Projectos
Ausência reflectida
http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1220012&seccao=Arquitectura
Centro: Contém uma biblioteca, salas de conferência e espaços expositivos
Projecto: Área sinistrada deverá funcionar como espaço de memória
O local onde as antigas Torres Gémeas sucumbiram, um quarteirão em Nova Iorque, foi alvo de um concurso internacional para a requalificação da área sinistrada e a criação de um memorial em homenagem às vítimas.
O local e a área envolvente tinham sido alvo de um plano de urbanização do arquitecto norte-americano Daniel Liebskiend que previa que a área sinistrada fosse tratada como uma praça ao nível da rua e que fosse criado um centro de interpretação com a história do local.
A proposta vencedora "…propõe um espaço que lida com as sensações de perda e ausência que foram geradas pela destruição do World Trade Center (WTC) e pelos milhares de vítimas no dia 11 de Setembro de 2001…" refere o autor do projecto, o arquitecto Michael Arad.
O enfoque desta solução é utilizar a arquitectura e o paisagismo para a criação de uma "Praça Viva", com uma forte componente simbólica e plena de experiências estéticas e afectivas que recorrem a soluções sensoriais simultâneamente universais e primárias.
Para conseguir este efeito, o arquitecto socorreu-se de efeitos extremamente simples mas eficazes, como jogos entre cheio/vazio, luz/sombra, som/silêncio, quente/ /frio, visível/invisível ou aberto/fechado.
Conforme previsto, é mantida a praça e dá-se a inovação de o centro de interpretação ser implantado abaixo do solo. Assim, é proposta uma realidade urbana e visível, a da praça , e outra misteriosa e invisível , a do subterrâneo. Nesse sentido, este projecto está próximo da escultura
A praça é pontuada por dois grandes espelhos de água quadrados, uma alusão às antigas torres. Estes espelhos de água são rodeados no seu perímetro por rampas e cascatas de água que, sempre em movimento, alimentam os espelhos de água e apontam para os espaços subterrâneos. Estas superfícies de água simbolizam o "vazio" ou, segundo o arquitecto, " São grandes vazios, abertos e visíveis evocações da ausência".
O som da água a correr começa aqui a ganhar expressão, enquanto elemento portador de vida e a ideia de renascimento é enfatizada pela utilização de árvores, que Arad coloca de uma forma linear e ritmada. Com o seu ciclo anual de reflorestação, as árvores "acentuam e aprofundam a experiência do memorial", refere o arquitecto.
As rampas dão acesso ao mundo subterrâneo dos memoriais e espaços de interpretação e esta transição entre luz e sombra é plenamente explorada pelo arquitecto. "Quando descem para o memorial, os visitantes são removidos das vistas e sons da cidade e imersos numa escuridão quente. À medida que vão descendo, o som da água a cair aumenta e a luz do exterior é filtrada. Quando a descida é completa, encontram-se atrás de uma fina cortina de água, que desagua numa grande superfície de água ".
Estas superfícies aquíferas são rodeadas pelos nomes das vítimas. A grande escala deste espaço e a enorme quantidade de nomes inscritos evocação a dimensão da destruição e tragédia.
O arquitecto optou por não colocar os nomes segundo uma lógica específica e esta arbitrariedade é importante para não criar um processo ou uma ordem num acontecimento brutal e violento.
Finalmente, o centro interpretativo foi colocado num dos topos do subterrâneo, próximo de um leito rochoso natural existente. Contém uma biblioteca, salas de conferência e espaços expositivos cujo espólio contém artefactos do WTC, como vigas metálicas ou objectos pessoais.
No seu conjunto, o Memorial é um "..espaço de mediação: a praça encoraja o seu uso pelos nova-iorquinos no seu dia-a-dia (…). Os subterrâneos do memorial não ficarão isolados do resto da cidade; serão uma sua parte viva", remata o arquitecto.

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