"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

quarta-feira, junho 30, 2010

Polémica

Os misteriosos espiões nada espiavam, só se americanizavam
http://www.publico.pt/Mundo/os-misteriosos-espioes-nada-espiavam-so-se-americanizavam_1444525
Por Jorge Almeida Fernandes

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Cinco dos dez alegados membros de uma rede espionagem russa, detidos no domingo, compareceram ontem perante um juiz federal em Nova Iorque, que ordenou a sua detenção preventiva.
Cinco dos dez acusados compareceram ontem perante um juiz federal (DR)

Um 11.º suspeito foi detido em Chipre. Moscovo diz tratar-se de uma acusação "sem fundamento" e questiona o momento e os objectivos da operação, logo a seguir à visita do Presidente Dmitri Medvedev aos Estados Unidos. O caso combina todos os ingredientes das estórias de espionagem com um mistério: os acusados pouco ou nada espiaram em mais de dez anos de actividade.

A rede estaria a ser vigiada pelo FBI desde então. O objectivo dos elementos da rede, diz a agência, era integrarem-se na sociedade, tornando-se "suficientemente americanizados" para poderem recolher informações, recrutar fontes e infiltrar-se nos meios dirigentes americanos ou junto de jornalistas e think-tanks.

Os detidos não foram ainda acusados de espionagem mas de "conspiração", por serem agentes clandestinos de um governo estrangeiro e por "lavagem" de dinheiro. Não terão tentado obter informações secretas.

A crer no FBI, nada espiaram. Observam especialistas da espionagem que a criação da rede poderia ser um objectivo em si mesmo: a infiltração de agentes "ilegais", isto é, com identidade falsa e sem cobertura diplomática, nos países ocidentais.

Os acusados, que se apresentavam como americanos, canadianos, peruanos ou britânicos, teriam sido treinados pela espionagem russa, o Serviço de Informação Externa (SVR), recebendo uma identidade falsa e uma "lenda" pessoal. " Com uma excepção, viviam na América desde os anos 90, nos subúrbios da classe média, em Boston, Seattle, New Jersey ou Nova Iorque. Altamente qualificados, alguns trabalhavam como consultores de grandes empresas.

A missão

Uma mensagem dos chefes do "Centro" de Moscovo, alega o FBI, resume a sua missão: "Sois enviados para os EUA para uma missão de serviço de longa duração. (...) A vossa educação, contas bancárias, carro, casa, etc., visam um único fim, cumprir a missão, isto é, procurar e desenvolver laços nos círculos de decisão política e enviar intels [relatórios de informação] ao C[entro]."

Os alegados agentes pouco ou nada terão feito além de criar as suas novas identidades e executar uma rotina de contactos. Viajavam para Moscovo, via Roma. Trocavam computadores portáteis e sacos de dinheiro - na rua, em parques públicos ou escadas do metro. Tanto usavam a clássica tinta invisível como codificavam mensagens por métodos sofisticados, que enviavam para o "Centro" por redes privadas de comunicação, via computador. O FBI precisa detalhadamente os métodos, não os conteúdos.

Os agentes do FBI não só os seguiam como também conversavam com eles, sob o disfarce de agentes russos. O SVR queria, por exemplo, informação sobre a política americana para a Ásia Central ou o Irão, sobre a avaliação ocidental da política russa ou sobre o uso da Internet por terroristas.

Anota o FBI que o "Centro" ordenou a um dos acusados, Cyntia Murphy, "que tentasse obter um emprego que lhe permitisse contactar fontes próximas da Administração americana (...) mas o grupo de "conspiradores de New Jersey" respondeu que Murphy temia que lhe pedissem demasiados detalhes sobre o seu percurso profissional".

Efeitos políticos?

Oleg Gordievsky, antigo coronel e desertor do KGB, diz à Reuters que, "em Moscovo, eles estão furiosos" por verem desmantelada uma rede de "ilegais" desta dimensão.

A explicação possível da iniciativa seria dispor de uma rede "adormecida", sonho de muitas secretas. Ou talvez um mero desperdício: os espiões poderiam informar Moscovo lendo os jornais ou pesquisando na Internet.

A incógnita seguinte é a dos efeitos políticos. O MNE russo, Serguei Lavrov, ironizou: "O momento em que fizeram isto foi escolhido com certa elegância." Ou seja, dias depois de Obama e Medvedev se fazerem filmar a comer hambúrgueres. A Casa Branca admitiu ontem que Obama estava já então a par do caso.

Comenta Paul Reynolds, da BBC: "Diplomaticamente, é desastroso. Mostra uma desconfiança a longo prazo por parte dos russos. (...) Deixa um gosto amargo na boca de Obama." Mas o Departamento de Estado garante que se trata de um "vestígio" do passado que não porá em causa a melhoria das relações bilaterais.

quinta-feira, junho 24, 2010

Reino Unido enfrentará crise alimentar se não ajudar as abelhas
22.06.2010 - 15:50

http://ecosfera.publico.pt/biodiversidade/Details/reino-unido-enfrentara-crise-alimentar-se-nao-ajudar-as-abelhas_1443124


O Governo britânico lançou hoje um projecto, orçado em 10 milhões de libras (11,9 milhões de euros), para descobrir como travar o desaparecimento de abelhas e outros insectos polinizadores no país. Dentro de uma geração, poderá ter em mãos uma crise alimentar, alertam os cientistas.
As abelhas estão a desaparecer do Reino Unido a um ritmo mais elevado do que em qualquer outro país europeu

(Ali Jarekji/Reuters)
As abelhas estão a desaparecer do Reino Unido a um ritmo mais elevado do que em qualquer outro país europeu. Segundo o jornal “Daily Telegraph”, mais de metade das colmeias morreu nos últimos 20 anos.

Estes animais, bem como outros insectos, polinizam e fertilizam as plantas das quais tiramos alimentos, como maçãs e abóboras, e são o garante da qualidade de frutos e legumes. Por exemplo, o “The Guardian” sublinha que o número de sementes de uma abóbora depende do número de espécies de insectos que polinizaram a planta.

Assim, mais do que conservar a biodiversidade, o programa “Insect Pollinator Initiative” – que inclui nove projectos de investigação, a decorrer ao longo de cinco anos - pretende responder a um problema de segurança alimentar, comentou Matt Shardlow, director-executivo da organização Buglife. Este será o maior estudo realizado naquele país sobre as razões do desaparecimento dos insectos.

Tanto mais que se estima que o serviço prestado por estes insectos polinizadores represente um valor de 440 milhões de libras (526 milhões de euros) para a economia britânica. Dito de outra forma, se todos os insectos polinizadores desaparecessem do Reino Unido, as quebras de produtividade agrícola custariam à economia britânica 440 milhões de libras por ano.

Segundo o “Daily Telegraph”, a Universidade de Dundee vai investigar se alguns pesticidas danificam o sistema nervoso das abelhas, impedindo-as de encontrar as melhores fontes de alimento ou afectando a sua capacidade para se alimentarem e regressarem à colmeia.

