Novo Museu da Acrópole abre sob polémica
http://aeiou.expresso.pt/novo-museu-da-acropole-abre-sob-polemica=f521883
A inauguração oficial é esta noite mas ontem os jornalistas estrangeiros já puderam visitar o novo espaço museológico. Acompanhados pelo ministro da Cultura grego, o grande tema da visita foi o apelo ao Reino Unido para devolver as peças levadas para Londres há 207 anos.
Alexandra Carita
10:28 Sábado, 20 de Jun de 2009
"Nao podemos celebrar com toda a alegria este magnífico novo museu. Não podemos ilustrar em pleno o alcance artístico criado em Atenas durante o século V, porque quase metade das esculturas do Partenon foram levadas daqui há 207 anos para viver num exílio forçado a quatro mil quilómetros de distância", disse Antonis Samaras, ministro da Cultura grego durante a apresentação do novo Museu da Acrópole aos mais de 300 jornalistas estrangeiros acreditados para o evento.
A polémica tem sido o tom de todas as intervenções públicas do Governo grego ainda mais porque foi criada uma comissão específica para negociar o regresso das peças do maior templo grego. O Vaticano, o Museu de Salinas, em Palermo, o Museu da Universidade de Heidelberg e o Metropolitan de Nova Iorque devolveram a Atenas as pecas que tinham. O apelo ao British Museum, onde se encontram as esculturas, torna-se ainda mais forte agora, uma vez que as autoridades inglesas sempre afirmaram que a Grécia não tinha qualquer espaço com condições de preservação ideais para receber as peças de mármore. "Essa desculpa já não faz sentido", frisa o ministro da Cultura.
Mas à parte da polémica, a festa está instalada em Atenas. O novo museu, com uma área de 23 mil m2 (14 mil de área expositiva), mostra ao público quatro mil peças encontradas na Acrópole e que representam um legado humano que vai desde os tempos pré-históricos, atravessa os períodos Arcaico, Clássico, Helénico e Romano até à Antiguidade (1000 a.C até 700 d.C.).
Foi idealizado pelo arquitecto suíço Bernard Tschumi e situa-se junto à muralha da velha Acrópole exactamente com a mesma orientação que o Partenon. Em vidro, betão e aço, linhas direitas e muito simples contrastam com as monumentais esculturas e colunas de mármore, os frisos dos vários templos e os muitos artefactos de barro e bronze que compunham o dia-a-dia das gentes comuns. Três pisos dedicados a diferentes períodos históricos marcam o percurso museológico, cujo momento mais marcante é representado pela galeria do Partenon, face a face, através das paredes de vidro, com o templo original. O chão, também em vidro, permite ao visitante ver ainda as mais recentes escavações feitas na base do museu, que mostram a estrutura das casas que rodeavam os templos.
A inauguração oficial está marcada para esta noite, às 20h, e contará com a presença do Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso e inclui uma comitiva de sete primeiros-ministros, e os presidentes do Chipre e da Bulgária.
Os gregos só poderão entrar no museu amanhã, mas desde ontem que permanecem nas imediações do edifício para admirar o que se vai passando. Durante a noite, música e projecções das peças reunidas no interior do museu chamam a atenção da população. De resto, via Internet já foram vendidos 9 mil bilhetes. Os ingressos custam um euro.

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home