"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

terça-feira, maio 13, 2008

Sedutores não são todos iguais e escondem tácticas
http://dn.sapo.pt/2008/05/13/ciencia/sedutores_sao_todos_iguais_e_esconde.html

O dicionário de Cândido de Figueiredo, um dos mais consensuais e prestigiados da língua portuguesa, não dá ao termo 'seduzir' significados airosos. Quando se lê a entrada, lá se explica que seduzir é igual ou semelhante a 'desviar do caminho da verdade', 'fazer cair em erro ou culpa', 'enganar ardilosamente', 'persuadir à prática do mal ou de desvio dos bons costumes', 'desonrar' ou mesmo 'subornar'. Só na última hipótese - e com a advertência de que o significado aí exposto vai em sentido figurativo - é que o Cândido explica que seduzir também pode ser 'atrair, encantar, fascinar, dominar a vontade de'. É sobre este último tomo de sinónimos que a psicóloga espanhola Alejandra Vallejo-Nájera acaba de editar o livro Psicologia da Sedução (editora Espasa, em castelhano), que tenta des- vendar os segredos dos indivíduos que têm, por norma, mais facilidade em atrair o seu semelhante. O livro analisa os diferentes temperamentos dos sedutores, quais os fins que prosseguem e como ultrapassam o medo da rejeição.

"A sedução está relacionada com o êxito no amor mas não só. Seduzimos de cada vez que comunicamos uns com os outros e conseguimos que a pessoa em causa se sinta atraída por nós. Tem uma carga genética, porque há pessoas mais extrovertidas, que conseguem seduzir mais facilmente, e outras que nem tanto. Mas também têm influência as relações precoces com pais, amigos, professores. Até os mais introvertidos aprendem técnicas para conseguir seduzir. E há quem se sirva dessa introversão para os mesmos fins, conseguindo conquistar de uma forma muito original." Estas são algumas das explicações prévias da autora.

Alejandra Vellejo-Nájera, ela própria descendente de uma estirpe de psiquiatras, adianta que existem nove tipos de sedutores, seguindo de perto a classificação primeiramente fixada pelo norte-americano Robert Greene. A questão, que tenta resolver no livro, é qual é o tipo em que cada um se encaixa. "É importante descobrir o que é que nos torna mais atractivos e para quem", avisa. "Para seduzir tem que se conseguir que quem está à nossa frente se sinta lisonjeado e até único, que perceba o que vai obter da relação com o sedutor, quer seja na vida amorosa ou profissional", remata.

A psicóloga reconhece que pôr em prática as técnicas adequadas a cada caso é cansativo porque "requer prestar muita atenção ao outro e satisfazer as suas emoções". "Num mundo em que toda a gente parece ter pressa poucas vezes temos disponibilidade para escutar", assenta. Por outro lado, as técnicas de sedução têm muito que ver com o temperamento de ambos, conforme sejam melancólicos, fleumáticos, sanguíneos ou coléricos.

Para que a relação prospere, Alejandra Vellejo-Nájera desaconselha juntar duas pessoas com temperamentos afins. "Os passivos necessitam da energia de um colérico e nunca um fleumático seduzirá outro, seria muito aborrecido", assegura.

A autora refere que para seduzir não é necessário falar muito de si. "Nem sequer os grandes líderes o fazem, preferindo falar do bem comum, de que têm uma ideia global de felicidade, fazendo-nos sentir importantes", refere. Por outro lado, assegura que a sedução começa logo que se nasce, quando o bebé fascina os pais persuadindo-os a cuidarem dele. E isto quer com o choro quer com sorrisos.

O livro inclui ainda um painel de 'testes' que pretende ajudar o leitor a descobrir o seu tipo de personalidade e, a partir disso, elaborar a estratégia mais adequada para seduzir com êxito.|- M.A.C. com Agências