Médicos cubanos salvam homem
Médicos cubanos salvam homem que matou Che
http://dn.sapo.pt/2007/10/03/internacional/medicos_cubanos_salvam_homem_matou_c.html
POR Susana Salvador
O nome de Che Guevara é reconhecido mundialmente, mas o do homem que matou há 40 anos o guerrilheiro cubano-argentino tinha caído no esquecimento. Esta semana, Mario Terán voltou para a ribalta, após se descobrir que recuperou a sua visão graças aos médicos cubanos. O soldado boliviano, que sofria de cataratas, foi mais um dos milhares de pacientes sul-americanos a beneficiar do programa "Operação Milagre". "Mario Terán, um homem educado na ideia de matar que volta a ver graças ao médicos seguidores das ideias da sua vítima", escreveu este fim-de-semana o jornal oficial do Partido Comunista Cubano, Granma. "Ancião, poderá voltar a apreciar as cores do céu e da selva, desfrutar do sorriso dos seus netos e assistir a jogos de futebol", acrescenta. O antigo sargento foi operado em Santa Cruz, a segunda maior cidade da Bolívia, a algumas centenas de quilómetros de La Higuera, onde, a 9 de Outubro de 1967, matou Che Guevara - detido na véspera. No centro oftalmológico, onde as fotos do guerrilheiro adornam as paredes, os médicos nem queriam acreditar. "Ficámos indignados. O homem não se apresentou propriamente como o assassino do Che", disse à AFP Margarita Andreu, a directora. Diariamente, são atendidas pelos médicos cubanos cem pessoas. Segundo os registos, há três referências a Mario Terán e os médicos ignoram qual destas se refere ao antigo soldado. A história só foi conhecida após o filho ter publicado no jornal boliviano El Deber um agradecimento aos médicos cubanos, que operaram gratuitamente o pai. Depois dos acontecimentos daquele 9 de Outubro, o sargento continuou a sua carreira militar até se reformar. Apesar da reacção, Margarita Andreu jurou à AFP que teria operado Mario Terán mesmo se soubesse a sua identidade: "É o nosso dever, a nossa obrigação. Além disso, o Che voltou a ganhar outro combate." Esse era precisamente o título do artigo no Granma. O jornal dizia que apesar de recuperar a visão "nunca será capaz de ver a diferença entre as ideias que o levaram a assassinar um homem a sangue frio e as deste homem, que ordenava aos médicos da sua guerrilha que atendessem de forma igual aos companheiros de armas e os soldados inimigos feridos".Cuba está a assinalar os 40 anos da morte de Che, cujos restos mortais foram encontrados em 1997 e enterrados em Santa Clara.-

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