Metade dos macacos em risco de extinção
http://dn.sapo.pt/2008/08/06/ciencia/metade_macacos_risco_extincao.html
Relatório. 48% das espécies de macacos estão em vias de extinção, revela um estudo da União Internacional para Conservação da Natureza. Enquanto África e Ásia são os continentes mais afectados, há casos de sucesso no Brasil
Quase metade das espécies mundiais de macacos (48%) enfrentam um cenário de extinção, de acordo com um estudo mundial da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Apesar de a principal ameaça para os primatas continuar a ser a destruição do seu habitat natural, outros factores, como a caça e o comércio ilegal de espécies selvagens, estão a contribuir para este cenário catastrófico, afirmou Russell Mittermeier, presidente do grupo de conservação especialista em primatas.
Jean-Christophe Vie, responsável pelo programa de espécies da UICN, afirmou que é muito difícil inverter a tendência de desaparecimento que os macacos estão a enfrentar, pelo facto de o seu tempo de vida ser bastante longo.
A desflorestação é um dos principais factores que contribuem para a extinção das espécies, uma vez que não só reduz os habitats como permite o avanço de pessoas para locais anteriormente inexplorados. Para além disto, os macacos são uma espécie relativamente fácil de caçar: são diurnos, movem-se em grupo e fazem barulho e, por isso, tornam-se alvos apetecíveis.
A Ásia é a região com maior número de espécies ameaçadas -cerca de 71%-, sendo que também os cinco países que lideram o ranking de espécies em perigo são asiáticos: Camboja (90%), Vietname (86%), Indonésia (84%), Laos (83%) e China (79%).
Por seu turno, no continente africano, nomeadamente em Zanzibar (Tanzânia), 11 em cada 13 espécies de colobos-vermelhos estão "criticamente em perigo", e os especialistas temem mesmo que desapareçam, tendo em conta que algumas subespécies já não são vistas há mais de 25 anos.
No meio de todo este cenário negro, ainda há um resto de esperança: a lista vermelha da UICN conseguiu um número considerável de casos bem-sucedidos de conservação. No Brasil, o mico-leão-dourado e o mico--leão-preto passaram de espécies criticamente em perigo para o grau imediatamente anterior, de espécies em perigo, "resultado de décadas de esforço", segundo Christophe Vie.
A espécie estava a desaparecer na floresta, mas, como era popular nos jardins zoológicos, estes decidiram unir-se para levar a cabo um programa de criação em cativeiro e posterior reintrodução na Natureza. No início, não foi fácil, pois os macacos não sabiam sequer como procurar comida. Apesar de muitos terem acabado por morrer, aos poucos o número começou a aumentar, num processo que envolveu muito tempo, dinheiro e esforço, de políticos cien- tistas e voluntários no terreno.
Os resultados do estudo serão apresentados em Outubro, no Congresso de Conservação Mundial da UICN.|- C.M. e V. M.

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