"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quinta-feira, junho 12, 2008

Macacos entendem e recorrem a símbolos
http://dn.sapo.pt/2008/06/12/ciencia/macacos_entendem_e_recorrem_a_simbol.html

Experiência. Cientistas ensinaram macacos-capuchinhos a entender e manejar peças dotadas de valor simbólico, trocando-as por alimentos. Estes eram valorizados em função do número de peças que davam em troca, cumprindo uma regra base das escolhas económicas

Teste à capacidade de escolhas qualitativas

Um grupo de investigadores dos EUA e de Itália testou em macacos-capuchinhos a capacidade destes elaborarem escolhas económicas básicas.

O estudo foi publicado no mais recente número de PLoS One, sob o título Preferecence Transitivity and Symbolic Representation in Capuchin Monkeys (Cebus appela) - Representação Simbólica e a Transitividade de Preferência nos Macacos-capuchinhos.

A experiência consistiu em oferecer aos capuchinhos três variedades de alimentos - A, B ou C - em quantidades distintas, e desenrolou-se em dois planos: um, o considerado real, o segundo, o simbólico.

No primeiro, os macacos-capuchinos podiam escolher entre os alimentos A, B e C; no plano simbólico, foi-lhes oferecido objectos sem real valor intrínseco, fichas de jogo, que representavam a alimentação real. Depois de escolherem um determinado tipo de ficha, os capuchinhos podiam trocá-la pelo alimento correspondente.

O objectivo era observarem se os capuchinhos actuavam, em ambos os planos, de acordo com o princípio da transitividade - uma regra elementar das escolhas económicas. A transitividade postula que se A é preferido a B e B a C, então A é preferido a C. Se preferimos bananas a tangerinas e tangerinas a morangos, também preferimos bananas a morangos.

As opções dos capuchinhos cumpriram os requisitos da transitividade, duplamente, isto é, no plano real e no plano simbólico. Os macacos envolvidos na experiência, de forma sistemática, preferiram A a B e B a C; finalmente, A a C, quer quando se tratou de alimentos reais, quer quando se tratou das fichas.

A conclusão é que foram capazes de operarem escolhas qualitativas em ambos os contextos. Quando estavam a escolher alimentos reais, resultou indiferente um pedaço de queijo ou duas bolachas, indicando que o valor de um pedaço de queijo equivalia a duas bolachas. Mas, no plano qualitativo, quando tinham de escolher entre peças que representavam aqueles alimentos, resultou indiferente a escolha entre uma peça representativa de um pedaço de queijo ou quatro peças a representar as bolachas, mas isto significa que as bolachas valem mais. O que prova que os capuchinhos possuem capacidade cognitiva para a representação simbólica. - A.C.M., com agências