"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sexta-feira, maio 30, 2008

Voavam mas preferiam o chão
http://jornal.publico.clix.pt/
30.05.2008, Teresa Firmino


Entre os pterossauros, estavam as maiores criaturas que já cruzaram os céus. Desde
os anos 70 que os cientistas estão intrigados quanto ao modo de vida destes monstros. Como caçavam as presas? Em voo picado sobre mares e lagos?


Eram répteis voadores do tempo dos dinossauros e, tal como eles, extinguiram-se há 65 milhões de anos. Dominavam os céus e alguns chegavam a ter dez metros bem medidos de uma ponta à outra das asas, como uma avioneta. Supunha-se que praticamente todos os pterossauros eram criaturas de hábitos aquáticos, como as gaivotas ou pelicanos de agora: voariam sobre os lagos e oceanos à procura de comida e, mal avistassem a potencial refeição, zás, apanhavam-na da água em pleno voo e seguiam com ela no bico. Pois supunha-se erradamente. Havia um grupo de pterossauros gigantes - alguns dos seus representantes eram mesmo os maiores animais que alguma vez voaram na Terra - que estava muito bem adaptado à vida em terra firme. Eram (e agora não se assuste com o nome aportuguesado) os azhdarquídeos.
Se quisermos perceber como era o modo de vida destas avionetas pré-históricas, não devemos imaginá-las como as gaivotas ou pelicanos modernos, mas um pouco como as cegonhas. Caçavam as presas em terra firme, baixando o bico para as apanhar, e estavam bem apetrechados para essa vida terrestre, revela uma equipa de cientistas britânicos na última edição da revista PLoS ONE, de acesso livre na Internet.
Nove espécies
Mark Witton e Darren Naish, da Universidade de Portsmouth, estudaram o esqueleto de fósseis de azhdarquídeos na Grã-Bretanha e na Alemanha, viram pegadas deles na Coreia do Sul e ainda leram um sem-fim de artigos científicos com as descrições de fósseis espalhados por todo o mundo. Este grupo específico de pterossauros, sem dentes, encontrava-se distribuído por toda a Terra, durante o período do Cretáceo, entre há 140 e 65 milhões de anos. "O nosso magro orçamento para investigação não nos permite viajar de avião à volta do mundo...", diz-nos Mark Witton por e-mail.
Neste momento, conhecem-se nove espécies de azhdarquídeos, umas muito grandes, outras nem tanto. O Hatzegopteryx era a maior, com os seus exemplares a atingirem três metros de altura até ao ombro, um bico de dois metros e uma envergadura de asas de 10 a 12 metros. Na imagem, podemos ver bem a diferença de tamanho em relação a um humano, como mostra a fotografia de Mark Witton ao lado da criatura monstruosa. Ela rivalizava mesmo com qualquer girafa em termos de altura. Outro distinto representante dos azhdarquídeos, o Quetzalcoatlus, não ficava muito atrás, com cerca de dez metros de envergadura de asas.
Voavam, tal como os outros pterossauros, só que também se sentiam bastante confortáveis cá em baixo. A sua anatomia bastante bizarra não ajudava muito os paleontólogos a perceber qual era a forma de vida destes pterossauros. Tinham pescoços muito compridos e rígidos, crânios enormes e patas longas. Apesar de serem autênticas avionetas pré-históricas, as asas eram proporcionalmente curtas.
"Como ninguém olhava realmente para a sua ecologia com atenção, os paleontólogos tinham dificuldade em perceber como é que os azhdarquídeos se alimentavam. Também não ajudava o facto de não haver nenhum animal que realmente se pareça com eles, por isso não há nada que permita fazer comparações directas", conta Mark Witton. Actualmente, os seus análogos mais próximos são, por exemplo, as referidas cegonhas.
