"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quinta-feira, agosto 07, 2008

Chineses rendidos avançam com chapéus-de-chuva e impermeáveis
http://dn.sapo.pt/2008/08/07/desporto/chineses_rendidos_avancam_chapeusdec.html

RUI HORTELÃO,
enviado a Pequim
Cerimónia de abertura. Plano de contingência contra o mau tempo está definido

Chineses rendidos avançam com chapéus-de-chuva e impermeáveis

Sete mil canhões, mais de quatro mil lança mísseis, trinta aviões, 30 mil soldados, um satélite que identifica nuvens num raio de 44 km2 e um computador que faz previsões meteorológicas a cada hora. É esta a artilharia que Pequim tem, desde há semanas, a tentar impedir que chova durante a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos (JO), agendada para amanhã, às 20.00 locais, menos sete em Portugal.

No entanto, apesar de todos os esforços e injecções de iodeto de prata nas nuvens, a natureza parece continuar a levar vantagem neste duelo. Os chineses começam a conformar-se e revelaram ontem oficialmente, pela primeira vez, o plano de contingência para a chuva. A estratégia ainda não é pública, mas o DN sabe que a prevenção não passa por nenhuma solução tecnologicamente milagrosa. Pelo contrário. A organização mais não tem para oferecer do que vulgares guarda-chuvas e impermeáveis. Estes equipamentos vão ser distribuídos a todos os que participarem no desfile, que terão ainda ao dispor uma área alargada coberta no Estádio Olímpico.

Desfile desgastante

Com chuva ou sem chuva, o desgaste para quem for amanhã participar no arranque dos JO está garantido. O DN apurou que a operação implica seis a sete horas de ausência da Aldeia Olímpica (AO), grande parte das quais à espera de vez para dar entrada no palco do espectáculo. E, apesar de a organização disponibilizar água, alimentação e casas de banho, o DN sabe que a missão portuguesa está a preparar ao detalhe a ida ao Ninho de Pássaro. Ao contrário de Atenas 2004, os atletas estão autorizados a regressar à AO a pé ou por meio próprio. Mas os responsáveis portugueses devem desaconselhar essa opção com receio da confusão e demora que se registará à entrada da AO, devido ao controlo de segurança. Um processo do qual estão livres os que se desloquem de autocarro, por haver a garantia de que foram inspeccionados e não voltaram a sair do perímetro olímpico reservado. |