"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

terça-feira, maio 18, 2010

outros vulcões islandeses

Preocupação
Outros vulcões islandeses poderão acordar
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1572368&seccao=Biosfera
por FILOMENA NAVESHoje


A história mostra que sempre que o Eyjafjallajoekul entrou em erupção, o vulcão Katla, que fica perto e é maior, foi atrás.

O vulcão islandês continua aos soluços e a deixar aviões em terra na Europa. Ontem, cerca de mil voos foram cancelados devido à passagem de mais uma nuvem de cinzas, desta vez em trânsito sobre o Reino Unido. Esta última nuvem ficou a dever-se a um terceiro pico de intensidade na erupção - ocorrido na última sexta-feira - desde que o Eyjafjallajoekul voltou a acordar, a 14 de Abril. Mas há cientistas que acreditam que o pior ainda pode estar para vir, se os vulcões vizinhos, como o Katla, também entrarem em erupção por influência do Eyjafjallajoekul.

Nesta altura, a única certeza é a de que Eyjafjallajoekul não dá mostras de acalmar e, portanto, ninguém consegue prever quando esta erupção poderá chegar ao fim.

Da última vez que este vulcão esteve em erupção, em 1821, o fenómeno manteve-se durante 15 meses ininterruptamente. O mesmo pode acontecer desta vez.

"Não há nenhuma forma de prever quando isto acabará", afirmou à AFP o geofísico islandês Magnus Tumi Gudmundsson, sublinhando que "tem havido uma certa actividade sísmica sob o glaciar [onde está o vulcão], o que significa que o magma continua a subir à superfície".

Neste terceiro pico de intensidade da erupção, registado na última sexta-feira, a concentração de cinzas elevou-se de novo a oito mil metros de altitude, superando em dois mil metros a altitude alcançada pelas cinzas nos dias precedentes, como revelaram os vulcanólogos islandeses.

"Trata-se de uma grande erupção", afirmou Magnus Gudmundsson, sublinhando que é a mais forte na Islândia desde 1918, ano em que o Katla, um vulcão bem maior do que o Eyjafjallajoekul, entrou em erupção.

A possibilidade de o Katla voltar agora a acordar está aliás na mente de todos os vulcanólogos, já que na história das erupções na Islândia, sempre que Eyjafjallajoekul entrou em erupção, o Katla, que dista apenas 30 quilómetros, não tardou em seguir-lhe o exemplo.

A possibilidade de isso acontecer, e de as viagens aéreas na Europa entrarem num longo período verdadeiramente sombrio, é levantada, nomeadamente, pelo vulcanólogo Thor Thordarson, da Universidade de Edimburgo, na Escócia. "A frequência da erupções na Islândia variam entre máximos e mínimos em períodos de 140 anos", afirmou ao The Sunday Times, sublinhando que depois de uma temporada em mínimos "há agora sinais de podermos estar a chegar um pico". Os sinais no terreno parecem dar-lhe razão.

Estudo
A teia de aranha já não tem segredos para a ciência
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1571172&seccao=Biosfera
16 Maio 2010



Um grupo de investigadores das universidades Complutense de Madrid, de Oslo e de Uppsala apresentam esta semana na revista Nature um estudo sobre a estrutura tridimensional de uma das regiões - denominada "domínio N-Terminal" - das proteínas que compõem a seda das aranhas.

Até agora era um mistério como se produzia a transição da proteína em estado líquido ao estado sólido. Este grupo de cientistas descobriu que, à medida que avançam ao longo da glândula ampulácea, situada no extremo do abdómen da aranha, as moléculas da proteína da seda organizam-se até formar um verdadeiro cristal líquido.

As fibras da seda da aranha são muito mais resistentes do que um cabo de aço de grossura semelhante e muito mais elásticas. Estas podem esticar até 135% do seu comprimento original sem se quebrarem. Esta seda também é três vezes mais resistente do que as fibras sintéticas mais avançadas que se conhecem. Até agora, o homem não conseguira produzir nada semelhante.

A seda da aranha é composta por moléculas proteicas, cadeias formadas por milhares de aminoácidos. As análises estruturais com raio X mostram que a fibra finalizada tem zonas em que as cadeias de proteínas de cruzam mediante conexões estáveis, o que explica a sua resistência

quarta-feira, maio 12, 2010

Fóssil.
Química liga aves e dinossauros
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1567464&seccao=Biosfera

por FILOMENA NAVES


Cientistas conseguiram pela primeira vez identificar elementos químicos em espécie com 150 milhões de anos

"Foi como tocar em fantasmas." A expressão do geoquímico Roy Wogelius, da Universidade de Manchester (Reino Unido), revela que o próprio investigador ficou impressionado com a descoberta do seu grupo, sobre um fóssil que é um ícone da paleontologia e do qual já não se esperavam novidades bombásticas. Mas a surpresa aconteceu. Roy Wogelius coordenou uma equipa que pela primeira vez conseguiu ver os elementos químicos deixados por tecidos vivos num fóssil com 150 milhões de anos. Nomeadamente, os que correspondem às penas e que são o primeiro elo químico entre aves e dinossauros. Este caminho, diz o cientista, "é o futuro da paleontologia e uma mudança de paradigma na investigação".

A descoberta, publicada esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), foi feita graças à análise num acelerador de partículas de um fóssil de Archaeopteryx, uma espécie que está a meio caminho entre os dinossauros e as aves - é considerada, aliás, a primeira ave - e que viveu há 150 milhões de anos.

Os investigadores detectaram quantidades ínfimas de enxofre e fósforo, elementos que existem nas penas dos pássaros modernos, e também zinco e cobre, que são nutrientes essenciais para estes animais. Ao todo foram detectados seis elementos químicos distribuídos de forma diferente pelas várias partes do fóssil.

