Arábia Saudita inaugura um oásis para a ciência e tecnologia
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/24-09-2009/arabia-saudita-inaugura-um-oasis-para-a-ciencia-e-tecnologia-17878693.htm
Por Sofia Lorena
Nova universidade, uma das mais bem equipadas do mundo, será a primeira mista no país
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Nasceu das areias do deserto em dois anos e não há limites para as expectativas em seu redor: da nova Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah, a primeira sem segregação de sexos na Arábia Saudita, espera-se que contribua para promover a modernidade no país mais conservador do Médio Oriente, que ajude a transformar o reino num centro científico global e, de caminho, que combata a estagnação de desenvolvimento científico no mundo árabe.
"Verdadeiramente, não há outra universidade no mundo tão bem equipada. A questão, claro, é saber o que será feito com o equipamento e isto está por ver", escreveu no seu blogueCrossroads Arabia John Burgess, ex-diplomata dos Estados Unidos.
Os 1,5 mil milhões de dólares de investimentos em equipamento permitiram comprar, por exemplo, o 14.º computador mais rápido do mundo. Ou instalações de realidade virtual onde será possível visualizar tremores de terra numa escala planetária.
Impressionante também é o fundo de que a KAUST (na sigla inglesa) foi dotada, 6,8 mil milhões de euros. E as parcerias já assinadas, que incluem o MIT, Oxford, Tóquio ou Cambridge. Assim foi possível angariar os mais brilhantes: há professores dos EUA, Canadá, Alemanha e alunos de 61 países. Entre os primeiros 400, só 15 por cento são sauditas - serão mais, garante a universidade, que prometeu formar cientistas locais.
"Uma das motivações para vir é que aqui há tudo aquilo com que eu poderia sonhar", disse à Reuters Kultaransingh Hooghan, investigador de Informática acabado de chegar da Índia ao campus da KAUST.
Mudar o mapa do mundo
E com tudo ao dispor, é possível sonhar, por exemplo, em transformar o maior produtor de petróleo num grande exportador de energia solar. Ou até em descobrir os segredos para fazer crescer trigo em terras irrigadas com água salgada. E assim, a KAUST estaria a "mudar não só a economia da Arábia Saudita mas o mapa do mundo", disse aoFinancial Times o vice-presidente da universidade, Nadhmi al-Nasr.
O rei Abdullah, que ontem a inaugurou, descreve a KAUST como uma nova "casa da sabedoria" para os mundos árabe e muçulmano. Os reformistas que o apoiam acreditam que será o símbolo das mudanças que Abdullah pretende - e que a poderosa liderança religiosa tem combatido e atrasado.
Para os sauditas que ali possam trabalhar ou estudar, o campus de 36 quilómetros, 70 espaços verdes e praia no mar Vermelho, será uma oportunidade para experimentar um ambiente diferente. Mulheres e homens poderão interagir, as mulheres não terão de usar véu nem cobrir o rosto e poderão até guiar - um tabu no país. Não há géneros na KAUST nem "barreiras na ciência", diz Jasmeen Merzaban, professor de Bioquímica.
Os críticos dizem que a nova universidade até pode ser um oásis no reino de Meca e Medina, mas não passará disso mesmo: o "perigo", sublinha o Financial Times, é que "seja vista como mais uma infra-estrutura de fachada, operada por estrangeiros e isolada do resto do mundo, enquanto o sistema permanece imutável". A KAUST será gerida pela Aramco, a empresa nacional de petróleo que funciona num enclave liberal semelhante.
Muitos notam que a prioridade devia ser reformar as escolas primárias e os liceus onde os currículos ainda se centram nos estudos religiosos.

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