o aqui e o agora. Poucos meses depois, a 20 de Novembro de 1955, Elvis Presley assinava contracto com a multinacional RCA. Já era então uma estrela no sul dos Estados Unidos, onde os singles gravados nos míticos Sun Studios - que albergavam ou albergariam Johnny Cash, Jerry Lee Lewis ou Roy Orbison - revelaram em primeira-mão alguém que, quando a RCA lhe assegura exposição nacional e internacional, amplificaria até ao grito ensurdecedor o revelado por James Dean. Elvis ficou-lhe com o corpo e tornou explícita a sexualidade implícita. Elvis não reteve a angústia, mas criou a música que, para horror do mundo adulto, a superou de forma incontrolável. "Como é que um freak como Elvis Presley pode encantar os nossos adolescentes é algo para além da minha compreensão", escrevia um colunista à época, citado num artigo publicado na revista Mojo de Maio de 2006. Obviamente que não percebia. A América que convivia confortavelmente com a segregação racial, com a prosperidade acrítica do pós-guerra, com a pureza virginal dos adolescentes, nunca poderia compreender aquele furacão que a transformaria profundamente.O branco negroNascido em Tupelo mas criado em Memphis, Elvis Presley cresceu entre o blues e o gospel que fervilhavam na Beale Street, o centro da zona negra da cidade. Pela rádio, em casa, apaixonava-se pela country e pela voz de crooners como Dean Martin ou Perry Como. Tão desfavorecido financeiramente quanto os seus vizinhos negros, imune às fronteiras musicais de raça, a visão musical de Presley não incluía catalogações.Sam Phillips, produtor e proprietário dos Sun Studios, procurava em Elvis um branco que tivesse a voz e o "feeling" de um negro. Conseguiu bem mais que isso.Quando Elvis fez as suas primeiras gravações rock"n"roll já era expressão conhecida. Existia Bill Haley e o seu Rock Around The Clock, existiam Little Richard e Chuck Berry. O problema era que Bill Haley era demasiado velho e demasiado branco. O problema era que Berry e Richard eram demasiado negros. Elvis Presley transformaria tudo isso. Representou de forma magistral o microcosmos de uma América selvagem e desregrada que a América não queria ver e transformou não só a América, como o resto do mundo.Estava tudo no ritmo insaciável de That"s All Right e na electricidade contagiante de Hound Dog. Estava tudo nessa inquietante Mistery Train e na sensualidade escaldante de Fever. Estava tudo na voz que passava do terno sussurro à provocação num par de acordes e naquele menear de ancas que levou a televisão americana a censurá-lo da cintura para baixo.Em 1956, o single Heartbreak Hotel chegava a Inglaterra e, com ele, rumores de que, nos Estados Unidos, vários jovens se tinham suicidado ao som da música - eis o quão alienígena e perigosa parecia a sua música. Quando já era figura mundialmente conhecida, em 1962, o governo mexicano proibiu a exibição dos seus filmes após um motim durante a projecção de "GI Blues" - eis o quão "perigoso" era The King, mesmo depois da tropa.A verdade, porém, é que Elvis Presley, o homem que deu voz e corpo a uma revolução cultural, o homem que não compreendia porque o atacavam os guardiães da moral e bons costumes - "a minha mãe gosta do que faço", ripostou uma vez; "o pessoal negro anda a fazer isto há anos e ninguém se escandaliza", defendeu-se outra -, nunca deixou de ser o miúdo do Mississipi que idolatrava o gospel, o country e o blues, o miúdo que desejava secretamente seguir os passos de Dean Martin e James Dean (excluindo a parte do Porsche). Não deixou de ser o provinciano que, exceptuando uma breve digressão canadiana, nunca actuou fora dos Estados Unidos em toda a sua carreira, e que se propôs a Nixon, em 1970, para servir o governo americano como agente atento aos perigos da "contracultura hippie" e dos Black Panthers.As lantejoulasEm meia década, Elvis Presley transformou o mundo. Passaria o resto da vida a não se reconhecer nele. Os Beatles e os Rolling Stones anunciavam uma nova ordem nos anos 60 e Presley abandonava os palcos para se dedicar em exclusivo a péssimos filmes série-B. O psicadelismo aparecia, a soul sofisticava-se, sucediam-se as mais diversas e arrojadas experiências artísticas e lá o encontrávamos no final dos anos 60 e em grande parte da década seguinte em Las Vegas, actuando para fãs acríticos e aburguesados.Claro que há nuances. Claro que em 1968 viveu um breve renascimento, em esplendoroso cabedal rockabilly, no famoso 68 Comeback Special em que exibiu a chama de outrora - In The Ghetto e Suspicious Minds, os seus últimos clássicos absolutos, são resultado dele. Tal porém, foram fogachos num percurso de crescente excentricidade e decadência.Colonel Tom Parker, na realidade Andreas Cornelis Van Kuijk, holandês e imigrante ilegal - eis a razão, sabe-se agora, para sempre se ter oposto a digressões internacionais de Elvis -, dirigiu-o como máquina de lucro fácil sem encontrar grande oposição. Presley, que alguns descrevem no final de vida como um homem amargurado e com tendências paranóicas à Howard Hughes, foi crescendo. Em lucros, em peso, em lantejoulas, em megalomania: durante a década de 70, a sua entrada em palco chegou a ser feita ao som de Assim Falou Zaratustra, de Richard Strauss. Se cantava My Way, não o fazia gloriosamente como Sinatra - havia um subtexto trágico naquele Elvis Presley a cantar aquela canção.Quando, a 16 de Agosto de 1977, a noiva Ginger Alden o encontra, sem vida, no chão da casa de banho de Graceland, a lenda estava a um passo de se transformar em culto quase religioso: os imitadores, as peregrinações a Graceland, os duetos virtuais com Celine Dion aí estão para o mostrar bem vivo, trinta anos depois. O seu legado, de tão massivo, torna-se quase imperceptível. Está por todo o lado, em qualquer manifestação de música popular urbana tal como a conhecemos. Sabê-lo, hoje, agradaria certamente a Elvis Aaron Presley.O supracitado artigo da Mojo refere que, meses antes de morrer, numa suite de hotel, escreveu a seguinte nota: I"m glad everyone is gone now/ I will probably not rest tonight/ I have no need for all of this/ Help me Lord.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Investigação

