Porque é que se chamava Manhattan o projecto que deu origem à bomba atómica?
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31.10.2007, Andréia Azevedo Soares
Porque foram lá feitas as primeiras experiências atómicas. Um nome tão óbvio protegeu durante décadas a operação secreta dos Aliados EntradaEstudos ditados pela II Guerra Mundial
Os norte-americanos chamaram “Rapazinho” e “Homem Gordo” às bombas nucleares que, em Agosto de 1945, aniquilaram duas cidades japonesas. Os nomes de código são assim mesmo, pouco ou nada têm a ver com aquilo que designam – ou, como revelou ontem o New York Times, têm realmente tudo a ver. O famoso (e então ultra-secreto) Projecto Manhattan chamou-se assim precisamente porque nasceu na ilha de Nova Iorque. Um nome tão, mas tão óbvio, que nunca ocorreria a ninguém que poderia referir-se ao local que acolheu as primeiras experiências atómicas que levariam à vitória aliada na Segunda Guerra Mundial.“Quando pensamos na corrida entre os cientistas da Alemanha e dos aliados para a construção da primeira arma nuclear, vem-nos logo à cabeça a base de Los Álamos”, afirmou ao PÚBLICO o matemático e divulgador científico Nuno Crato. O laboratório criado nas montanhas do Novo México é, de facto, uma coordenada crucial no mapa da primeira bomba atómica; mas o verdadeiro berço doprojecto científico está em Nova Ior-que. A informação esteve, afinal, du-rante quase 60 anos debaixo dos nos-sos narizes.É Robert S. Norris, historiador da era atómica, quem chama a atenção para o detalhe no seu livro The Manhattan Project, publicado em Setembro nos Estados Unidos. A obra revisita vários lugares nova-iorquinos que, de alguma forma, condicionaram a história do mundo a partir da Guerra Fria. De armazéns recheados de urânio a laboratórios que en-saiavam a cisão de átomos, havia umquartel-general a funcionar nas ime-diações da câmara municipal. O primeiro pólo ficava num 18.º andar da Broadway.“Era algo ultra-secreto. Pelo menos cinco mil pessoas trabalhavam ali, sabendo apenas o estritamente necessário para cumprir as suas tarefas”, afirma Robert S. Norris ao New York Times. De acordo com o historiador, a escolha de Manhattan deveu-se ao facto de estarem ali reunidas e disponíveis todas as peças necessárias para o sucesso da operação: várias unidades militares, um cais para re-ceber os melhores cérebros que fu-giam da Europa e um operariado “de-sejoso por trabalhar pela causa bélica”. Ao todo, envolveu mais de 130 mil pessoas na sua idealização e concretização, que culminou com as bombas lançadas três anos mais tarde sobre Hiroxima e Nagasáqui. “Muitos dos problemas que temos hoje”, admitiu Norris, começaram naquele tempo e espaço.

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