"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

sexta-feira, junho 24, 2011

Estudo publicado na Nature
O stress da cidade está a deixar uma marca no cérebro das pessoas
http://www.publico.pt/Ciências/o-stress-da-cidade-esta-a-deixar-uma-marca-no-cerebro-das-pessoas_1499868?all=1

22.06.2011 - 19:16 Por Nicolau Ferreira

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« anteriorO Metro à hora de ponta é só um exemplo do stress vivido na cidade, que infelizmente não acaba em cada experiência que se tem ou numa noite bem dormida. Foi isso que cientistas verificaram ao comparar pessoas que vivem em cidades com pessoas que vivem em zonas rurais. As primeiras reagem de uma forma diferente a experiências com stress. Esta diferença está marcada no cérebro, é mais profunda para quem nasceu e cresceu na cidade e está relacionada com doenças mentais como a esquizofrenia. O estudo foi publicado esta quarta-feira na revista Nature.
Há cada vez mais pessoas a viver em cidades (Rui Gaudêncio)

“A nossa informação revela efeitos neuronais em pessoas que crescem e habitam em zonas urbanas quando enfrentam situações de stress social”, conclui o artigo escrito por uma equipa do Instituto de Saúde Mental da Universidade de Heidelberg, na Alemanha.

O efeito da cidade no ser humano está longe de ser uma novidade e sabe-se por estudos descritivos que existe uma maior tendência de doenças mentais nas regiões urbanas. As pessoas têm 21 por cento de probabilidade acrescida de ter problemas de ansiedade e 39 por cento de terem problemas de humor. “Viver na cidade aumenta o risco de depressão e ansiedade e o rácio de esquizofrenia é marcadamente maior em pessoas que nasceram e cresceram na cidade”, escrevem os investigadores Daniel Kennedy e Ralph Adolphs, num artigo de análise da Nature sobre o estudo publicado agora.

Na nova investigação, a equipa liderada por Andreas Meyer-Lindenberg foi analisar o cérebro de alemães que vivem em três contextos diferentes: regiões rurais, regiões urbanas com mais de 10.000 habitantes e regiões com mais de 100.000 habitantes.

Os cientistas aplicaram vários testes de stress social a mais de uma centena de participantes saudáveis. Nos testes, as pessoas tinham que resolver problemas matemáticos ou espaciais em tempo limite e tinham uma pressão acrescida: um feedback negativo dos investigadores.

Os cientistas mediram vários parâmetros fisiológicos e através de imagens de ressonância magnética verificaram a resposta neuronal aos desafios. Os testes conseguiram induzir o efeito de stress nos participantes a nível fisiológico e cerebral mas houve diferenças importantes. A região da amígdala tinha uma actividade maior nas pessoas que viviam em zonas urbanas mais povoadas do que nas que vivam em zonas rurais.

Problemas desde o nascimento

A amígdala é uma região que sinaliza os efeitos negativos e as ameaças do ambiente. Paulo Machado não ficou surpreendido com estes resultados. Para o investigador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, “a experiência urbana é particularmente recente” na história do Homem, “é desafiadora” e pode fomentar o “desequilíbrio das pessoas”.

Segundo o especialista, esta resposta dos participantes é coerente face aos desafios que são colocados. “Está adaptada ao nível de stress que é imposto” nas regiões urbanas, disse o investigador, que não tem qualquer relação com o estudo, mas que o considera “altamente confirmatório” do que já se conhecia.

A análise cerebral também revelou que as pessoas que nasceram e cresceram em zonas urbanas tinham uma actividade anormal numa região específica do córtex durante as experiências. Esta região também está associada à resposta durante situações de stress num contexto social.

O que é que as cidades estão a fazer às crianças e aos adolescentes, quando estão nas escolas e mais protegidos de situações de stress? “As provas epidemiológicas sugerem que o efeito máximo acontece durante o nascimento, antes de chegarem aos jardins-de-infância – uma possibilidade é que a culpa seja do stress sofrido pelos pais”, explicou ao PÚBLICO Andreas Meyer-Lindenberg, coordenador da pesquisa.