"Os azhdarquídeos tornaram-se razoavelmente conhecidos nos anos 70, mas a forma como viviam tem sido alvo de muito debate. Originalmente, foram descritos como necrófagos, como os abutres, depois disse-se que escarafunchavam a lama, enfiando os longos bicos no chão à procura de presas. Mais tarde, sugeriu-se que ganhavam a vida a voar sobre a superfície da água, de onde apanhavam peixe", explica Darren Naish, num comunicado da revista científica.
"Foram ainda sugeridos outros estilos de vida, mas todos pareciam tão radicalmente diferentes que eu e o Mark nos sentámos a examinar cuidadosamente as provas e concluímos que os azhdarquídeos eram caçadores terrestres especializados. Todos os pormenores da sua anatomia e o ambiente em que os fósseis foram encontrados mostram que ganhavam a vida a andar a pé, baixando-se para apanhar animais e outras presas", acrescenta Naish.
Uma prova a favor do estilo de vida terrestre está precisamente nas camadas geológicas onde foram descobertos os fósseis: embora alguns estivessem em sedimentos costeiros e marinhos, a maioria foi recuperada de ambientes terrestres, o que sugere que era aí que passavam grande parte do tempo.
Pés relativamente pequenos - mas almofadados, apropriados à caminhada - é outra prova desse estilo de vida. "Os pés pequenos dos azhdarquídeos não eram bons para chapinhar nas margens dos lagos ou para nadar, em caso de aterrarem na água. Mas eram excelentes para se pavonearem a pé", afirma Naish. "Comeriam pequenos animais e até fruta. Como tinham um crânio com mais de dois metros de comprimento, eram capazes de comer dinossauros do tamanho de uma raposa."
Todos os azhdarquídeos, sem excepção, gostavam de andar a pé. "As nossas observações foram feitas principalmente em animais pequenos. Só se conhecem alguns ossos dos azhdarquídeos maiores. Porém, esses ossos são muito, muito semelhantes aos das espécies mais pequenas, por isso pensamos que também eram parecidos noutros aspectos", explica-nos Mark Witton.
250 quilos no ar
A equipa estudou ainda os movimentos possíveis dos seus pescoços pouco flexíveis. "No passado, este pescoço estranhamente rígido era um problema na procura de outras ideias para o estilo de vida dos azhdarquídeos. Mas encaixa perfeitamente no nosso modelo, porque tudo quanto precisam de fazer era levantar e baixar o bico do chão", sublinha Naish.
Quanto pesariam os maiores pterossauros, aqueles que tinham as asas de uma avioneta e a altura de uma girafa? "O tamanho dos maiores azhdarquídeos é controverso, com alguns peritos em pterossauros a dizerem que pesavam apenas 50 quilos. No entanto, a minha investigação indica que estas estimativas são muito, muito baixas. Provavelmente pesavam cerca de 250 quilos", responde Witton.
E todos voavam, mesmo os maiores? "Yup, voavam. Até o maior, com 250 quilos e mais de dez metros de envergadura de asas, tinha características apropriadas no esqueleto que sugerem que podia voar. Os modelos aerodinâmicos confirmam-no. Por isso, estamos bastante confiantes de que poderiam voar com facilidade."
Os pterossauros, em geral, coexistiram no tempo com os dinossauros. Surgiram no planeta há cerca de 225 milhões de anos e desapareceram quando a colisão de um meteorito com a Terra extinguiu muitas formas de vida. Foram os primeiros vertebrados a voar e, naqueles milhões de anos todos, mantiveram-se como os principais predadores dos ares. Nunca mais houve criaturas tão grandes nos céus. De forma simples, a diferença entre pterossauros e dinossauros, ambos répteis, é que uns voavam, outros não. "Os pterossauros são parentes próximos dos dinossauros, mas não são dinossauros. Um dinossauro que voa é uma ave", esclarece Witton, para que se acabe de vez com as confusões.