O facto de se terem encontrado diferentes concentrações desses elementos nos restos fossilizados e nas rochas envolventes confirma que os químicos no fóssil são vestígios do ser vivo que aquela "dino-ave" foi há 150 milhões de anos, segundo os cientistas.

A análise foi feita no Stanford Synchrotron Radiation Lightsource, na Califórnia (EUA), cujo sistema de raio X muito "luminoso" revelou o mapa químico do fóssil.

"Até agora falávamos de um laço físico entre aves e dinossauros, agora encontrámos um laço químicos entre eles", conclui o coordenador da investigação.

? A meio caminho entre ave e dinossauro, o Archaeopteryx, era uma vertebrado com a dimensão de um corvo que viveu no final do Jurássico e que é considerado a ave mais antiga, já de que é a mais antiga da qual há registos fósseis. Tinha dentes de dinossauro e uma longa cauda de ossos, mas tinha também elementos de ave, como as asas com penas, que lhe permitiam planar e voar entre as árvores. A primeira vez que se encontraram fósseis desta espécie já extinta foi há 150 anos, apenas um ano depois de Charles Darwin ter publicado o seu livro A Origem das Espécies e constituiu na altura a melhor prova até aí existente da teoria da evolução. Desde então já se descobriram nove outros fósseis da mesma espécie.

quinta-feira, maio 06, 2010

Estudo
Bonobos dizem 'não' com a cabeça
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1561723&seccao=Biosfera

por FILOMENA NAVES


Investigadores registaram pela primeira vez situações em que estes primatas pareciam fazer gesto de negativa

Aconteceu no Zoo de Leipzig, na Alemanha. Luiza, uma cria de bonobo (Pan paniscus), uma espécie prima do chimpanzé (Pan troglodytes), decidiu brincar com a comida: um pedaço de alho-porro. Mas a mãe, Ulindi, não gostou e tentou que Luiza parasse. Só que ela não parou. Então Ulindi abanou a cabeça, como se estivesse a dizer que não, e pôs fim à graça.

A situação foi filmada por uma equipa de primatólogos alemães, no âmbito de um estudo sobre a comunicação dos grandes símios e foi apenas uma das que a equipa registou, em que estes animais abanavam a cabeça de um lado para o outro, como se estivessem a dizer que não.

O estudo, que pela primeira vez levanta esta hipótese, embora de forma prudente, foi publicado na revista Primates. Significativamente, o título é uma pergunta: Do bonobos say NO by shaking their head? (Os bonobos dizem NÃO quando abanam a cabeça?)

Durante a investigação, desenvolvida por Christel Schneider e Josep Call, do Instituto Max Planck, e Katja Liebal, da Universidade Livre de Berlim, os investigadores registaram os comportamentos e a gestualidade dos bonobos, chimpanzés, gorilas e orangotangos em seis jardins zoológicos europeus. Em 13 momentos diferentes, a equipa observou quatro bonobos a abanar a cabeça da mesma forma, como se quisessem transmitir uma negativa.

"Em bonobos, as nossas observações são as primeiras do género", explicou Christel Schneider, citada pela BBC News.

Era conhecido que os grandes símios, como os que foram englobados neste estudo, fazem gestos com a cabeça para comunicar com os das suas espécies. Abanam a cabeça para cima e para baixo e de um lado para outro, ou baixam--na. E nos bonobos já se tinha observado este gesto de abanar a cabeça, com a intenção de iniciar uma interacção, como uma brincadeira, por exemplo.

Esta foi, no entanto, a primeira vez que se observou aquele gesto associado a uma potencial intenção de negativa neste primata, que os investigadores dizem dispor de uma variedade de gestos mais ampla do que os chimpanzés. No seu estudo, os investigadores colocam a hipótese de os bonobos terem desenvolvido essa gestualidade mais sofisticada no contexto da sua sociabilidade, que é também mais complexa e menos hierarquizada, para prevenir conflitos.

conhecimento
Observar as estrelas para chegar a Deus
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1560077
04 Maio 2010


O astrónomo e jesuíta Jose Gabriel Funes, que dirige desde 2006 o Observatório Astronómico do Vaticano, instalado em Castel Gandolfo, a residência de Verão dos papas, explica sem rodeios que se tornou astrónomo "para se aproximar de Deus, que criou o Universo".

A um só tempo homem de ciência e de religião, Jose Gabriel Funes, de nacionalidade argentina, diz conciliar sem problemas os dois mundos.

"As nossas questões são as mesmas que se colocam aos nossos colegas laicos: compreender como funciona o universo, qual é a sua origem, saber se há planetas idênticos à Terra. Mas somos o observatório do papa, estamos aqui para servir o papa, a Igreja e os nossos colegas", afirmou o responsável do observatório do Vaticano à jornalista Catherine Jouault, da AFP.

O padre Funes tornou-se, aliás, astrónomo em primeiro lugar e só depois abraçou a vida religiosa, tal como aconteceu com o seu colega Guy Consomagno, do mesmo observatório, que é especialista em meteoritos.

"Sou antes de mais um cientistas", diz este último, notando, no entanto, que é a sua "fé em Deus" que lhe dá "coragem" para fazer a sua investigação. "É necessário ter fé para nós dizermos que há respostas e leis para descobrir e que o universo não é apenas um caos", sublinha Guy Consomagno.

Um telescópio antigo está instalado no observatório, mas serve hoje para o papa, e apenas para espreitar os planetas próximos. O Observatório do Vaticano instalou um telescópio moderno no Arizona (EUA) e é aí que oito outros religiosos levam a cabo o trabalho científico actualmente. Em Castel Gandolfo respira-se a História.