Já a Universidade de Bristol vai analisar se as abelhas “gostam” mais de ambientes urbanos ou de “monoculturas” de plantações em espaços rurais. A investigadora Jane Memmott vai identificar os locais mais ricos em espécies de insectos polinizadores em Bristol, Reading, Leeds e Edimburgo.

Lorde Henley, ministro do Ambiente, explicou que estes projectos visam perceber as razões do desaparecimento das abelhas e apresentar formas para aumentar as suas populações. “As abelhas, e as borboletas têm um papel essencial para que tenhamos comida na nossa mesa, através da polinização de muitas plantações vitais. Esta iniciativa vai ajudar-nos a identificar por que razão estão os números das abelhas a diminuir e o que nos pode ajudar a tomar as medidas certas”, comentou, citado pelo “Daily Telegraph”.

segunda-feira, junho 21, 2010

Estudo
Música romântica é arma de sedução poderosa
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1598693

por PEDRO VILELA MARQUESHoje


Mulheres ficam mais sensíveis aos avanços masculinos depois de ouvirem baladas.


"Linda, linda, esta balada que te dou." Nunca a canção de Armando Gama fez tanto sentido como agora, em que um estudo de três investigadores franceses, publicado na revista Psicologia da Música, demonstra que as mulheres são mais susceptíveis a marcar um encontro depois de ouvirem músicas românticas.

Muitas investigações já revelavam que videojogos ou músicas com letras violentas podem levar a comportamentos agressivos. Mas Nicolas Guéguen e Céline Jacob, da Universidade Bretagne-Sud, juntamente com Lubomir Lamy, de Paris-Sud, decidiram inverter a questão: as baladas terão efeito sobre quem as ouve?

Para responder à pergunta, os investigadores - que já tinham demonstrado os efeitos de música romântica sobre consumidores em floristas - decidiram testar letras românticas em mulheres entre os 18 e os 20 anos. Para tal, escolheram duas músicas, a romântica Je l'áime à mourir, de Francis Cabrel, e outra neutra, L'heure du thé, de Vincent Delerm. Depois pediram a um grupo de mulheres extra estudo para escolherem doze homens que considerassem atractivos, de onde saiu o eleito para servir de "engodo".

Encontrados os actores e a banda sonora, faltava apenas montar o cenário. Os investigadores colocaram 87 mulheres em salas de espera com música ambiente, antes de entrarem para um estudo de mercado falso, onde iam debater com o jovem escolhido no casting a qualidade de dois alimentos diferentes. Assim que a reunião começava, a moderadora ausentava-se durante uns minutos e deixava o actor fazer o seu papel. "Como já sabes, o meu nome é Antoine. Acho que és muito bonita e estava aqui a pensar se não querias dar-me o teu número de telefone, para falarmos mais tarde e combinarmos um copo para esta semana..."

Comovidas pela música romântica, mais de metade das mulheres (52%) que ouviram Cabrel minutos antes deram o número de telefone ao falso galã, enquanto pouco mais de um quarto (28%) das que ficaram na sala com música ambiente neutra cederam. "Os nossos resultados confirmam que os efeitos da exposição a diferentes conteúdos mediáticos não se limitam à apetência pela violência e podem influenciar um grande leque de comportamentos", conclui Nicolas Guéguen.

Investigação

Os robôs estão a chegar à cidade
21.06.2010 - 13:30
http://www.publico.pt/Tecnologia/os-robos-estao-a-chegar-a-cidade_1442922
Por João Pedro Pereira

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Em 1942, o escritor americano Isaac Asimov delineou, num dos seus muitos contos, as três leis da robótica. É um conjunto de regras que se tornaram bem conhecidas de todos os fãs da ficção científica. E são ainda hoje, de longe, a mais famosa tentativa de sistematização das regras de interacção entre homens e robôs.
As leis de Asimov são princípios gerais de comportamento para garantir uma pacífica convivência entre robôs e humanos. A primeira e mais importante das leis estabelece que “um robô não pode ferir um ser humano ou, por inacção, permitir que um ser humano sofra algum mal”. As duas seguintes determinam que os robôs devem obedecer aos humanos e que devem proteger a sua própria existência.

Ora, estas leis (várias vezes revistas, tanto por Asimov como por outros autores) são muito conhecidas no meio académico – mas servem sobretudo para o ambiente de ficção científica em que foram criadas (e são mote para histórias em torno de robôs maléficos e desobedientes da lei, que se revoltam contra os humanos). No mundo real, os cientistas têm ainda outros problemas para resolver. Por um lado, porque os robôs verdadeiros são muito menos sofisticados do que os imaginados. Por outro, porque a convivência quotidiana entre robôs e pessoas ainda é um cenário de ficção científica.

Algures já nos próximos dez anos, porém, as cidades poderão estar um pouco mais próximas da fi cção, argumenta o investigador João Silva Sequeira, do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores do Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa. O IST foi uma das instituições que participaram no URUS, um projecto de três anos e quatro milhões de euros, que envolveu 11 instituições de investigação e cujo objectivo era desenvolver robôs capazes de funcionar – e ser úteis – no complexo ambiente que são as cidades. Um dos desafios deste tipo de projectos passa precisamente por fazer com que humanos e robôs consigam interagir.

Porquê uma máquina?

Em finais do mês passado, os responsáveis do URUS puseram um carro – um pequeno Smart, rebaptizado SmartTer, que significa “mais esperto” – a andar sozinho em algumas ruas de Barcelona, a cidade onde o projecto foi conduzido (as ruas estavam, porém, cautelosamente vedadas). O carro faz percursos, evita obstáculos, trava se alguém se atravessar à frente. É um táxi autónomo, explica João Sequeira (partindo do princípio de que alguém se aventura num táxi sem ninguém ao volante).

O carro, contudo, não anda completamente sozinho: precisa da ajuda de mapas e de toda uma infra-estrutura de sensores, montados nas ruas, que lhe permitam saber onde está e por onde seguir. E aqui as dificuldades – com este robô ou com qualquer outro que tenha de se mover em locais complexos – começam a surgir.

Um problema é garantir uma comunicação constante entre a infra-estrutura de sensores e a máquina no terreno. “Não é razoável ter robôs nas ruas a falhar”, nota Sequeira.

A questão é que tanto nas comunicações via telemóvel como nas comunicações em redes de Internet sem fios é normal que os dados demorem a chegar de um ponto ao outro. Os humanos são tolerantes a estas falhas e conseguem continuar a funcionar sem problemas de maior (mantemos uma conversa ao telemóvel, mesmo que haja algumas interrupções e isso não nos impede de perceber o diálogo). Já para os robôs, alguns segundos sem comunicação bastam para que o correcto funcionamento fique comprometido.

A criação de robôs pode trazer problemas técnicos (como o da fiabilidade das comunicações) que os académicos acham muito interessantes. E também faz as delícias dos fãs de ficção científica. Mas, nas ruas de uma cidade, quais as razões para usar robôs em vez de pessoas? João Sequeira vê várias situações em que as máquinas seriam melhores.