Macacos mexem braço artificial com a mente
http://jornal.publico.clix.pt/
30.05.2008, Ana Gerschenfeld


Dois macacos conseguiram comandar um braço artificial articulado usando o cérebro. Este avanço poderá, um dia, mudar a vida
das pessoas paralisadas


O macaco tem os braços presos dentro de uns tubos de plástico, mas apetece-lhe mesmo saborear a guloseima que alguém lhe apresenta numa espécie de espeto. De repente, um braço metálico articulado, mesmo ao lado do macaco, começa a mexer-se, a sua "mão" artificial (com apenas dois dedos) pega delicadamente no
petisco e aproxima-o da boca do ani-
mal, num gesto fluido, muito parecido com o de um braço natural. Empurra ligeiramente a iguaria para den-
tro da boca do macaco, que não a conseguiu trincar à primeira.
Quem movimentou o braço? O macaco. Como? Através da actividade neuronal da região do seu cérebro que normalmente controla os seus próprios gestos.
Andrew Schwartz e a sua equipa, da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, revelaram ontem o feito na edição on-line da Nature. Há vários anos que estão a trabalhar nesta área, com vista à criação de próteses que, um dia, possam devolver às pessoas gravemente paralisadas - devido a um AVC, lesões da medula espinal ou doenças degenerativas como a do célebre físico Stephen Hawking - alguma capacidade de interagir com o mundo à sua volta. "A nossa meta mais imediata é desenvolver uma pró-
tese para as pessoas totalmente paralisadas", diz Schwartz num comunicado da sua universidade.
Vários macacos já tinham sido trei-
nados para controlar, com a mente, um cursor no ecrã de um computador. Mas o que os cientistas anunciaram agora representa um importante passo, uma vez que demonstra que é possível transpor essas experiências de movimento "virtual" do cursor para uma situação do mundo real, que, para além de ser tridimensio-
nal, é muito mais imprevisível e complexo.
Claro que a "transmissão do pensa-
mento" não se faz de forma etérea (não, não é telepatia). No cérebro dos dois macacos Rhesus, designados por "A" e "P" no artigo da Nature - mais precisamente no seu córtex motor, a região cerebral onde nascem os movimentos voluntários sob a forma de impulsos eléctricos - foi implantada uma série de eléctrodos, da largura de um cabelo humano, que registam a actividade de uma centena de neurónios. A seguir, um software especial avalia a actividade conjunta dos neurónios e tradu-la em comandos ao braço artificial, do tamanho do braço de uma criança, que "desenvolve as acções que o macaco tencionava desempenhar com o seu próprio braço", lê-se no mesmo documento.
Na realidade, no córtex motor, milhões de células disparam impulsos nervosos em simultâneo para gerar os movimentos físicos - algo que seria impossível registar com tão poucos eléctrodos. Mas a beleza do software desenvolvido pelos cientistas reside no seu algoritmo, que consegue deduzir a intenção motora do animal com base numa quantidade muito limitada de sinais neuronais.
Obstáculos por ultrapassar
Ainda há obstáculos para se chegar a uma prótese humana, escreve John Kalaska, da Universidade de Montreal, num artigo que acompanha os resultados. Os eléctrodos têm de
ser melhorados, pois os actuais de-
terioram-se em poucos meses "e os doentes vão ter de utilizar esta tecnologia durante muitos anos". O sistema inclui uma série de computadores, dispositivos de controlo do braço, dificilmente portáteis e que exigem a presença de um técnico. E uma futura prótese terá de ter sensores que digam à pessoa se está a exercer a pressão certa para pegar num objecto sem o esmagar. Estes e outros desafios, salienta Kalaska, "são problemas técnicos difíceis mas não inultrapassáveis."

Comissão responsável conseguiu estabilizar edifício
Torre de Pisa não tomba mais, pelo menos durante os próximos três séculos
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1330559&idCanal=14
29.05.2008 - 18h36 Alice Barcellos
A Torre de Pisa é um dos casos em que um defeito pode ser uma virtude, é uma dos edifícios mais emblemáticos do mundo e um ícone de Itália. Por um erro de construção, parece que vai tombar para o lado em qualquer momento. Mas, para o alívio dos engenheiros e a felicidade do público, a torre estabilizou, alcançando a inclinação que tinha em 1700, de três metros e 99 centímetros.

Quem dá a boa nova são os engenheiros que trabalham, desde a década de noventa, nas obras de preservação da Torre, que nesta altura foi fechada ao público. Em 1993, os especialistas registaram a máxima inclinação do edifício (mais de quatro metros) e alertaram para o risco de derrocada.

As obras de consolidação da construção foram concluídas em 2001 (custaram 30 milhões de euros) e, desde então, o controlo contínuo à volta do edifício levou com que a Comissão Internacional encarregue de preservar a Torre de Pisa afirmasse que a construção está a salvo, pelo menos durante os próximos três séculos. “Foram confirmadas as previsões mais optimistas”, declarou ao jornal italiano “Corriere della Sera”, Michele Jamiokowski, ex-presidente da comissão.

A reabertura da Torre, que fica situada na “Piazza dei Miracoli”, já começou a ser preparada pelas autoridades da cidade. O edifício revestido de mármore branco está a passar por uma limpeza. Uma das ideias é reabrir ao público uma porta secreta da Torre que se encontra interdita à visitação desde 1930.

Mussolini quis endireitar a Torre mas só piorou a situação

A Torre de Pisa começou a ser construída em 1174 para albergar o sino da Catedral de Pisa. Quando atingiu os três andares, a inclinação começou a ser notada devido a más condições do solo do terreno. Na tentativa de corrigir o erro, os seus arquitectos medievais tentaram construir os andares restantes com mais peso do lado oposto. Mas o edifício acabou por tombar mais por excesso de peso. A torre acabou por ser erguida mesmo inclinada, tendo sido concluída dois séculos mais tarde.

