Estados Unidos
Fotos secretas mostram violações de prisioneiros
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1247341&seccao=EUA e Am%E9ricas
por LUMENA RAPOSO, Hoje
Antonio Taguba, o general que investigou a violência dos americanos contra os prisioneiros, acabou por revelar a existência de fotos onde é possível ver-se militares a violar detidas e a sodomizar jovens presos. Escândalo que Obama terá dificuldade em abafar.
"A simples descrição dessas fotografias é suficientemente horrível, acreditem-me", afirmou o general americano Antonio Taguba ao diário britânico Daily Telegraph. O militar que investigou os abusos cometidos por soldados dos EUA contra prisioneiros no Iraque e no Afeganistão disse concordar com a decisão do Presidente Barack Obama de impedir que fotografias, onde se vêm os detidos a ser violados, sejam tornadas públicas. O que já mereceu algumas críticas.
Antonio Taguba, que se reformou em Janeiro de 2007, não está seguro quanto à utilidade da publicação das ditas fotos, "para além de uma questão legal. E a consequência seria colocar em perigo as nossas tropas, únicos protectores da nossa política externa, quando delas mais precisamos e as britânicas que tentam construir a segurança no Afeganistão".
Obama está a tentar impedir que sejam tornadas públicas duas mil fotografias, relacionadas com 400 alegados casos de violação, abusos e violência ocorridos entre 2001 e 2005 na prisão iraquiana de Abu Ghraib e em outras seis prisões. O relatório elaborado pelo general em 2004, após ter investigado as denúncias feitas, continha depoimentos das vítimas de violação e abusos mas nunca foi revelada a existência de fotografias a atestar tais violências.
Em uma dessas fotografias, cuja publicação é exigida por alguns responsáveis, é visível uma prisioneira iraquiana a ser violada por um militar americano enquanto outra fotografia mostra um tradutor americano, de ascendência egípcia, a sodomizar um detido que teria entre 15 e 18 anos. O tradutor está a ser objecto de um processo cível num tribunal dos EUA.
Outras fotografias mostram prisioneiros a serem abusados sexualmente com objectos como cacetes, arames e tubos fosforescentes. Há ainda uma outra em que se pode ver uma prisioneira a ser violentamente despida.
A União Americana para as Liberdades Civis (ACLU) criticou a recente decisão de Obama que, em Abril, se afirmara determinado em publicar todas as fotografias, mantendo a promessa de que a sua administração seria transparente. Mas ainda mal terminara o mês e já o Presidente recuava. E justificava-se: "Libertá-las iria inflamar a opinião pública anti-americana e pôr as nossas tropas em risco". E Obama disse mais: "Quero sublinhar que estas fotos não são particularmente sensacionais, especialmente quando comparadas com as dolorosas imagens de Abu Ghraib que recordamos". Uma declaração algo infeliz.
Em 2004, ao falar perante a ACLU, Seymour Hersh - o jornalista que primeiro denunciou a situação nas páginas da revista New Yorker - contou que "mulheres passavam mensagens" para fora de Abu Ghraib pedindo que as matassem tal era a situação que viviam na prisão iraquiana.
A ACLU e o Comité de Defesa da Carta de Direitos, este pela voz do seu presidente Chip Pitts, insistem na publicação das fotos porque "transparência e responsabilidade não podem ser apenas temas para bonitos discursos".
Entretanto, Ali Kadom, funcionário do Ministério dos Transportes em Bagdad disse à CNN que o Governo iraquiano "deve exigir a reabertura do escândalo de Abu Ghraib". Um outro responsável iraquiano defendeu que as fotos devem ser publicadas para acabar com a possibilidade de novo escândalos. Até porque, como escreveu Frank Rich no New York Times, inevitavelmente, alguém as irá publicar .
Por seu turno, um militar americano em Bagdad disse que as fotos de que se fala não são as que Taguba conhece.

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home