Abrigo
Quem quer sobreviver?
phttp://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1488917&seccao=Arquitectura
or Cláudia Melo
Serve para situações de catástrofe. Pretende ser o mais autónomo possível do ponto de vista energético, recorrendo a células fotovoltaicas para a produção de electricidade, bem como o aproveitamento das águas pluviais
Shelter Box" (caixa abrigo), é um abrigo para situações de catástrofe, da autoria dos arquitectos portugueses João Sequeira, Ana Figueiredo, Marta Moreira e Pedro Ferreira, tendo vencido o Concurso Internacional de Arquitectura e Energias Renováveis - Ares Competition, lançado pela Technical Chamber of Greece (TCG), Work Programme on Architecture and Renewable Energy Sources (ARES) da União Internacional dos Arquitectos.
De acordo com os seus autores, o conceito do Shelter Box "assenta na versatilidade, pré-construção e rapidez de edificação, como também na ecologia, sustentabilidade e sobretudo no uso de recursos energéticos renováveis". De facto, a peça baseia-se na conjugação de duas ideias de execução muito simples - a tenda e o acordeão. Conforme explica o colectivo, "a tenda é o abrigo mais vulgar e mais usado em todo o tipo de situações de emergência, e tem-se transformado na memória, sempre renovada, dos vastos campos de refugiados que ocorrem pelo mundo desde o pós-guerra até à actualidade; o acordeão permitia--nos, por um lado, usá-lo formalmente, explorando a possibilidade de portabilidade e de transformação espacial, que ocorrem naturalmente na produção dos sons deste instrumento musical e por outro lado, usá-lo como nó poético, lembrando-nos a importância da música e da poesia na vida de cada um".
Sendo um instrumento de sobrevivência, a Shelter Box pretende ser o mais autónomo possível do ponto de vista energético, recorrendo a células fotovoltaicas para a produção de electricidade, bem como o aproveitamento das águas pluviais. Funcionalmente, é composto de uma unidade multi-funcional que contém a instalação sanitária e a cozinha, onde se encontram as baterias de acumulação de energia fotovoltaica e o depósito de águas pluviais, com possível ligação de água.A estratégia de sobrevivência também obriga a que seja facilmente implantado : esta tenda/acordeão é colocada no solo desdobrada em duas, adquirindo firmeza pela translação destes dois braços.
A sua flexibilidade e versatilidade permite conexões diversas, dando origem a expansões e espaços de abrigo para famílias numerosas, criação de estruturas urbanas diversas ou adaptação aglomerados já existentes. "As expansões da Shelter Box permitem também alterações às funções a que se destinam, como a criação de escolas provisórias, de centros de atendimentos dos refugiados, de centros médicos, entre outros", refere o colectivo.
Dada a sua versatilidade, pode inserir-se em qualquer zona geográfica, adaptando-se às características climáticas mediante o uso de cores específicas dos seus acabamentos (ex. zonas quentes/cores quentes - laranja e amarelos -, zonas frias/cores frias - azuis).
Para chegar facilmente aos destinos, o transporte do módulo, pode ser feito por via terrestre, marítima, ou aérea. Para transporte de longa e média distância (via camião, comboio ou barco) , seriam transportados oito unidades por contentor, sendo possível o transporte de vários contentores. A via aérea, (helicóptero) permite o transporte de apenas duas ou três unidades, mas com mais frequência.
As épocas de mudança, climática e consequentemente social, obrigam à criação de soluções versáteis e novas tipologias, mas também a repensar o papel da arquitectura e do arquitecto enquanto agente desinteressado e transformador da comunidade.

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