"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

O mamute de Los Angeles
http://dn.sapo.pt/2009/02/20/ciencia/o_mamute_los_angeles.html

FILOMENA NAVES
Descoberta. Podia parecer o argumento de uma sequela do filme 'A Idade do Gelo', com o mamute a liderar um tigre dentes de sabre, um leão pré-histórico, mais uns bisontes e um par de linces. Mas não. Desta vez, o que chega da cida- de de Los Angeles é a descoberta de alguns milhares de ossos fossilizados de espécies... da última Idade do Gelo. Um mamute é a estrela da companhia

Apenas os dentes têm três metros de comprimento

No coração de Los Angeles, a cidade californiana dos sonhadores e dos campeões com os olhos postos no futuro, como os nativos se vêem a si próprios, cientistas do George C. Page Museum, o museu de história natural local, desenterraram um verdadeiro tesouro do passado. Trata-se de uma enorme colecção de ossos fossilizados de várias espécies já extintas, entre as quais está a um mamute quase completo, a que os paleontólogos chamaram carinhosamente Zed.

Zed, aquele que "abre uma nova era de investigação e de descoberta", como explicou o curador do museu Page para justificar o nome escolhido, foi encontrado por acaso, há cerca de seis meses, mas o achado só ontem foi publicamente divulgado. Os trabalhadores que estavam a fazer as escavações para a construção de um grande parque de estacionamento tropeçaram literalmente no achado, junto ao La Brea Tar Pits, uma zona paleontologicamente muito rica, onde o próprio museu Page tem feito escavações e diferentes descobertas desde há várias décadas.

Zed, no entanto, é o primeiro mamute a ser encontrado naquela região americana e tem a vantagem de estar quase completo, faltando-lhe apenas uma das pernas traseiras. Mas Zed não estava só. Os investigadores descobriram também fósseis de um felino com dentes de sabre, de um leão americano já extinto, de linces, de coiotes e de bisontes, entre outros, todos da última era glaciar, entre há 40 mil e 10 mil anos.

Os ossos fossilizados, que foram retirados do local em duas dezenas de blocos e acondicionados em grandes caixas de madeira, estão agora a ser retirados das caixas, a ser cuidadosamente limpos da terra que os envolve e recuperados para poderem ser estudados em detalhe.

O trabalho já dura há alguns meses e os cientistas pensam que ele ainda vai continuar pelo menos durante cinco anos até os fósseis ficarem completamente tratados. Mas, do trabalho realizado, os cientistas já conseguiram tirar algumas conclusões. Sobre Zed, por exemplo, os cientistas já sabem que ele tinha mais de 40 anos quando morreu e que viveu entre há 40 mil e 10 mil anos. Impressionante é a dimensão dos seus dentes externos, com cerca de três metros de comprimento.