Investigação
237 desculpas para ter sexo
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=409575
Expresso, 2 de Agosto de 2007
Nelson Marques

Dois psicólogos americanos partiram à descoberta das razões que levam as pessoas a ter relações sexuais. Descobriram 237.


Corbis/VMI
As justificações para se ter sexo podem ir do mais convencional até à excentricidade pura e dura
12:53 quinta-feira, 02 AGO 07





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O que leva duas pessoas a envolverem-se sexualmente? A pergunta é complexa. E nem sempre tem resposta fácil. Aliás, não tem sequer uma só resposta. A acreditar num estudo realizado por dois investigadores do departamento de Psicologia da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, são nada mais nada menos que 237 as razões que podem conduzir ao sexo. As conclusões estão já disponíveis no sítio de Internet da revista Archives of Sexual Behavior.
“Historicamente, as razões pelas quais as pessoas têm sexo foram tidas como sendo escassas em número e simples na natureza – para reproduzir-se, por prazer, ou para aliviar a tensão sexual”, escrevem Cindy Meston e David Buss no resumo do artigo. Depois de entrevistarem perto de duas mil pessoas, os dois investigadores encontraram uma panóplia de explicações bem menos óbvias e bem mais surpreendentes. Por exemplo, houve quem admitisse tê-lo feito para “aproximar-se de Deus”, “para queimar calorias”, porque a outra “pessoa era famosa” e “queria poder dizer que fez sexo com ele/ela” ou “devido a uma aposta”.
Dor de cabeça afinal pode ser afrodisíaco
Algumas respostas desafiam o senso comum. Uma dor de cabeça, por exemplo, pode ser um bom afrodisíaco e não uma desculpa para negar sexo ao parceiro. Mas acasalar pode ser também uma boa solução para vingar-se de um parceiro infiel, “pagar um favor”, “mudar o tópico da conversa” e, imagine-se, até para “magoar um inimigo”. Outras explicações confirmam algumas crenças populares: não falta quem o tenha feito porque “estava bêbado(a)”, “sob o efeito de drogas”, “aborrecido”, “com tesão”, porque o sexo “é bom”, “divertido”, “excitante ou aventureiro”, “para conseguir um orgasmo” ou porque “estava farto de ser virgem”.
Há quem tenha razões mais egoístas: “para aquecer-me”; “sentir-me bem comigo mesmo(a)”; “encontrar um(a) melhor parceiro(a) que o meu/minha parceiro(a) da altura”; “ser popular”; “sentir-me poderoso(a)”; “sentir-me jovem”. Outras são mais altruístas: “queria expressar o meu amor pela pessoa”; “ser simpático(a)”, “queria que a outra pessoa se sentisse bem consigo mesma”, “tive pena da pessoa”. Há quem o tenha feito por obrigação – “estava casado(a) e suposto fazê-lo” –, por competição – “estava a competir com outra pessoa para conseguir a pessoa” – porque foi “desafiado” ou se sentiu “culpado”.
Os autores do estudo obtiveram os resultados depois de perguntarem a mais de 400 pessoas para listarem as razões pela quais tinham tido sexo e depois pedirem a mais de 1500 outras – alunos da Universidade do Texas – para classificarem quão importante cada razão era para eles. Surpreendente ou talvez não, a resposta mais repetida foi a mesma tanto entre os homens, como as mulheres: “Sentia-me atraído(a) pela pessoa”. Contudo, quase cada uma das 237 possibilidades foi escolhida por alguém como o seu principal motivo para ter sexo.
