"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

segunda-feira, junho 08, 2009

Mutações genéticas
História e geografia explicam genética
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1257213&seccao=Tecnologia
por R.C.Hoje

A selecção natural não explica tudo e pode ter impactos nas alterações genéticas muito mais lentos do que se pensava, dizem agora os cientistas. Um estudo publicado na Science Daily refere que, afinal, a movimentação dos povos entre continentes, e as expansões e contracções demográficas influenciam de modo significativo a forma do genoma humano.

Afinal, a geografia e a história - ou seja, os movimentos humanos dentro e entre continentes ou as expansões e contracções da população - influenciam muito mais as mudanças genéticas humanas do que se pensava. Pelo contrário, e segundo um estudo noticiado ontem no portal Science Daily, a selecção natural afecta a forma do genoma humano de um modo muito mais lento do que até agora os cientistas afirmavam.

Estas conclusões foram publicadas no fim de semana no jornal PLoS Genetics e resultam de um estudo conduzido por uma equipa do Howard Hughes Medical Instiitute, da Universidade de Chicago, da Universidade da Califórnia e da Universidade de Stanford.

Nos últimos anos, os geneticistas conseguiram identificar uma série de genes que ajudaram a espécie humana a adaptar-se a novos ambientes em poucos milhares de anos. Uma escala temporal pequena quando se fala de evolução humana.

Os investigadores descobriram agora que, para a maioria dos genes, a selecção natural necessita de 50 a cem mil anos para espalhar traços favoráveis entre a população humana.

As suas pesquisas concluíram ainda que as variações genéticas tendem a ser distribuídas por todo o mundo em padrões que reflectem movimentos antigos da população e outros aspectos importantes da história desses povos.

Jonathan Pritchard, um dos autores do estudo, afirma que a investigação mostra que a seleção natural não foi suficientemente forte para explicar a adaptação das populações humanas aos ambientes locais.

"Para além da selecção, a história demográfica - a forma como os povos se movimentaram - exerceu um enorme efeito na distribuição das variações", afirmou.

Para determinar até que ponto estas alterações podem ser atribuídas à selecção natural, a equipa de investigadores comparou a distribuição das mutações nas partes do genoma que afectam a regulação das proteínas e nas que não afectam. Isto porque estas últimas são menos afectadas pela selecção natural. Logo, concluiram que as mutações nestas parte do genoma reflectem a história demográfica das populações.

Os investigadores concluiram ainda que muitos sinais de selecção anteriormente identificados podem, afinal, ter sido criados por factores históricos ou demográficos. Quando os cientistas compararam de perto populações próximas, encontraram poucas diferenças genéticas grandes. Se os ambientes das populações individuais tivessem exercido uma pressão selectiva grande, essas diferenças deveriam ser aparentes.

Contudo, as conclusões são cautelosas porque muito ainda se desconhece nesta área. "Não sabemos o suficiente sobre a genética da maioria dos traços humanos para conseguirmos seleccionar todas as variações relevantes", afirma Pritchard. Isto porque, acrescenta, Graham Coop, outro dos autores do estudo, "ainda estamos na infância da tentativa de compreender o que é que os sinais da selecção nos tentam dizer".