Por exemplo, podem servir para tarefas que para os humanos são monótonas e repetitivas, como fechar os portões de jardins públicos à noite ou recolher lixo (em Itália, cientistas desenvolveram o DustBot, um robô verde, de aspecto atarracado e simpático, que serve para recolher sacos de lixo).

Outra opção é pôr estas máquinas a desempenhar tarefas que implicam riscos, como a vigilância nocturna. E também podem servir de assistentes pessoais ou de pontos de informação ambulantes. Um robô poderia ser ainda um bom recepcionista, diz João Sequeira (recentemente, a portuguesa YDreams desenvolveu uma série de pequenos robôs que acolhem e guiam visitantes do campus financeiro do banco Santander, nos arredores de Madrid). Idealmente, um robô recepcionista seria capaz de falar várias línguas e de ter memorizadas as regras culturais e sociais que deveria adoptar para cada visitante. “Por exemplo, em algumas sociedades, abordar alguém por trás não é bem visto.” As questões culturais, porém, são precisamente um ponto em que os investigadores ainda têm muito trabalho pela frente.

A cabeça é importante

Para além do SmartTer, o URUS desenvolveu outros dois robôs, chamados Tibi e Dabo (Tibidabo é o nome de uma montanha em Barcelona). Os dois foram desenhados para poderem vir a servir de guias turísticos.

A ideia é de que andem pelas ruas, respondam quando chamados e permitam que as pessoas obtenham informações através do ecrã com botões que está instalado na parte da frente. Foram construídos com base em Segways, espécie de scooters eléctricas de duas rodas, por vezes usadas pela polícia ou então por turistas que querem uma forma rápida e divertida de conhecer uma cidade. Às Segways, foi acrescentado um corpo, com braços e cabeça. São pouco mais baixos do que um homem adulto.

Contrariamente ao SmartTer (que mantém o aspecto de um carro, mas com uma série de aparelhos acoplados), Tibi e Dabo aproximam-se mais daquilo em que pensamos quando pensamos em robôs. São máquinas antropomórficas. E até têm um aspecto amistoso, apesar de não terem boca nem sobrancelhas, elementos faciais que, na robótica, são muito usados para simular emoções, como alegria, tristeza e irritação.

Os braços de Tibi e Dabo servem precisamente para os dotar de um aspecto mais humano. Não têm qualquer função prática — mas são importantes para fazer com que as pessoas se aproximem e estejam à vontade. Um “caixote com rodas” não teria o mesmo efeito, garante João Sequeira, dando como exemplo algumas experiências conduzidas no próprio IST, com robôs telecomandados. Numa experiência, Sequeira juntou na mesma sala robôs telecomandados (com o formato de “caixotes com rodas”) e alunos de doutoramento. A ideia era a de que os robôs interagissem, através do movimento, com os humanos, levando-os a fazer algumas acções, como sair da sala. Mas a comunicação entre pessoas (ainda que experientes a lidar com a tecnologia) e os caixotes com rodas não foi fácil — e alguns não se sentiam confortáveis quando os robôs lhes tocavam.

Há outras experiências a mostrar que os robôs nem sempre são socialmente aceites. Muitas crianças, por exemplo, são violentas em relação a estas máquinas.

Neste campo, a pergunta que os cientistas colocam, explica o investigador do IST, é “Que tipo de robôs gostaríamos de encontrar nas ruas?” E esta é uma questão em que os engenheiros precisam da ajuda das ciências sociais. As expectativas e o à-vontade a interagir com os robôs são influenciados por inúmeros factores.

Um estudo da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, indicou que as pessoas mais extrovertidas preferem um robô de aspecto mais humano, ao passo que as introvertidas se sentem mais confortável como um desenho mais mecânico, como uma simples caixa com uma cabeça. Já a distância a que os robôs se podem aproximar sem causar susto ou desconforto é essencialmente uma questão cultural. Nas culturas latinas, por exemplo, o espaço pessoal é mais reduzido e as pessoas sentem-se confortáveis a pouca distância umas das outras — e, em princípio, também mais confortáveis com a proximidade de robôs humanóides.

Os estudos apontam para que as pessoas tendem a gostar de ver nas máquinas algumas características antropomórficas — e “algumas” é uma palavra-chave, refere João Sequeira. Se o robô for demasiado parecido com um humano, o desconforto volta a surgir. “Todas as pessoas querem uma cabeça. E também gostam que o robô exprima emoções.” Mas há um ponto que não deve ser ultrapassado: “As pessoas querem perceber que se trata de uma máquina”.

quinta-feira, junho 17, 2010

O célebre pintor renascentista terá, afinal, morrido com uma insolação, já fragilizado pela sífilis

Cientistas afirmam ter encontrado os ossos do Caravaggio
17.06.2010 - 17:18
http://www.publico.pt/Ciências/cientistas-afirmam-ter-encontrado-os-ossos-do-caravaggio_1442335
Por Ana Gerschenfeld

Após um ano de esforços, uma equipa de investigadores italianos afirma ter identificado as ossadas do célebre pintor renascentista Caravaggio, salientando porém que as hipóteses de terem razão são de 85 por cento – e não de 100 por cento. Trata-se de um fragmento de crânio, dois fragmentos de maxilar, um fémur e um fragmento do sacro, que foram ontem apresentados numa conferência de imprensa, em Ravena, numa caixa forrada a seda vermelha.
(Tony Gentile/Reuters)

Michelangelo Merisi da Caravaggio revolucionou a pintura europeia com a sua utilização ímpar do contraste entre luz e sombra, numa técnica dita de chiaroescuro. Nasceu em Caravaggio, Lombardia, em 1571, e terá morrido numa praia toscana a 18 de Julho de 1610 – não tinha ainda 39 anos. Teve uma vida agitada: gostava de brigas de rua e, em 1606, matou um homem. Já no auge da sua carreira, viu-se obrigado a abandonar Roma para fugir à justiça. O seu percurso levá-lo-ia primeiro a Nápoles e a seguir a Malta e à Sicília.

“Estamos a ser prudentes. Enquanto historiador, posso dizer que encontrámos os restos [do Caravaggio]”, disse Silvano Vinceti, o impulsionador do projecto – cujo trabalho, escrevia recentemente o Wall Street Journal, é controverso por não ser nem historiador nem cientista profissional. Vinceti é conhecido pela reconstituição digital do rosto de Dante Alighieri a partir dos seus restos – e já anunciou que tenciona fazer o mesmo com os de Leonardo da Vinci.

Os presumíveis ossos do Caravaggio, enterrados numa vala comum na aldeia toscana de Porto Ercole misturados com os de mais duas centenas de indivíduos, foram transferidos em 1956 para um ossário. E agora, os cientistas e historiadores envolvidos, provenientes de quatro universidades italianas, estudaram nove achados “candidatos”, lendo documentos históricos, realizando datações com carbono 14 e análises de ADN. Os resultados sugerem várias outras causas possíveis de morte, para além das que já tinham sido avançadas por outros especialistas, que especulavam que o artista teria sido assassinado por um inimigo ou sucumbido à sífilis ou à malária.