Desde então, a inclinação da Torre de Pisa já causou muitas discussões entre especialistas, chegando-se mesmo a pôr a hipótese que a inclinação fazia parte do projecto inicial. Outras das hipóteses é a falta de estabilidade do terreno onde foi erguida. Conta a história que a Torre também foi usada por Galileu Galilei numa experiência de gravidade.

Em 1930, o ditador italiano Benito Mussolini ordenou que a Torre ficasse em posição vertical mas as tentativas só acabaram por aumentar a inclinação. Cerca de setenta anos mais tarde, especialistas chegaram à conclusão que se a Torre não fosse consolidada iria desabar entre 2030 e 2040.

Na primeira fase das obras, em 1993, foram colocadas perto de 599 toneladas de contrapesos no lado oposto. Numa segunda fase, em 1999, foram realizadas escavações controladas, para diminuir mais a inclinação e evitar movimentos.

Estudo luso-nipónico
Descoberto o mais complexo quebra-nozes feito por chimpanzés
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1330541

29.05.2008 - 16h57 Lusa
Uma investigadora portuguesa descobriu o quebra-nozes mais complexo feito por chimpanzés selvagens na floresta de Bossou, na Guiné. A descoberta faz parte de um estudo que combinou investigadores da Universidade de Coimbra, Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Quioto, no Japão e utilizou técnicas de primatologia e de arqueologia.

"Trata-se de um quebra-nozes constituído por quatro elementos de pedra, um martelo, uma bigorna e dois calços. Até agora só eram conhecidos instrumentos com três componentes", descreve Susana Carvalho, que está a fazer o doutoramento em Cambridge e é a primeira autora do estudo publicado no Journal of Human Evolution.

A capacidade cognitiva necessária para combinar simultaneamente quatro pedras e uma noz "indicia que os chimpanzés são capazes de complexificar mais o seu comportamento durante a utilização de ferramentas de pedra do que se pensava", explica Susana Carvalho que também faz parte do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra.

“Existem semelhanças entre as ferramentas de pedra criadas pelos chimpanzés e os artefactos de pedra usados pelos primeiros hominídeos, há 2,5 a 2,6 milhões de anos", assegura Cláudia Sousa, especialista em primatologia na Universidade Nova de Lisboa e co-autora do trabalho.

O estudo mostra também a relação que os chimpanzés têm com o objecto. Os primatas utilizam, seleccionam e reutilizam as mesmas ferramentas durante períodos de tempo longos. Os objectos são abandonados quando deixam de cumprir a sua função.

Mesmo quando os objectos são pesados os chimpanzés continuam a transportar pedras e outros utensílios. Segundo a equipa, este comportamento demonstra não só uma relação de posse mas uma percepção de qualidade e eficiência das ferramentas.

Segundo Susana Carvalho os chimpanzés agem "de forma mais próxima ao nosso ancestral comum, no que diz respeito às primeiras tecnologias".

O trabalho contou com a colaboração do Professor Tatsuro Matsuzawa, do Primate Research Institute da Universidade de Quioto, que desde 1976 investiga a inteligência, o comportamento e a cognição nos chimpanzés selvagens.

A antropóloga Eugénia Cunha, docente do Departamento de Antropologia da faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra também participou no trabalho.

quinta-feira, maio 29, 2008

Descoberta a mais antiga mãe do mundo... um peixe
http://dn.sapo.pt/2008/05/29/ciencia/descoberta_a_mais_antiga_do_mundo_pe.html

SUSANA SALVADOR
Os cientistas australianos esperavam apenas descrever um novo peixe placoderme, uma espécie que dominou os mares durante 70 milhões de anos, mas acabaram por encontrar a mais antiga mãe do mundo. Um último banho de ácido no fóssil com 275 milhões de anos, para mostrar um pouco mais do osso, acabou por revelar um embrião ainda ligado ao cordão umbilical. Esta é também a prova mais antiga de "fertilização interna", ou seja, sexo com penetração, segundo o estudo publicado na Nature.

"A descoberta deste fóssil é certamente uma das mais extraordinárias alguma vez feita e muda por completo a nossa percepção da evolução dos vertebrados", disse um dos autores do estudo, John Long, director do departamento de Ciên- cias do Museu Victoria. Mostra que a reprodução vivípara evoluiu ao mesmo tempo que a ovípara e não sequencialmente.

A descoberta mostra que a fertilização interna e a viviparidade nos vertebrados apareceram primeiro entre os placodermes (assim denominados devido às placas da sua couraça), o que faz recuar cerca de 200 milhões de anos o primeiro sinal desta forma de reprodução, indicaram os autores do estudo. Confirma também que alguns placodermes tinham "uma biologia reprodutiva extremamente avançada", comparável à dos tubarões e raias actuais. O fóssil, de 25 cm, vai ficar exposto no Museu de Melburne.