Mais, o estudo mostra que nestas pessoas há uma ligação neuronal mais fraca entre a região da amígdala e a região do córtex. Esta ligação enfraquecida já era conhecida em doentes esquizofrénicos. Segundo o comentário de Kennedy e Adolphs, isto sugere “que neste circuito podem convergir um risco genético e um risco ambiental para o surgimento das doenças mentais”. Ou seja, se há uma tendência genética para alguém desenvolver algum tipo de doença mental, o ambiente stressante citadino pode dar um empurrão valente.

Esta questão é particularmente relevante para Paulo Machado. “Como nós hoje vivemos maioritariamente em cidades, isto deixa de ser um problema de uma minoria para passar a ser um problema de saúde pública”, explicou. Segundo o investigador, é preciso insistir neste estudos para tentar encontrar as causas directas de problemas que provocam o desequilíbrio e o stress nas pessoas. Um exemplo simples é o dióxido de carbono, que em maiores concentrações e durante largos períodos “aumenta exponencialmente a irritabilidade das pessoas”, disse o investigador português. Os taxistas ou condutores de transportes públicos estão especialmente vulneráveis a esta situação, que deve ser combatida. Já para a diminuição do stress, é preciso mudar o modo de vida, as rotinas, os horários, atitudes, comportamentos, o que é mais difícil.

“Nós não devemos olhar para estes estudos e dizer que alternativa é a não cidade. A cidade é uma das melhores invenções do homem”, disse. “O que precisamos é de uma verdadeira transformação do modo de vida urbano.”

um oceano salgado debaixo da sexta lusa de saturno

Há um oceano salgado sob o gelo da sexta lua de Saturno
http://www.publico.pt/Ciências/ha-um-oceano-salgado-sob-o-gelo-da-sexta-lua-de-saturno_1499962

23.06.2011 - 18:32 Por Clara Barata


Encelado, a sexta lua de Saturno, gelada à superfície, deve esconder um oceano salgado sob o gelo. É o que concluíram os cientistas que estudaram a análise das partículas sólidas dos géisers gigantes que saem do pólo sul deste pequeno satélite do planeta dos anéis feita por instrumentos a bordo da sonda Cassini da NASA: são sobretudo grãos de sal. As plumas de gelo e vapor de água, no pólo sul de Encelado (NASA/JPL/Space Science Institute)
Na verdade, 99 por cento dos materiais sólidos que são lançados para o espaço nesses jactos de vapor de água e gelo, que saem de fissuras na superfície conhecidas como Listas de Tigre, são partículas ricas em cálcio e potássio, diz um comunicado do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA. “Não há outra forma plausível de produzir um fluxo constante de grãos ricos em sal a partir de gelo sólido para além da existência de água salgada sob a superfície gelada de Encelado”, diz Frank Postberg, o cientista da Universidade de Heidelberg, na Alemanha e membro da equipa da Cassini que é o principal autor deste trabalho, publicado on-line na Nature.

Os jactos de gelo e vapor de água foram descobertos em 2005, e tem-se falado na possibilidade de existir um oceano subglacial desde então — se existisse mesmo, seria um bónus para a busca de vida no nosso sistema solar e algures no Universo. Se os grandes planetas não têm condições para que haver vida, por que não olhar para as suas luas?

O trabalho da equipa de Postberg aponta para um oceano salgado a cerca de 80 quilómetros de profundidade. Mas existe um outro reservatório de água salgada mais perto da superfície, que alimenta directamente as fracturas dos géisers. Calculam os cientistas que se perdem cerca de 200 quilos de vapor de água e gelo por segundo nestas plumas, que criam o anel E de Saturno, coincidente com a órbita de Encelado em torno do planeta dos anéis.

quinta-feira, junho 09, 2011

a língua da antiga mesopotâmia

Obra contem 21 volumes
Dicionário da língua da antiga Mesopotâmia terminado ao final de 90 anos
http://www.publico.pt/Cultura/dicionario-da-lingua-da-antiga-mesopotamia-terminado-ao-final-de-90-anos_1497947
07.06.2011 - 21:56 Por PÚBLICO

