Protesto contra valores do complemento de reforma
Governo: manifestação de ex-combatentes é "no mínimo injusta, para não dizer ingrata"
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20 de Outubro de 2004
o governo estranha
os protestos da Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra (APVG) contra a lei que instituiu o complemento de reforma para os ex-combatentes, atribuindo a contestação a "alguma má vontade" dos organizadores e considerando que a manifestação é "no mínimo injusta, para não dizer ingrata".O secretário de Estado da Defesa e dos Antigos Combatentes, João Pereira da Costa, classificou a manifestação de várias centenas de ex-militares em frente ao ministério como "no mínimo injusta, para não dizer ingrata"."É estranho que após quase 30 anos de esquecimento e no mês que os antigos combatentes começam a receber em casa o complemento especial de pensão e, mais importante, usufruir da contagem do tempo de reforma, se organize uma manifestação", argumentou.Para o secretário de Estado, o protesto que juntou várias centenas de pessoas em frente ao Ministério da Defesa só é justificável à luz de "alguma má vontade" por parte da APVG.João Pereira da Costa admitiu que nem todos os ex-combatentes vão receber um complemento de pensão com o mesmo valor, porque o montante "não pode ser igual" para todos.Lembrando que o Governo apenas disse que "a média do complemento especial de pensão iria rondar os 150 euros", o secretário de Estado da Defesa assegurou que há pagamentos de montante inferior, mas também há outros muito superiores.Às críticas da APVG, de que há muitos vales postais a rondar os 60 e os 80 euros, Pereira da Costa contrapôs que "há outros complementos especiais de pensão que rondam os 200, 300, 400 e até 500 euros"."Nem todos os ex-combatentes estiveram o mesmo tempo a combater", recordou, considerando contudo que "a grande vantagem [da lei] é a contagem do tempo de combate para efeitos de reforma"."Isto permite que haja pessoas que, sem despenderem um cêntimo, se possam reformar antecipadamente quatro anos antes do que aquilo que seria previsível", acrescentou.João Pereira da Costa reconheceu que o valor dos complementos de reforma não é muito elevado, mas afirmou que "o Estado não tem dinheiro para tudo" e o que está a ser feito representa "um sacrifício da ordem dos mil milhões de euros".O secretário de Estado repetiu afirmações do ministro Paulo Portas alegando que o complemento "é pouco para quem tem muito, mas é muito para quem tem pouco"."Lamentavelmente, uma grande parte dos ex-combatentes vive de uma pensão muito reduzida. Para essas pessoas, significa praticamente mais um mês de pensão", sublinhou.João Pereira da Costa aproveitou para recordar que a APVG é a única que protesta contra a lei que instituiu os complementos de pensão, sendo também a única a quem foram cortados fundos relativos a situação de stress de guerra que terão sido "indevidamente utilizados"."Isso está a ser devidamente analisado e investigado, até porque envolve dinheiro dos contribuintes", concluiu.