Foi a decisão arriscada, de última hora, de fazer um novo banho de ácido. Muito ácido "e tudo poderia ter-se desfeito", disse Kate Trinajstic, outra das autoras do estudo, da Universidade da Austrália Ocidental. "Quando retirámos do ácido, o embrião estava simplesmente ali, estava perfeitamente preservado , tão claro, que não podia ser outra coisa", acrescentou, numa entrevista à AFP.

Uma análise depois com um scanner de alta resolução permitiu identificar um vaso sanguíneo no interior do cordão umbilical calcificado. Os cientistas acreditam que os peixes, por alguma razão, terão sido privados de oxigénio na água, ficando no fundo do mar onde foram a pouco e pouco cobertos com lamas que acabaram por endurecer. Os placodermes eram o grupo de vertebrados dominante durante o período Devónico do Paleozóico (há cerca de 420 a 350 milhões de anos), sendo muitas vezes apelidados de "dinossauros dos mares".

A nova espécie foi baptizada de Materpiscis (mãe peixe, em latim) attenboroughi, em honra do conhecido naturalista britânico David Attenborough, o primeiro a chamar a atenção para a região de Gogo, na Austrália, que era uma antiga barreira de coral. "Dizer que estou emocionado com a descoberta é pouco. Estou absolutamente encantado por terem dado o meu nome a uma criatura tão espantosa", escreveu numa carta aos investigadores.| Com agências

Por precaução, a cripta não será deslocada
Profecias inscritas por Shakespeare no seu túmulo obrigam restauradores a terem "cautela"
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1330424
28.05.2008 - 18h33 Filipa Cardoso
“ E maldito (seja) o que incomodar os meus restos mortais”. Sem qualquer laivo de romantismo,Shakespeare deixou escrito no seu túmulo uma última mensagem a quem o incomodasse no seu sono eterno. Afinal, também os grandes homens da literatura e do teatro têm medo de morrer. Ou seria apenas mais uma partida do génio?

O túmulo de William Shakespeare em Stratford-upon-Avon, em Warwickshire,Inglaterra, vai ser objecto de trabalhos de restauro que terão de ser muito cuidadosos, a fim de evitar a maldição lançada pelo dramaturgo a todo aquele que tentar deslocar os seus restos mortais.

A cripta do poeta inglês (1564- 1616), situada na igreja Holy Trinity de Stratford-upon-Avon, está bastante degradada, tendo por isso de ser renovada no quadro de trabalhos de restauração da igreja.Porém,o túmulo tem uma particularidade: na pedra tumular o poeta redigiu alguns versos inscritos, palavras de tom de profecia ou de ameaça:

“Livra-te, meu caro amigo,por amor de Jesus,
De remexer na poeira encerrada aqui,
Bendito seja o que evitar estas pedras,
E Maldito o que incomodar os meus ossos”, previne Shakespeare

Para contornar a maldição, o túmulo não será deslocado durante os trabalhos, explicou Josephine Walker, porta-voz da Associação Amigos da Igreja de Shakespeare.“ Não vamos incomodar o túmulo, não iremos lá em baixo, por isso não nos vamos preocupar com essa maldição”- assegurou.

A cidade de Stratford-upon-Avon atrai turistas de todo o mundo para conhecerem os principais lugares que marcaram a vida do grande dramaturgo, desde a casa onde vivia ao seu túmulo, passando pela casa da sua esposa Anne Hathaway ou a companhia real de Shakespeare.

Os Amigos da Igreja de Shakespeare tentaram recolher 4 milhões de libras ( cinco milhões de euros) para renovar a Holy Trinity Church, um dos lugares incontornáveis na peregrinação shakespeariana.

Ironia ou devoção?
A vida de William Shakespeare,conhecido por obras como “Romeu e Julieta” e “Hamlet”, sempre esteve envolta em muitos mistérios. Desde o facto de haver a suspeição de que as suas obras não foram escritas por ele mas apenas assinadas, a sua orientação sexual , à identidade de “Mr W. H.” , a quem o poeta dedicava os seus versos , são algumas dos factos que ficaram por apurar.

Contudo, uma das maiores incertezas relacionadas com a vida do dramaturgo prende-se com a sua convicção religiosa. Existe o boato de que Shakespeare se teria convertido ao catolicismo mesmo antes de morrer, o que ajudaria a explicar o carácter "temeroso" das frases deixadas pelo poeta. No entanto, Shakespeare, além dos seus versos românticos, ficou igualmente conhecido pelas suas comédias e tragicomédias, o que poderia tê-lo levado a querer inscrever aquelas frases proféticas no seu túmulo.