A principal conclusão a retirar, sustentam Meston e Buss, é que as pessoas “têm motivações sexuais muito complexas”. Mantêm ou não relações íntimas em função de circunstâncias muito diversas, como o género, a atracção física, a emoção, o estatuto social ou pressões externas.
10 PRINCIPAIS RAZÕES PARA TER SEXO
Mulheres
1. “Estava atraído(a) pela pessoa”2. “Queria sentir prazer físico”3. “Sabe bem”4. “Queria mostrar o meu afecto pela pessoa”5. “Queria exprimir o meu amor pela pessoa”6. “Estava excitado e precisava aliviar-me”7. “Estava com tesão”8. “É divertido”9. “Percebi que estava apaixonado(a)10. “Foi o calor do momento”
Homens
1. “Estava atraído(a) pela pessoa”2. “Sabe bem”3. “Queria sentir prazer físico”4. “É divertido”5. “Queria mostrar o meu afecto pela pessoa”6. “Estava excitado e precisava aliviar-me”7. “Estava com tesão”8. “Queria exprimir o meu amor pela pessoa”9. “Queria ter um orgasmo”10. “Queria dar prazer à outra pessoa”
10 RAZÕES MAIS INVULGARES PARA TER SEXO
Mulheres
1. “Queria passar a outra pessoa uma doença sexualmente transmissível”2. “Alguém me ofereceu dinheiro para fazê-lo”3. “Queria um aumento”4. “Foi um ritual de iniciação para entrar num grupo ou organização”5. “Queria conseguir um emprego”6. “Queria ser promovido(a)”7. “Ofereceram-me drogas para fazê-lo”8. “Queria punir-me”9. “Queria magoar/humilhar a pessoa”10. “Queria sentir-me mais perto de Deus”
Homens
1. “Ofereceram-me drogas para fazê-lo”2. “Queria passar a outra pessoa uma doença sexualmente transmissível”3. “Queria punir-me”4. “Queria terminar a minha relação”5. “Queria conseguir um emprego”6. “Foi um ritual de iniciação para entrar num grupo ou organização”7. “Alguém me ofereceu dinheiro para fazê-lo”8. “Tive medo de dizer não devido à possibilidade de dano físico”9. “Queria ganhar dinheiro”10. “Queria sentir-me mais perto de Deus”

Auto-retrato

Investigadores israelitas analisaram auto-retratos
Rembrandt pode ter morrido deprimido e em estado de melancolia
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1301185&idCanal=14
Público, 2 de Agosto de 2007

O pintor holandês Rembrandt pode ter morrido com uma depressão leve e em estado de melancolia, de acordo com uma investigação da Universidade de Telavive, em Israel, citada pela edição online do jornal "El Mundo".
De acordo com o jornal, uma equipa de investigadores especialistas em medicina e em arte da Universidade de Telavive (Israel), liderada pela cirurgiã plástica Tal Friedman, analisou 40 auto-retratos do pintor para estudar as alterações da fisionomia do seu rosto.Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669) pintou ao longo de 40 anos uma colecção única de auto-retratos. "Parece possível extrair das suas pinturas algumas pistas sobre a sua condição mental e física", dizem os investigadores israelitas.Segundo o "El Mundo", este estudo concluiu que Rembrandt não tinha sinais de doenças físicas. Em contrapartida, as mudanças no rosto de Rembrandt, como o descair das sobrancelhas, em especial a partir da segunda metade da sua vida, ou a escolha pelo monocromático nos quadros são algumas das pistas que sugerem um pintor melancólico, com uma depressão leve. "O seu afastamento da sociedade comprova esta teoria", acrescentam os investigadores.As causas da morte do pintor holandês continuam desconhecidas. Para os autores deste estudo há também a possibilidade de Rembrandt ter sofrido de saturnismo, uma doença provocada pela intoxição com chumbo, comum nos pintores da época.