Nos últimos dias da sua vida, o Caravaggio estaria a regressar a Roma para pedir perdão pelo seu crime de quatro anos antes. Estava fragilizado pela sífilis, mas é possível que tenha também sofrido de saturnismo (intoxicação com chumbo, devido aos pigmentos que utilizava para pintar). Tanto a sífilis como o saturnismo provocam perturbações mentais que poderão explicar em parte o comportamento errático do pintor ao longo da sua vida.

Os cientistas escolheram o “achado nº5” por várias razões: os ossos indicavam um homem com a idade certa que terá morrido na altura certa – e continham altos níveis de chumbo. Também compararam o ADN dos ossos ao de habitantes actuais de Caravaggio com apelidos como Merisi e Merisio, concluindo que existem traços genéticos indicadores de parentesco. “Apenas um dos conjuntos de ossos possuía todos os elementos para ser do Caravaggio”, disse Giorgio Gruppioni, antropólogo da Universidade de Bolonha e elemento da equipa. A derradeira causa da morte terá contudo sido a insolação, num ano em que, determinaram, o Verão toscano foi extremamente quente.

quarta-feira, junho 16, 2010

não são só as riscas que salvam as abelhas

Não são só as riscas que salvam as abelhas
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1581783&seccao=Sabia que
30 Maio 2010


Estudo Os investigadores descobriam que podem não ser apenas as riscas amarelas e pretas que protegem as abelhas dos predadores. A forma do seu corpo, o padrão de voo ou até o som que fazem a voar poderão ter também influência, segundo um estudo britânico publicado no Journal of Zoology.

"A primeira vez que um pássaro come uma abelha tem uma surpresa desagradável. Lembrar--se das cores berrantes da abelha pode ajudar a ave a evitar cometer o mesmo erro outra vez. Queríamos testar a ideia de que as abelhas da mesma região tinham parecenças para aumentar a protecção dos predadores locais", disse Nigel Raine, da Escola de Ciências Biológicas de Royal Holloway.

Para tal, estudaram a população de abelhas na Sardenha, Alemanha e Reino Unido, procurando entender se os predadores preferiam atacar abelhas com padrões muito diferentes dos que anteriormente tinham encontrado. Mas não foi isso que encontraram. "Os predadores não pareciam escolher como alvo as abelhas com padrões diferentes das nativas. Talvez o som distintivo que todas fazem ao voar seja mais importante para ajudar os predadores a evitarem a desagradável picada", acrescentou Raine.

É possível um chocolate adiar envelhecimento e acabar com rugas?
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1586620&seccao=Sa%FAde

por CATARINA CRISTÃO06 Junho 2010


Uma empresa suíça diz ter um chocolate que, consumido diariamente, ajuda a acabar com as rugas, graças às propriedades antioxidantes do cacau. Os médicos mostram-se cépticos e dizem que esta promessa pode levar a um consumo excessivo e prejudicial para a saúde saúde.

A Barry Callebaut, um dos maiores produtores de chocolates do mundo, acabou de lançar o Acticoa, um chocolate que, garante a empresa suíça, ajuda a acabar com as rugas e retarda o envelhecimento da pele com o consumo de apenas 20 gramas por dia. Os médicos portugueses mostram-se cépticos e até preocupados com a propaganda, que dizem ser enganadora: não há prova científica e esta promessa pode levar a algumas atitudes negativas na alimentação.

"O chocolate não tem qualquer influência na pele", sublinha o dermatologista Carlos Resende. "Não recomendo o consumo de chocolate, muito menos para evitar o envelhecimento da pele", indica ainda a nutricionista Florbela Mendes. "O cacau tem alguns benefícios, mas tirar as rugas é um exagero", concorda o dermatologista António Picoto.

A chave do sucesso da fórmula anti-idade do novo chocolate, diz a Barry Callebaut, é o alto teor de cacau e a preservação dos seus antioxidantes naturais, os flavonóides, geralmente destruídos durante o processo de fabricação dos chocolates. "Os grãos do cacau contêm mais de 200 substâncias que são importantes para a saúde, como o flavonol, que tem poderes de preservação e efeitos positivos para o corpo e para a mente", sublinhou ao DN Raphael Wermuth, porta-voz da Barry Callebaut, que enumera um conjunto de estudos para comprovar os efeitos positivos do Acticoa.

Uma das investigações é da Universidade de Medicina de Londres, publicada em Setembro de 2009: durante seis semanas, 30 pessoas saudáveis, com uma média de 50 anos, consumiram diariamente uma tablete de Acticoa. "O resultado foi uma hidratação e elasticidade da pele na ordem dos 21%", garante.

Segundo o porta-voz, o consumo diário do novo chocolate protege a pele dos radicais livres e ajuda a amenizar os danos causados à pele pelo tabaco, poluição, cafeína e poucas horas de sono - factores que aceleram o envelhecimento da pele.

A nutricionista Florbela Mendes reconhece alguns benefícios ao chocolate, mas garante que "não faz milagres" e que esta propaganda "pode levar a um consumo exagerado e prejudicial".

"Há outros alimentos mais saudáveis onde se pode ir buscar alguns antioxidantes, como aos frutos vermelhos", aconselha (ver texto ao lado). "Não recomendo o consumo de chocolate nestas circunstâncias, sobretudo do chocolate branco ou o de leite, que contêm muita gordura e açúcares", alerta ainda a nutricionista.

"Para que uma tablete de chocolate possa ter alguns benefícios, é preciso que a percentagem de cacau seja elevada", sublinha o nutricionista clínico Rodrigo Abreu. Segundo o especialista, o melhor chocolate é o amargo, que contém no mínimo 70% de pasta de cacau. "Só este tem os efeitos benéficos dos antioxidantes", assegura.

No entanto, segundo o especialista, "o facto de um alimento, tanto chocolate como sumo de fruta ou vinho, fornecer determinado nutriente não significa linearmente a obtenção dos benefícios proporcionados por esse nutriente. A saúde e bem-estar fazem-se no todo e não apenas por partes".

A presidente do Cacau Clube de Portugal, Odete Estêvão, assina por baixo. "O chocolate faz bem à saúde e à pele, desde que inserido numa alimentação equilibrada, como eu faço", garante a presidente, que come uma barrinha de chocolate todos os dias, assegurando parecer mais nova por causa disso.

"Mas só como chocolates de qualidade. Aliás, esse é o objectivo do clube, promover o cacau e o chocolate, mas apenas produtos bons", explica.

As clínicas de estética também publicitam as máscaras de chocolate como muito benéficas para a pele: "O cacau ajuda a clarear, dando mais luminosidade, diminui os poros dilatados e melhora o tónus da pele", assegura Daniela Pires, das Clínicas Praestigium.

Os dermatologistas, por outro lado, não se mostram nada convencidos. Alexandra Osório, da clínica DermAge, assegura que não é pelo chocolate que se evitam as rugas e Carlos Resende é ainda mais crítico: "Se são imputados alguns benefícios ao chocolate, não é para pele. Não há nada na sua composição que faça isso."

