Biólogos estudam mestiçagem
http://dn.sapo.pt/2007/12/19/ciencia/biologos_estudam_mesticagem.html
Uma equipa de investigadores está a tentar, em Cabo Verde, identificar os genes que estão na origem da cor da pele e dos olhos. Se o conseguir, será a primeira vez a nível global, já que o assunto tem sido tabu. A equipa, chefiada pela bióloga portuguesa Sandra Beleza, escolheu Cabo Verde porque a sua população tem uma das mais altas taxas de mestiçagem conhecidas.A procura dos genes da pigmentação e da cor dos olhos também está a ser feita nos Estados Unidos, em populações afro-americanas, onde a mistura de raças é mais baixa que em Cabo Verde. Essas populações são, segundo Sandra Beleza, 80% de africanos e 20% de europeus. Em Cabo Verde atingem os níveis representados são de 60% africano e 40% europeu. O projecto está a ser levado a cabo por uma parceria entre a Universidade de Cabo Verde e a Universidade do Porto. "Estrutura Genética de Cabo Verde e suas Implicações para o Estudo de Características Complexas: Vantagens para a Investigação Biomédica e Antropológica" é o título do projecto.Com este estudo pretende-se "mapear genes de características que diferem entre populações europeias e africanas e as principais têm a ver com a cor da pele e dos olhos, mas também a obesidade e a hipertensão", disse Sandra Beleza. Segundo a investigadora, as populações africanas têm mais tendência para a obesidade e para a hipertensão do que as europeias, "porque haverá um património genético que os torna mais sensíveis às condições ambientais, ao excesso de alimentação e ao sedentarismo".Sandra Beleza diz que estas diferenças têm que ver com a história e com a geografia. Na Europa, a agricultura apareceu há 10 mil anos e em África apenas há 5000, por isso os europeus actuais já tiveram mais tempo para se adaptarem. A maior hipertensão em África tem que ver com o calor.A forma mais fácil de descobrir as características diferenciadoras é, diz Sandra Beleza, nas populações miscigenadas. "Como têm as duas cargas genéticas, no genoma vamos apenas à componente africana, é uma forma de encontrar os genes de características complexas", diz.Até Maio, Sandra Beleza que ter as 2000 entrevistas feitas, todas as medições, todas as amostras de sangue, todas as fotografias dos olhos (para inferir o índice de melanina). Posteriormente, serão estudados 400 mil marcadores genéticos ao longo de cada genoma.O estudo ficará completo com amostragens idênticas feitas em Portugal, nas zonas de arrozais para onde terão sido levados escravos, que depois se misturaram. É que nos vales do Tejo, Sado e Guadiana foram encontrados os genes de um tipo de anemia que apresenta o mesmo padrão das populações africanas. LUSA e OMAR CAMILO-LUSA (imagem)

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