Primeiro genoma europeu
Holanda: Genoma da mulher sequenciado pela primeira vez
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1330215
27.05.2008 - 13h22 Lusa
O genoma de uma mulher foi sequenciado pela primeira vez por investigadores holandeses. A sequenciação completa do ADN de uma mulher pode vir a aprofundar o conhecimento do cromossoma X, que as mulheres têm em duplicado.

"É a primeira mulher no mundo e o primeiro europeu cuja sequenciação de ADN será tornada pública", informa o Centro Médico Universitário de Leiden (LUMC), onde a investigação foi feita.

A investigação vai ser tornada pública em breve. Até agora o genoma humano sequenciado tinha sido de dois homens americanos e dois homens africanos da etnia Ioruba.

O código genético humano ficou totalmente estabelecido em 2003, pelo Consórcio Internacional para a sequenciação do genoma humano. Foi composto por 20 centros de sequenciação nos Estados Unidos, Grã-Bretanha, China, França e Alemanha.

O genoma humano é formado por três mil milhões de bases de nucleótidos, a unidade que forma os genes, e tem entre 20 a 25 mil genes que caracterizam a nossa espécie. São estes genes que tornam cada pessoa única, dão informação acerca da cor do cabelo ou dos olhos e predispõem cada indivíduo para certas doenças como a diabetes, o cancro, a asma ou as doenças cardíacas.

quarta-feira, maio 28, 2008

Franz Künstler tinha 107 anos
Morreu o último vetereno alemão da I Guerra Mundial
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1330400&idCanal=11

28.05.2008 - 16h33 PÚBLICO
Franz Künstler era o último veterano alemão da I Grande Guerra e ontem, aos 107 anos, morreu na cidade alemã de Niederstetten.

Era conhecido como o último soldado do imperador e recebeu dezenas de pedidos de autógrafos, vindos da Alemanha e dos Estados Unidos, depois de ter publicado a sua história de vida na revista alemã Cícero, em Abril.

Künstler alistou-se no Exército austro-húngaro em 1918 como artilheiro e combateu em Itália até ao final da guerra. Chegou ainda a participar na II Guerra Mundial, antes de se instalar na Alemanha, onde fazia visitas guiadas no museu local de caça.

sábado, maio 17, 2008

Quadro com 500 anos
National Gallery: a musa renascentista Beccafumi partiu-se em dois
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1329001

16.05.2008 - 16h56 Filipa Cardoso
A queda de um quadro com 500 anos lançou uma das musas do pintor renascentista Domenico Beccafumi para o chão de uma das salas do National Gallery, em Londres. Como numa aula de anatomia, os trabalhadores que retiravam “Marcia” da parede viram-na de repente estatelada no chão, partida em dois, tal como Leondardo Da Vinci pensou o homem de Vitrúvio, embora sem qualquer critério de perfeição, com menos cor e mais achatada.

De acordo com a edição online do “The Art Newspaper”, o incidente ocorreu durante a desmontagem da exposição “Renaissance Siena”, que encerrou no dia 13 de Janeiro. O director da galeria, Nicholas Penny, qualificou o incidente como “extremamente grave”.

A obra renascentista estava a ser retirada da parede das galerias “Sainsburry Wing”, quando se separou da moldura e caiu no chão. O quadro era composto por três tábuas verticais, cada uma com aproximadamente um metro de altura. O impacto causado pela queda levou a que a tábua da esquerda se separasse das outras duas. Para evitar danos maiores foram feitos trabalhos de reparação e conservação imediatos.

As duas secções separadas pelo impacto da queda voltaram então a ser fixadas. Apesar de todos os cuidados, foi impossível evitar a deterioração da pintura no local onde as placas colidiram.

O responsável pela conservação, Martin Wyld, abriu um processo de investigação para tentar perceber as causas do acidente e propôs mudanças a fim de evitar situações semelhantes. Segundo o "The Art Newspaper", as primeiras conclusões revelam que a queda terá sido provocado em parte pelos trabalhadores envolvidos na desmontagem da exposição, que não foram avisados de que a moldura na qual encaixavam os painéis era essencialmente um dispositivo visual e “Marcia” não estava bem segura nele. Contudo, a moldura e os fixadores deviam ter sido inspeccionadas antes da desmontagem começar, escreve o mesmo jornal.