"A maior protecção que podemos dar à pele é ter cuidado e afastá-la da exposição solar", conclui o dermatologista António Picoto.

Elas preferem a beleza, eles escolhem pela distância
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1594123
por CÉU NEVES


Homens e mulheres escolhem locais diferentes, mas os custos preocupam ambos

As mulheres portuguesas dão mais importância à beleza dos locais para passar férias do que ao tempo que demoram para chegar ao destino, enquanto as distâncias revelam ser mais importantes para os homens. E elas elegem a França como o país que gostaram mais de visitar, enquanto eles se ficam por Espanha.

As preferências foram reveladas num inquérito da Marktest sobre "as férias dos portugueses", a 400 cidadãos, de ambos os sexos, residentes em Portugal e com mais de 25 anos. O questionário foi realizado via Internet e através do site www. hotéis.com.

Os dois sexos justificam a opção de "fazer férias cá dentro" com o facto de os custos serem mais reduzidos do que aqueles que envolveriam viajar para o estrangeiro. Em segundo lugar, dizem pretender aprofundar o conhecimento do País, mas estes são os únicos factores em que ambos coincidem. Já as terceiras e quartas razões de escolha do local de férias são divergentes. Para 17,4% das mulheres inquiridas é mais importante a beleza do local (7,5% no sexo masculino), enquanto que para 15% dos homens fazer férias em Portugal prende-se com tempo reduzido da viagem (8,2% para o sexo feminino).

Divergências que confirmam outros estudos na mesma área, nomeadamente sobre actividades de lazer, segundo a psicóloga Marina Carvalho.

"Os homens procuram actividades mais "instrumentais", mais centradas nos objectivos da actividade, eventualmente procurando um grupo de pares semelhantes e com os mesmos interesses, em geral, outros homens. Já as mulheres procuram actividades mais "sociais", algo que lhes permita, também, conversar e socializar. Este é um padrão de divergência que encontramos frequentemente entre os dois sexos", explica a psicóloga, professora na Universidade Lusófona e directora da Unidade de Psicologia do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio.

Diferença de comportamentos que explica que elas tenham melhores recordações de França e eles de Espanha. No Top três das melhores recordações de férias, as preferências dos homens alargam-se ao Brasil e à Suíça, enquanto que as mulheres elegem a Espanha e a Itália. Elas colocam a Tunísia, a Holanda e a Bélgica na lista dos 11 lugares preferidos, destinos não referidos por eles que, incluíram, também, o México e a Alemanha.

A escolha dos países para passar férias, além de depender do comportamento diferenciado entre os dois sexos, também é motivada pela idade dos inquiridos, pelas circunstâncias em que ocorreram, pelas companhias, etc., alerta Mariana Carvalho.

"As diferenças não se explicam apenas com base nos interesses de cada um dos sexos. A escolha de um local de férias dependerá da idade da pessoa, se vai sozinha, com um companheiro ou em grupo", argumenta. E observa que a maioria dos países mais votados localizam-se na Europa, destinos mais acessíveis para os portugueses, pelo menos, ao nível do custo das viagens.

água interior

Investigação
Lua tem mais água interior do que se pensava até hoje
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1594143
por FILOMENA NAVESHoje


Nova análise das rochas lunares trazidas pelos astronautas das missões 'Apollo' permitiu fazer a descoberta

Os 12 homens que caminharam sobre a sua superfície encontraram um mundo árido e durante mais de 40 anos pensou-se que a Lua não tinha pinga de água. Era isso que mostrava também o estudo das amostras de rochas trazidas pelos astronautas das missões Apollo. Mas, afinal, não é assim. Há mesmo água nas rochas lunares e talvez também no próprio interior do satélite natural da Terra. O estudo que o indica foi publicado ontem na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Durante anos, diferentes grupos de cientistas estudaram as amostras trazidas da Lua pelos astronautas americanos de 1969 a 1972, mas as técnicas de análise de que dispunham não permitiram detectar indícios de água. O primeiro sinal positivo só chegou em 2008, quando um grupo de investigadores utilizou uma nova técnica de espectrometria de massa e detectou água em rochas vítreas que estavam entre as amostras.

Agora uma outra equipa, esta do laboratório do Carnegie Institution's Geophysical Laboratory, foi mais longe e vem dizer que há cem vezes mais água naquelas rochas lunares do que se pensava.

A água foi identificada em amostras de apatite e isso pode indicar que haverá também água no interior da Lua.

"É gratificante ver esta prova da existência de água", sublinhou o cientista lunar Bradley Jolliff, citado pela Science Daily. "As concentrações são muito baixas e portanto eram indetectáveis até há pouco, mas a partir de agora podemos começar a pensar nas implicações [desta descoberta] e na origem da água no interior da Lua", adiantou.

A equipa coordenada pelo investigador Francis McCubbin estudou um tipo de amostras lunares ricas em potássio, fósforo, urânio e elementos raros na Terra. Para o fazer, combinou a técnica de espectrometria de massa aplicada em 2008 com um modelo para simular o arrefecimento da Lua durante o qual aqueles materiais cristalizaram. A conclusão é que há ali mais água do que se supunha. Isso indica também que a água já estava presente no magma da Lua quando esta se formou há 4,5 mil milhões de anos e, portanto, deve permanecer alguma lá dentro.

Adolescência É o cérebro, estúpido!
http://jornal.publico.pt/noticia/16-06-2010/adolescencia--e-o-cerebro-estupido-19594859.htm
Por Ana Gerschenfeld

Por que é que os adolescentes são como são? Por que é que têm mudanças súbitas de humor, problemas de concentração, comportamentos de risco? Só muito recentemente é que os especialistas começaram a desvendar as bases neuronais destes autênticos enigmas


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É preciso paciência para aturar filhos adolescentes. Com a puberdade não é apenas o seu corpo que sofre uma transformação. A sua personalidade pode mudar radicalmente. Tornam-se impacientes, rudes, mal-humorados, descuidam os estudos e a sua paciência para aturar adultos desvanece-se sem deixar rasto. Passam horas frente à televisão a ver séries de inteligência duvidosa, fechados no quarto a ouvir música, a trocar mensagens cheias de interjeições e símbolos esquisitos com os amigos no Messenger, horas em cochichos e risinhos ao telefone, adoptam numa fracção de segundo uma aparência absolutamente inexpressiva e um olhar vazio quando um adulto os interpela, esgueiram-se habilmente de quarto para quarto de forma a evitar os pais, os seus horários deixam misteriosamente de coincidir com seja o que for que a família costumasse fazer em conjunto. E uma chamada de atenção por parte de qualquer adulto pode transformar-se num confronto.



Os pais, esses, não passam de uns marcianos que andam lá pela casa, cuja função se resume a garantir que há comida no prato à hora das refeições, a não os deixar fazer quase nada do que eles querem, a exigir que não se esqueçam dos trabalhos de casa, de dizer ocasionalmente "obrigado" e "por favor", de tomar duche e de lavar os dentes. As únicas coisas que parecem existir são o seu grupo de amigos e o seu espaço pessoal e secreto. Por vezes, contudo, imprevisível e incompreensivelmente, ficam ternurentos durante uns curtos instantes - com os pais, com os irmãos mais novos. Mas isso depressa lhes passa. Daaah...!! Esta expressão é a que melhor resume a atmosfera de incompreensão que frequentemente caracteriza o "retrato de família com adolescente(s)".



