"O Japão é a Europa daqui a 200 anos"
O embaixador de Portugal no Japão , João Pedro Zanatti, gosta do Japão e considera que as relações entre os dois paises "são boas".
http://aeiou.expresso.pt/o-japao-e-a-europa-daqui-a-200-anos=f519423
Daniel Ribeiro, no Japão
11:28 Sábado, 6 de Jun de 2009
Vista de uma torre num centro comercial, em Tóquio "O Japão é a Europa daqui a 200 anos, isto é, se tivermos sorte, a Europa será, dentro de 200 anos, o que o Japão é hoje em dia", explica ao Expresso o embaixador de Portugal, João Pedro Zanatti, em funções no país há três anos e meio.
Sobre as relações entre Portugal e o Japão, o diplomata realça sobretudo a qualidade das relações históricas e culturais entre os dois países. Numa entrevista, a que voltaremos noutra altura, considera que as trocas comerciais actuais são insuficientes e "devem ser aprofundadas".
É um lugar comum dizer que, em termos de desenvolvimento - tecnológico e industrial, por exemplo -, o Japão é um país avançadíssimo.
"Os problemas que os estrangeiros sentem para levantar dinheiro nos bancos é porque o sistema japonês já está muito mais avançado e que eles já nem pensam nisso", explica ao Expresso Marta Morais, uma portuguesa que vive num templo soto-shu (budista e zen), em Kannami (região de Shizuoka). Marta, de 33 anos, é casada com o monge Motomitchi, de 34 anos, que dirige o templo, na ausência do pai e mestre, que passa grande parte do tempo no estrangeiro.
O avanço do Japão em relação à Europa constata-se também com facilidade em pequenos detalhes da vida quotidiana dos japoneses.
Nas grandes cidades - onde se cruzam milhões e milhões de pessoas - os transportes são exemplarmente eficazes em termos de organização, conforto e higiene. Os peões circulam com regras nas escadarias e corredores das estações do Metro e dos Comboios - designadamente com sentidos obrigatórios, o que se compreende porque assim evitam-se acidentes e conflitos devido à incrível maré humana que se desloca ao mesmo tempo nos transportes colectivos.
"As pessoas também são bem educadas por necessidade: não falar alto em público ou não comunicar ao telefone nos transportes é mesmo necessário porque, caso contrário, como há tanta gente concentrada, ninguém se entenderia", acrescenta Marta, que vive desde há oito anos no Japão e cuja língua domina, tanto falada como escrita.
"Demasiados idosos"
Nas aldeias e pequenas vilas e cidades - visitei diversas, até agora - vive-se realmente a ecologia (neste aspecto, o Japão está a anos-luz da Europa). É impressionante o grande respeito que existe pela natureza - por vezes, como acontece à volta do templo onde vive Marta, parece que as pessoas fazem parte dela.
Em todo o Japão, sobretudo fora das gigantescas cidades, vive-se igualmente de forma nada fanática a espiritualidade. O xintoísmo, o budismo, o zen conduzem a uma tolerância de tal modo natural que um católico ou um islâmico praticante dificilmente pode compreender.
Os japoneses cuidam do espírito, mas igualmente do corpo. Aliás, cuidam das duas coisas ao mesmo tempo porque os banhos permitem não apenas descontrair, mas também meditar. Por todo o lado há termas e massagens a preços verdadeiramente acessíveis. Um banho, sem tempo limitado, numas termas com uma qualidade que, em Portugal, seriam de luxo e inacessíveis à maioria, custa à volta de 500 ienes (quatro euros).
Por todas estas razões - e igualmente devido à qualidade da gastronomia, à base de produtos muito frescos - os japoneses têm uma grande longevidade.
A maioria dos idosos vive com a família mas, nos últimos anos, começaram a surgir problemas de gestão complicados em algumas situações. "Há demasiados idosos, o que coloca dois problemas - um é financeiro, porque é preciso pagar as reformas durante muito tempo; outro é que o Governo ainda não descobriu a forma de lidar com os numerosos idosos cuja família não se pode ocupar deles, os abrigos e asilos não têm grandes condições e os velhos não gostam de lá estar porque o asilo não faz parte da nossa cultura", explica Yuko, de 40 anos, massagista-quinesiterapeuta, residente em Tóquio.

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