Jitish Kallat é imune à crise
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12.10.2009 - Vanessa Rato
Kallat, de 35 anos, triplicou os seus anteriores recordes de vendas
A avaliar pelas primeiras vendas de Outono, os especuladores do mercado da arte vão ter que continuar à procura de uma luz ao fundo do sombrio túnel da actual crise económica mundial. Segundo dados da ArtPrice, uma das grandes analistas do sector, os resultados dos primeiros leilões de Setembro tanto da Christie’s como da Sotheby’s foram “pálidos”, confirmando ainda o que já todos sabíamos: que tempos de recessão não deixam margem para riscos.
Dois nomes em destaque: como seria de esperar, o de Andy Warhol, que continua a ser visto pelos compradores como a aposta mais segura no sector da arte ocidental do pós-guerra; a surpresa do arranque da temporada vem do mercado asiático, com o jovem artista indiano Jitish Kallat a bater recordes, ainda que apenas os seus, e a parecer, assim, imune ao mau momento.
A 16 de Setembro, Kallat, de 35 anos e um nome já bastante conhecido tanto na Europa como nos Estados Unidos, vendeu “Dawn Chorus – 7” na Christie’s de Nova Iorque por 320 mil dólares (algo mais de 217 mil euros), triplicando uma expectativa máxima de venda estimada a partir dos seus anteriores recordes. Isto quando segundo a ArtPrice ficou provado o baixo momento para a arte asiática: o leilão de 2009 da Christie’s para a Arte Moderna e Contemporânea Asiática fez metade do valor conseguido pelo seu homólogo de 2008, caindo de 10,3 milhões de dólares (7 milhões de euros) para 5,1 milhões (3,3 milhões).
Quanto a Warhol: uma tela da série das flores datada de 1964 chegou aos 895 mil dólares (608,5 mil euros) no dia 23 na Christie’s enquanto no dia seguinte uma das suas latas de sopa de tomate Campbell chegou aos 310 mil dólares (210,7 mil euros) na Sotheby’s. Isto com a venda de Arte Contemporânea e do Pós-Guerra da Christie’s a mostrar uma quebra geral de 5,2 milhões em 2008 para 3,5 este ano e a da Sotheby’s de 8,5 milhões para 4,4 milhões, havendo a ressalvar que ambas leiloeiras tinham também menos lotes à venda (a Sotheby’s, por exemplo, cuja quebra é mais acentuada, tinha menos 100 lotes do que em 2008).
Ainda segundo a ArtPrice, os resultados de artistas como o britânico Damien Hirst e o chinês Lijun Fang no leilão da Phillips de Pury, no dia 26, foram “tranquilizadores” para os nomes afirmados do mercado contemporâneo, restando esperar pelas vendas de Londres, este mês (dias 16, 17 e 18) para a análise completa do momento.

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