Claro que se trata de uma descrição esquemática da situação. Por vezes, as coisas correm melhor - sem problemas de maior na escola e na vida social e sem atritos familiares. Mas outras vezes também correm muito pior, com os jovens a adoptar comportamentos de alto risco, como o abuso de drogas e/ou álcool, as relações sexuais desprotegidas, as corridas de automóveis ou de motas a alta velocidade pelas estradas fora. A adolescência pode também acompanhar-se, nalguns casos particularmente extremos, de doença mental - e até conduzir ao suicídio.



"A muitos títulos, a adolescência é a altura mais saudável da vida", escrevia há uns meses Jay Giedd, psiquiatra de crianças e adolescentesdos National Institutes of Health norte-americanos e perito mundial da visualização do cérebro, no site da Dana Foundation, organização filantrópica de apoio à investigação do cérebro. "O sistema imunitário, a resistência ao cancro, a tolerância ao calor e ao frio e várias outras variáveis estão no seu auge. Porém, apesar dessa força física, a doença e a mortalidade aumentam 200 a 300 por cento [na adolescência]. (...) Para perceber este paradoxo de um corpo saudável associado a um cérebro [programado] para correr riscos, é preciso conhecer melhor a maneira como o cérebro se modifica durante este período da vida."



Um cérebro diferente



É precisamente isso que os cientistas - e em particular os neurocientistas - têm estado a tentar fazer, revelando uma visão totalmente nova do que significa atravessar a adolescência em termos do desenvolvimento cerebral. E ligando assim a neurobiologia aos comportamentos. Claro que este estudo das relações entre a fisiologia e a psicologia humanas ainda vai nos seus primórdios, mas já está a fornecer pistas interessantes.



Quando, há uns anos, se tornou possível visualizar o cérebro humano em acção, ao vivo e em directo, graças a técnicas como a ressonância magnética funcional e outras, abriu-se uma via para o estudo pormenorizado das estruturas e circuitos do cérebro humano - nomeadamente, do cérebro adolescente. E descobriu-se que a adolescência correspondia a um período de autêntica "tempestade cerebral" - a expressão é do cientista francês Jean-Pierre Changeux, autor do livro O Homem Neuronal (Ed. Dom Quixote, 1991) com quem o P2 teve a oportunidade de falar quando da sua passagem por Lisboa há uns dias para uma conferência na Fundação Gulbenkian.



Nesse mesmo local, Tom Insel, director dos National Institutes of Mental Health norte-americanos, tinha caricaturado umas semanas antes a situação dos adolescentes dizendo que o seu cérebro "se desligava" na puberdade para se tornar a ligar, "não se sabe bem porquê, por volta dos 18 anos". Mas tanto Insel como os muitos especialistas que se têm dedicado a estudar a questão já fazem uma boa ideia do que poderá estar a "ligar" e a "desligar" o cérebro adolescente.



Uma das grandes surpresas foi que, ao contrário do que se imaginava até aí, o cérebro humano não pára de desenvolver-se pouco depois da nascença (até por volta dos 18 meses, pensavam os especialistas). Antes pelo contrário, continua a desenvolver-se ao longo de toda a infância, da adolescência e mesmo do início da idade adulta. E, em particular, o volume de matéria cinzenta - a matéria "pensante" do cérebro, por assim dizer, continua a crescer ao longo da infância, para começar a diminuir a seguir à puberdade.



"O volume de matéria cinzenta do cérebro tende a diminuir a partir da puberdade (ou mesmo antes, dependendo da região cerebral em causa) até aos 20 ou 30 anos", diz-nos, numa conversa por e-mail, Sarah-Jayne Blakemore, especialista em neurociência cognitiva do University College de Londres. "Portanto, os adolescentes jovens (entre os 10 e os 15 anos de idade) possuem uma maior quantidade de matéria cinzenta, nomeadamente no seu córtex pré-frontal, do que os jovens adultos." O córtex pré-frontal é responsável pela nossa capacidade de estabelecer prioridades, planificar o futuro e organizar as ideias, elaborar estratégias, controlar os impulsos e focar a atenção. Tudo coisas que os adolescentes têm claramente dificuldade em fazer...



Com os seus colegas, Blakemore publicou há dias, no Journal of Neuroscience, um estudo no qual monitorizaram, por ressonância magnética, a actividade cerebral de 200 voluntários com idades entre os sete e os 27 anos, com o objectivo de medir, justamente, a sua capacidade de concentração. E o que observaram foi que, nos adolescentes, a activação do córtex pré-frontal era particularmente intensa. Isto sugere, segundo os investigadores, citados na imprensa britânica, que o cérebro do adolescente trabalha de forma menos eficiente que o do adulto. "Já sabíamos que o córtex pré-frontal das crianças pequenas funcionava de forma caótica", salientava Blakemore, citada pelo Guardian, "mas descobrimos que a parte do cérebro necessária para desempenhar certos processos de tomada de decisão ainda permanece em pleno desenvolvimento durante toda a adolescência. Isso significa que o cérebro continua a fazer muito trabalho desnecessário, quando precisa de tomar decisões do tipo das que testámos [que exigem uma certa resistência às distracções]."



Pensar como adulto



A partir do início da adolescência, portanto, o volume de matéria cinzenta começa a diminuir. Continuando a citar Giedd, "as células cerebrais, as suas ligações e os seus receptores de mensageiros químicos, ou neurotransmissores, atingem um pico durante a infância para a seguir declinar durante a adolescência". Mas esta não é a única mudança em curso; na realidade acontecem mais duas coisas: "A conectividade entre as diversas regiões cerebrais [a matéria branca] aumenta; e o equilíbrio entre os sistemas frontais (de controlo executivo) e os sistemas límbicos (emocionais) vai-se alterando", acrescenta Giedd.



Tudo isto significa que, durante a adolescência, o cérebro ainda tem matéria cinzenta a mais, uma incompleta conectividade à distância entre as diversas partes do cérebro e um equilíbrio incipiente dos aspectos cognitivos e emocionais. Nestas condições, pensam os cientistas, torna-se difícil pensar... como um adulto.



A explicação mais aceite entre os cientistas para a diminuição da matéria cinzenta a partir da puberdade consiste em dizer que, ao longo da adolescência, certas ligações entre neurónios passam a ser privilegiadas em relação a outras, nomeadamente sob a influência de factores exteriores. Os cientistas pensam que o fenómeno é semelhante a uma poda (os ramos são neste caso as ramificações que os neurónios projectam para se interligarem) com os ramos que são mais usados a serem reforçados, em detrimento dos menos usados.