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O dicionário da língua antiga da Mesopotâmia foi terminado. A produção da obra, de 21 volumes, teve início em 1921 e os vários livros foram sendo publicados ao longo das mais de cinco décadas.
Há diversos vestígios da civilização da Mesopotâmia na região do Iraque (Suhaib Salem/Reuters (arquivo))

A obra, chamada "O dicionário de Assírio de Chicago", foi produzida pelo Instituto Oriental da Universidade de Chicago, Estados Unidos, e tem a explicação de 28 mil palavras em acádio, uma língua semita que foi falada e escrita nas cidades do Médio Oriente da região da Mesopotâmia, onde hoje ficam a Síria e o Iraque. Antigamente, chamava-se a esta língua o assírio, e o dicionário acabou por ficar com este nome.

Apesar da língua ser mais antiga, os significados das palavras referem-se a um período entre 2500 a.C. até 100 da nossa era. A obra ultrapassa a função de explicar o significado de uma palavra e coloca cada termo no seu contexto, fazendo várias associações históricas à literatura, à lei, à religião, ao comércio ou ao quotidiano.

“Cada termo, cada palavra torna-se uma janela para a cultura”, disse citada pelo New York Times a reitora de humanidades da Universidade, que trabalha no projecto desde 1979 e é a editora principal desde 1996.

A explicação da palavra “umu”, que significa “dia”, estende-se por 17 páginas. Uma das referências é a sua utilização na "Epopeia de Gilgamesh", escrita em acádio, uma das primeiras epopeias poéticas da humanidade, que diz: “Aqueles que tomaram coroas que em dias passados regeram a terra.”

“Muito do que se vê é absolutamente reconhecível”, disse à AP Matthew Stolper, professor da Universidade de Chicago que trabalhou na obra, intermitentemente, durante 30 anos. “As pessoas a expressarem medo e raiva, a expressarem amor, a pedirem amor.”

“Há inscrições de reis a dizerem quão fantásticos eram, e inscrições de outros que diziam que estes homens não eram assim tão fantásticos”, disse Stolper. “E há uma frase comum em cartas antigas babilónicas que quer dizer literalmente ‘não te preocupes com nada’.”

O acádio é escrito em símbolos cuneiformes e é um dos sistemas de escrita mais antigos da humanidade. Os especialistas analisaram textos em pedra e argila. “Retirava-se o pó, e poderia emergir uma carta de alguém sobre uma nova criança na família, ou outra carta que podia ser sobre um empréstimo até à época da colheita”, disse Robert Biggs, um professor emérito do instituto que trabalhou durante 50 anos neste projecto e que como arqueólogo desenterrou tábuas que foram utilizadas para a obra.

“Apercebemo-nos que isto não foi uma cultura só de reis e rainhas, mas também de pessoas comuns, como nós, com as mesmas preocupações de segurança, alimentação e de abrigo para elas e para a sua família”, disse o arqueólogo citado pelo The Guardian, acrescentando que estas cartas lidas hoje dão vida às suas experiências. Ao longo dos 90 anos, os editores da obra foram-se sucedendo. O primeiro volume foi publicado em 1956.

Segundo Gil Stein, o director do Instituto Oriental, esta obra é “uma ferramenta de investigação indispensável para qualquer estudioso que quer explorar o registo escrito da Mesopotâmia”, disse, citado pelo New York Times, numa conferência esta segunda-feira.

“Tudo o que temos como certo tem a sua origem na Mesopotâmia, quer sejam as próprias cidades, as sociedades estatais, a invenção da roda, a forma como medimos o tempo, ou o mais importante, a invenção da escrita”, disse Matthew Stolper à AP. “Se alguma vez quisermos compreender as nossas raízes, temos que compreender esta grande primeira civilização.”

A colecção custa ao todo 1358 euros, mas está disponível livremente na internet aqui.

quinta-feira, junho 02, 2011

elas viajavam mais que eles

Elas viajavam mais do que eles há dois milhões de anos
http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1867604

há milhões de anos que a ocupação da paisagem não é uma linha
os machos agarrados à terra
as companheiras,
aparentemente mais viajadas

e isso vê-se hoje pela análise de um metal nas dentaduras