O quadro, retirado em final de Janeiro da parede onde se encontrava exposto, voltaria depois para o lugar onde tinha estado antes da mostra, num espaço de dimensão mais reduzida. Embora a galeria defenda que os danoscausados não “são visíveis em condições normais”, à luz do dia, a risca vertical do estrago, pode ser vista quando olhada com atenção.

“Marcia”, juntamente com outro quadro de Beccafumi intitulado “Tanaquil”, ambos pertencentes à National Gallery, estiveram reunidos temporariamente na exposição “Rainaissance Siena”, ao lado de outra obra do mesmo pintor renascentista, “Cornélia”. As três pinturas encontravam-se na mostra inseridas em molduras modernas ainda que tempoariamente.

A exposição “Rainaissance Siena: Arte para a cidade”, que se iniciou em Outubro do ano passado, reuniu vários pintores da cidade italiana de Siena, do período renascentista, destacando-se entre eles Francesco Giorgio e Domenico Beccafumi, autor da desafortunada “Marcia”.

sexta-feira, maio 16, 2008

"Street View" permitia identificar pessoas
Google Maps vão desfocar caras
Após a polémica suscitada por as fotos interactivas dos Google Maps permitirem identificar pessoas, o grupo anunciou que o novo software vai passar a desfocar as caras.
Alexandre Costa
9:00 | Sexta-feira, 16 de Mai de 2008

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/322453


As imagens do "Street View" são captadas mensalmente por câmaras instaladas em camionetas
O gigante da Internet, Google, anunciou que irá passar a desfocar as caras de pessoas que surjam nas imagens dos seus mapas, pois o objectivo é identificar edifícios e locais e não invadir a privacidade de ninguém. "Street View", o novo software, foi lançado a título experimental no ano passado, em 30 cidades norte-americanas, enriquecendo os Google Maps com imagens interactivas e a 360 graus, captadas mensalmente por câmaras instaladas em camionetas.

O sistema gerou controvérsia e algumas pessoas protestaram por terem visto a sua imagem na Internet. O grupo Google afirmou à agência France Presse que não foi por causa disso que decidiu tornar turvas as caras nas fotografias, referindo que isso já estava previsto e que a tecnologia se encontra ainda em fase de teste.

"O objectivo do Street View não é de ver as pessoas mas sim os edifícios e os locais. Queremos evidentemente proteger a vida privada das pessoas e queríamos fazê-lo desde o início", afirmou uma porta-voz da empresa.

Segundo Andrea Frome, engenheiro do Google, a empresa está a trabalhar há um ano na forma como irá detectar e tornar turvas automaticamente as caras.

O novo software apenas está, para já, disponível nos Estados Unidos.

quinta-feira, maio 15, 2008

Famílias em desespero
Americanos pegam fogo a casas penhoradas
A crise nos Estados Unidos leva algumas famílias a incendiar as casas e os carros, antes de serem penhoradas, para tentar receber o dinheiro dos seguros.(Veja o vídeo no fim do texto)
Carolina Reis
15:22 | Quinta-feira, 15 de Mai de 2008

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/320847


Rick Roach/AP
Em desespero por não conseguirem pagar o empréstimo, alguns americanos ateiam fogo à própria casa
Vale tudo para tentar escapar à penhora da casa nos Estados Unidos. A crise do crédito imobiliário de alto risco (subprime) está a deixar muitas famílias norte-americanas em desespero e sem hipótese de pagar as dívidas ao banco.

Perante as dificuldades, as pessoas estão a tomar medidas extremas. Queimar a casa para ficar com o dinheiro do seguro, ou simplesmente para não a entregar ao banco, é um caso casa vez mais recorrente.

Sherly Marie Christman, 38 anos, pegou fogo à casa, com os filhos e o marido lá dentro, três dias antes da penhora. Mas este não é um caso isolado. Há vários casos e muitas suspeitas do mesmo crime pelo país.

10 anos para casal do Iowa
Um casal do estado do Iowa foi condenado a mais de dez anos de prisão, por ter posto fogo à casa. Lawrence e Patrícia Atwood pegaram fogo à casa com a esperança que o dinheiro da seguradora desse para pagar as outras dívidas. O juiz que os julgou quis que o caso fosse tomado como exemplo e sublinhou o risco que este tipo de incêndios tem para os bombeiros.

Por isso mesmo, Patricia pediu desculpas aos bombeiros, depois de ouvir as palavras do juiz.

"Há pessoas que acreditam que pegando fogo à casa vão conseguir escapar do problemas, mas não vão", diz Jim Doucette, à televisão CNBC, membro do Departamento dos Bombeiros de Sacramento, na Califórnia (ver vídeo no final do texto). Segundo as estatísticas das seguradoras na Califórnia, um dos estados mais afectados, o número de incêndios ateados pelos próprios donos dias antes das casas serem penhoradas dobrou, comparativamente, com o ano passado.