O nosso cérebro estará assim a afinar as suas redes neuronais - processo que continuará até atingirmos a idade adulta. Também por isso será na altura da adolescência que se decide o nosso futuro intelectual. "Portanto", dizia Giedd numa entrevista à cadeia de televisão pública norte-americana PBS, "se um adolescente está a aprender música ou a fazer desporto ou a estudar, são essas as células e as ligações que vão ficar estabelecidasdefinitivamente; e se passam o tempo deitados no sofá a jogar jogos de vídeo ou a ver a MTV, serão essas as ligações celulares que irão sobreviver."



Quanto ao segundo aspecto do desenvolvimento do cérebro - o aumento do volume de matéria branca, que contém conexões neuronais mais compridas e ao mesmo tempo muito eficientes -, ele vai permitir interligar regiões cerebrais distantes com funções diversas, acelerando as comunicações entre elas e permitindo ao cérebro trabalhar de forma orquestrada. Só que, no início da adolescência, isso ainda não aconteceu.



Por último, no que respeita ao equilíbrio "razão-emoção", como a região pré-frontal é a última a amadurecer e ao longo da adolescência são os sistemas emocionais que primam, não é de admirar que os adolescentes adoptem comportamentos particularmente impulsivos. No fundo, apesar do seu aspecto físico "adulto", o que os neurocientistas têm vindo a perceber é que o cérebro dos adolescentes é mais semelhante ao das crianças do que ao dos adultos.



Um número crescente de estudos tem permitido perceber que os adolescentes estão, de facto, biologicamente "programados" para correr riscos, como já anunciaram este ano várias equipas, entre as quais a de Blakemore (na revista Cognitive Development). E também se descobriu recentemente que certas hormonas produzidas pelo organismo agem sobre os neurónios dos adolescentes de forma oposta à que teriam nos neurónios dos adultos, como mostraram em experiências em ratinhos, publicadas na revista Science, Sheryl Smith, da Universidade Estadual de Nova Iorque, e colegas. O que poderia explicar, segundo eles, não apenas as dificuldades de aprendizagem, mas também as súbitas mudanças de humor e os inexplicáveis estados de ansiedade dos adolescentes.



Tudo isto para dizer que, da próxima vez que o seu filho ou filha adolescente ficar insuportável, lembre-se que é o seu cérebro - esse órgão extremamente complexo, com 100 mil milhões de células e biliões de interconexões, alojado no crânio, por detrás dos olhos - ainda imaturo, a falar. Bem alto e de forma nem sempre coerente. E, em vez de se zangar, explore os seus dotes diplomáticos e tente evitar que o seu filho ou filha tomem decisões que possam ser irreversíveis. "A adolescência é ao mesmo tempo um período de grandes riscos e de grandes oportunidades", resume Giedd.

terça-feira, junho 08, 2010

Séculos I a.C. e IV século a.C.

Cemitério de gladiadores encontrado em estado de boa conservação
08.06.2010 - 20:08
http://www.publico.pt/Cultura/cemiterio-de-gladiadores-encontrado-em-estado-de-boa-conservacao_1441126
Por :, Maria Lisboa

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A principal pista foram as marcas de dentadas nas ossadas. Com esse e outros indícios sobre a descoberta, ao longo da última década, de 80 esqueletos em York, no norte de Inglaterra, pesquisadores ligados ao York Archaeological Trust acreditam ter encontrado o mais bem preservado cemitério de gladiadores romanos conhecido.
O arqueólogo Kurt Hunter Mann, responsável de campo, explicou ontem à imprensa britânica que as mordidas terão sido feitas por animais como leões, tigres ou ursos. O arqueólogo refere ainda lesões (curadas e não curadas) causadas por armas, nomeadamente no crânio.

Segundo Kurt Hunter Mann, todos os esqueletos encontrados se enquadram no perfil físico do que seria um gladiador romano, ou seja, são do sexo masculino, de constituição física robusta e de altura acima da média. Outro dado relevante: as marcas de assimetria nos braços dos esqueletos que os arqueólogos associam ao uso, desde cedo, de armas, levando ao desenvolvimento desigual dos braços.

Os esqueletos, de datação estimada entre os séculos I a.C. e IV século a.C., altura em que os romanos construíram arenas e anfiteatros em cidades como Londres e Chester, parecem ter sido enterrados juntamente com bens que os acompanhariam numa outra vida. Num dos sepulcros, juntamente com o homem, estavam vestígios do que parece ter sido carne de cavalo, vaca e porco, possivelmente consumida no funeral. Este homem terá sido decapitado com vários golpes de espada no pescoço.

Hunter Mann diz que tudo aponta para que sejam, de facto, os restos mortais de gladiadores romanos, mas explica que a investigação será continuada sem qualquer tipo de preconceitos.

nos anos 80 queríamos revistas semanais

Nos anos 80 queríamos revistas semanais. E hoje?
http://jornal.publico.pt/noticia/08-06-2010/nos-anos-80-queriamos-revistas-semanais-e-hoje-19456989.htm
Por Susana Almeida Ribeiro

Longe vão os tempos em que as revistas semanais norte-americanas marcavam a agenda. As capas da Time e da Newsweek faziam e desfaziam reputações, pessoas, empresas e instituições. Era o tempo pré-Internet, pré-blogues e pré-redes sociais. Pré-notícias instantâneas em todo o lado. A toda a hora. Era o tempo em que as pessoas esperavam uma semana pelas reportagens, um tempo em que ainda fazia sentido juntar as palavras news e week


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É uma piada recorrente. Nos EUA, quando alguém comenta uma notícia que leu na Newsweek, as pessoas perguntam-lhe se tem ido muitas vezes ao dentista. A revista está conotada com as casas dos avós e com os consultórios médicos. Apesar de ter servido de contrapeso liberal à conservadora Time e de ter mostrado sempre mais abertura aos temas da cultura popular, a verdade é que a Newsweek nunca se livrou do estigma de "segunda escolha" face à sua concorrente directa.



Publicada pela primeira vez há 77 anos, a Newsweek passou para o controlo do grupo que publica o The Washington Post em 1961. As décadas de 1980 e 1990 foram os anos de ouro das revistas semanais. Os artigos de capa faziam manchetes e marcavam a agenda das redacções. Todas as segundas-feiras, as revistas semanais chegavam às bancas como o selo de denominadores comuns para a nação.



Nos últimos tempos a Newsweek não esteve isenta de polémicas. A mais recente teve o rosto (e o corpo) da ex-futura-vice-presidente Sarah Palin. Sob o título Como é que se resolve um problema como a Sarah?, a ex-candidata foi fotografada em pose de miss, com uns calções de ginástica e o cotovelo apoiado numa bandeira americana. A capa foi apodada de sexista e mereceu críticas à esquerda e à direita.



Em 2005, a revista viu-se envolvida noutra polémica com um artigo que dava conta de que alguns militares americanos do centro de detenção de Guantánamo teriam alegadamente desrespeitado o livro sagrado dos muçulmanos ao atirarem um exemplar do Corão para uma latrina. A notícia, que acabou por revelar-se falsa, ateou conflitos no Afeganistão e chegou a fazer vítimas mortais, originando um tardio mea culpa editorial.



