"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quarta-feira, outubro 03, 2007

EUA
Ainda há nazis

http://expresso.clix.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/131559
3 de Outubro de 2007

Um idoso de 85 anos que vive tranquilamente no Sul dos EUA, poderá ser obrigado a abandonar o país, caso se prove ter sido um militar das SS de Hitler.
Pedro Chaveca
Buchenwald foi um dos campos por onde o antigo SS terá passado
17:55 Terça-feira, 2 de Out de 2007






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Embora sejam cada vez menos, ainda é possível encontrar quem tenha colaborado com o regime nazi. Paul Henss, um alemão de 85 anos, a viver placidamente no estado americano da Geórgia poderá ter sido uma dessas pessoas.
Pelo menos é esta a convicção do Departamento de Justiça norte-americano e que a ser verdade poderá obrigar Henss a voltar à sua Alemanha natal, país que deixou em 1955, uma década depois da Segunda Grande Guerra terminar.
Em declarações à comunicação social, o octogenário que considerou o holocausto "uma catástrofe" nunca negou ter feito parte das tropas de elite nazis, as SS, e de ter realmente treinado pastores alemães e rottweilers, mas refuta em absoluto as acusações de ter sido guarda num campo de concentração ou ter cometido algum crime de guerra.
Para o facto de ser um homem acossado no crepúsculo da vida e do seu nome fazer parte da lista de guardas que passaram pelos campos de extermínio alemães, a explicação de Henss é simples: "Eles encontraram o meu nome porque eu passei lá duas noites".
Herói na frente russa ou cobarde na retaguarda
As noites a que Henss se refere terão acontecido na sequência de ter sido ferido por duas vezes na frente russa, onde alega ter combatido. "Eu lutei na frente e fui ferido duas vezes na Rússia. Depois de algum tempo enviaram-me para um desses campos durante um par de dias", lembra o antigo soldado.
A esposa chorosa a seu lado corrobora as memórias do marido e reforça que ele nunca esteve nem em Dachau nem em Buchenwald e muito menos treinou cães para atacar prisioneiros.
Uma visão completamente oposta à das autoridades americanas que embora não tencionem apresentar qualquer queixa contra Henss querem expulsá-lo do país.
Segundo informações avançadas pela imprensa internacional Paul Henss terá nascido em 1922 e 12 anos depois juntou-se à antecâmara das SS, a Juventude Hitleriana. Em 1940 já era membro do NSDAP, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães ou simplesmente Partido Nazi.
Em 1941, já nas SS, ofereceu-se para ser treinador de cães, actividade que desempenhou de forma competente em dois dos mais terríveis campos de concentração nazis: Dachau e Buchenwald, onde passou dois anos, de 1942 a 1944.
Cães treinados para matar
Os documentos agora em posse das autoridades americanas referem que durante a passagem de Henss por estes dois campos, as suas ordens não podiam ser mais claras. Os cães eram treinados para "morder sem misericórdia e desfazer todas as pessoas que tentassem fugir".
Presume-se que tenham sido milhares os soldados que passaram pelos vários corações da máquina de morte nazi e que contribuiriam para aumentar o sofrimento de milhões de inocentes.
Para além de muitos deste homens terem conseguido escapar às malhas da justiça, Paul Henss terá sido apenas um, mas como sublinhou Eli Rosenbaum, investigador do Departamento de Justiça norte americano, "o brutal sistema dos campos de concentração não podia funcionar sem a colaboração determinante de homens como Paul Henss, que, com os seus cães de guarda, se colocavam entre as vítimas e a liberdade".