Carros deitados ao lago
No entanto, os problemas das dívidas dos americanos não se limitam à prestação da casa. O aumento do preço dos combustíveis já chegou ao bolso dos norte-americanos. E por isso, também os automóveis têm sido alvo de acções extremas. Há quem pegue fogo aos carros, ou os atire para lagos, os abandone, ou os declare como roubados por não ter dinheiro para gasolina ou para a prestação mensal.

Uma sondagem da Gallup, divulgada ontem, mostra que 86% dos americanos acreditam que a situação económica do país está a piorar.

terça-feira, maio 13, 2008

Sedutores não são todos iguais e escondem tácticas
http://dn.sapo.pt/2008/05/13/ciencia/sedutores_sao_todos_iguais_e_esconde.html

O dicionário de Cândido de Figueiredo, um dos mais consensuais e prestigiados da língua portuguesa, não dá ao termo 'seduzir' significados airosos. Quando se lê a entrada, lá se explica que seduzir é igual ou semelhante a 'desviar do caminho da verdade', 'fazer cair em erro ou culpa', 'enganar ardilosamente', 'persuadir à prática do mal ou de desvio dos bons costumes', 'desonrar' ou mesmo 'subornar'. Só na última hipótese - e com a advertência de que o significado aí exposto vai em sentido figurativo - é que o Cândido explica que seduzir também pode ser 'atrair, encantar, fascinar, dominar a vontade de'. É sobre este último tomo de sinónimos que a psicóloga espanhola Alejandra Vallejo-Nájera acaba de editar o livro Psicologia da Sedução (editora Espasa, em castelhano), que tenta des- vendar os segredos dos indivíduos que têm, por norma, mais facilidade em atrair o seu semelhante. O livro analisa os diferentes temperamentos dos sedutores, quais os fins que prosseguem e como ultrapassam o medo da rejeição.

"A sedução está relacionada com o êxito no amor mas não só. Seduzimos de cada vez que comunicamos uns com os outros e conseguimos que a pessoa em causa se sinta atraída por nós. Tem uma carga genética, porque há pessoas mais extrovertidas, que conseguem seduzir mais facilmente, e outras que nem tanto. Mas também têm influência as relações precoces com pais, amigos, professores. Até os mais introvertidos aprendem técnicas para conseguir seduzir. E há quem se sirva dessa introversão para os mesmos fins, conseguindo conquistar de uma forma muito original." Estas são algumas das explicações prévias da autora.

Alejandra Vellejo-Nájera, ela própria descendente de uma estirpe de psiquiatras, adianta que existem nove tipos de sedutores, seguindo de perto a classificação primeiramente fixada pelo norte-americano Robert Greene. A questão, que tenta resolver no livro, é qual é o tipo em que cada um se encaixa. "É importante descobrir o que é que nos torna mais atractivos e para quem", avisa. "Para seduzir tem que se conseguir que quem está à nossa frente se sinta lisonjeado e até único, que perceba o que vai obter da relação com o sedutor, quer seja na vida amorosa ou profissional", remata.

A psicóloga reconhece que pôr em prática as técnicas adequadas a cada caso é cansativo porque "requer prestar muita atenção ao outro e satisfazer as suas emoções". "Num mundo em que toda a gente parece ter pressa poucas vezes temos disponibilidade para escutar", assenta. Por outro lado, as técnicas de sedução têm muito que ver com o temperamento de ambos, conforme sejam melancólicos, fleumáticos, sanguíneos ou coléricos.

Para que a relação prospere, Alejandra Vellejo-Nájera desaconselha juntar duas pessoas com temperamentos afins. "Os passivos necessitam da energia de um colérico e nunca um fleumático seduzirá outro, seria muito aborrecido", assegura.

A autora refere que para seduzir não é necessário falar muito de si. "Nem sequer os grandes líderes o fazem, preferindo falar do bem comum, de que têm uma ideia global de felicidade, fazendo-nos sentir importantes", refere. Por outro lado, assegura que a sedução começa logo que se nasce, quando o bebé fascina os pais persuadindo-os a cuidarem dele. E isto quer com o choro quer com sorrisos.

O livro inclui ainda um painel de 'testes' que pretende ajudar o leitor a descobrir o seu tipo de personalidade e, a partir disso, elaborar a estratégia mais adequada para seduzir com êxito.|- M.A.C. com Agências