Fica igualmente para a história a decisão de não se avançar com a história sobre o affair da estagiária Monica Lewinsky com o Presidente Cliton, que acabou por ser tornada pública pelo Drudge Report, um site norte-americano com links para notícias de media, política e entretenimento. E o resto é história.



Para além destes pecadilhos editoriais, a Newsweek tem acumulado perdas na ordem dos milhões de dólares (29,3 milhões em 2009 e 16,1 milhões em 2008, entre 24 e 13 milhões de euros). Um quarto dos trabalhadores da revista perdeu o emprego nos últimos tempos. De uma circulação de 3,14 milhões de exemplares na primeira metade de 2000, a Newsweek passou para os actuais 1,5 milhões (nos EUA). De acordo com o Audit Bureau of Circulations, a circulação da Newsweek - bem como a da Time - regrediu hoje para os números registados em 1966.



Aproximando-se perigosamente do vermelho, a revista ainda tentou um relançamento no ano passado, altura em que apostou em mais artigos de opinião e mais reportagens de investigação (em vez de se limitar a passar a semana em revista), saindo para as bancas com um novo aspecto gráfico, apelando a um público mais dedicado e com maior poder de compra. Não foi suficiente. No dia 5 de Maio, foi anunciado aquilo que muita gente esperava: a The Washington Post Co. pôs o título à venda. Ainda não se sabe quem estará interessado em comprar a revista nem por quanto se poderá fazer o negócio, embora alguns analistas falem numa soma a rondar os dois milhões de dólares (aproximadamente 1,7 milhões de euros).



"A decisão é puramente económica", disse o director executivo do grupo, Donald E. Graham. "Eu não quis fazer isto, mas não conseguimos ver um caminho sustentável de lucro para a Newsweek", afirmou. "As perdas registadas na revista no período 2007-2009 bateram recordes. Estamos a explorar todas as opções para resolver o problema... No actual clima, a revista talvez se adapte melhor noutro lugar", disse ainda Donald Graham.



O director da Newsweek, Jon Meacham, a cuja falta de visão alguns atribuem a culpa pela queda em desgraça, fez saber recentemente no Daily Show de Jon Stewart que está a ponderar uma série de hipóteses, incluindo comprar o título ele mesmo, apoiado por um grupo de outros investidores. "Se alguém deve assumir a culpa por este fim, esse alguém sou eu - por não ter visto a tempo e não ter reagido da melhor maneira às mudanças introduzidas na nossa indústria", admitiu Meacham.



É isto o princípio do fim?



Alguns analistas consideram que era uma questão de tempo até que as revistas semanais começassem a capitular. Nos últimos anos, especialmente após a crise financeira mundial, o preço dos espaços publicitários caiu a pique e muitos anunciantes começaram a optar por publicitar os seus produtos em publicações dirigidas a nichos de mercado. A Newsweek teve no ano passado menos 26 por cento de páginas de publicidade. Revistas generalistas acabam por sofrer as consequências. A vontade de ser um denominador comum a toda uma nação tem essa desvantagem.



Paralelamente, a concorrência das actualizações ao segundo dos media on-line foi, provavelmente, a estocada final ao império magazinesco. A venda anunciada da Newsweek e - especula-se - a sua eventual transformação numa publicação totalmente digital são o exemplo acabado das transformações ocorridas nos últimos anos no panorama dos media.



"A questão aqui é simplesmente esta: a necessidade de notícias semanais diminuiu consideravelmente", explicou ao P2, num breve comentário por e-mail, Stuart Loory, professor da Faculdade de Jornalismo da Universidade do Missouri.



Os factos estão à vista: a Reader"s Digest entrou em bancarrota no ano passado, a BusinessWeek foi comprada por tuta e meia pela Bloomberg e a US News & World Report passou a publicar escassas dez edições por ano.



O problema reside no facto de já ninguém parecer necessitar de revistas que expliquem o que aconteceu durante a semana. Os jornais - em papel e on-line - fazem hoje análises instantâneas, em grande medida graças aos bloggers que atraem para o seu seio, e isso era a pièce de résistance dos magazines.



"As revistas semanais têm vindo a ser desafiadas a permanecerem relevantes, quer com notícias, quer com análise. Mas a Time parece estar a adaptar-se bem e a lucrar, ao passo que a Newsweek tem sempre ficado atrás da sua rival", explicou ao P2 Rick Edmonds, um analista de media do Poynter Institute. "Estou entre aqueles que pensam que o novo design da revista não resultou e que muitos dos artigos da nova Newsweek eram demasiado opinativos, pecavam por falta de reportagem e não eram assim tão interessantes", indicou Edmonds.



Se esta tendência continuar e se as pessoas comprarem cada vez menos jornais e revistas em papel, não é de estranhar que a própria Time desapareça das bancas. Os conteúdos disponibilizados na Net continuam a ser gratuitos - apesar do fim anunciado das edições livres do britânico The Times e do The New York Times - e a publicidade on-line não estar a crescer ao ritmo esperado (embora seja o único sector onde se prevê crescimento). Em 2009, a edição on-line da Newsweek fez "apenas" oito milhões de dólares de lucro (aproximadamente 6,7 milhões de euros).



Revolução tablets



Qual é então o veredicto para o género magazinesco? O próprio Donald Graham admitiu à Newsweek não saber a resposta: "Sabemos há vários anos que as revistas semanais são muito populares entre os seus leitores. Vivemos num mundo muito complicado e as revistas semanais ajudam a compreendê-lo. Onde não conseguimos ter sucesso foi na transição para o digital."



Numa altura em que as plataformas de conteúdos gratuitos se multiplicam e em que as notícias se transformaram em commodities, a questão central é saber se um produto jornalístico é relevante e se se continuará a dar dinheiro por ele. Só o público poderá responder a esta pergunta.



Num recente artigo da Wired, o jornalista Eliot Van Buskirk escrevia que, agora que foi posta à venda, a Newsweek pode ser a "experiência laboratorial perfeita" para o título em dificuldades se reinventar no universo digital. "No advento de uma revolução a partir dos tablets, com um milhão de iPads vendidos em menos de um mês, que tal se um investidor inteligente decidisse fazer da Newsweek uma publicação apenas para tablets, sem edição impressa e com edição on-line paga?".



Para que a revista funcione no universo on-line, será necessário, porém, transformar radicalmente o site, que muitos analistas consideram ter ficado com o mesmo aspecto desde 1999.



Muitos também opinam igualmente que a salvação da Newsweek poderá estar numa fusão com a Slate, a revista on-line do mesmo grupo.



Nas próximas semanas ficará a conhecer-se o destino da Newsweek. O grupo quer ouvir os potenciais interessados e espera que a venda ocorra sem grandes sobressaltos, de forma a que a revista não perca aquilo que tem de mais importante: a sua reputação. "Apesar da Newsweek não estar em bom estado, penso que é muito provável que alguém a compre - o título ainda tem algum prestígio e provavelmente fará sentido em grupos como a Thomson-Reuters ou a Bloomberg", disse ao P2 Rick Edmonds.