Invenção do namoro
A invenção do namoro e outras ficções felizes
http://dn.sapo.pt/2005/02/14/sociedade/a_invencao_namoro_e_outras_ficcoes_f.html 14 de Fevereiro de 2005
POR Fernanda Câncio
importação, celebração
por todo o mundo não há ainda a conquista
nem as vendas
os pretextos são bons
falar, histórias de amor
acho três amantes, um marido, quatro e mesmo assim
ninguém
assim raro e difícil
bater com a cabeça nas paredes
exercício de fazer melhores
personagem só
do amor que salva
e perdoa cá na sepultura
namorados e peças políticas
o primeiro anúncio de uma luta
um jardim público e à luz do dia
rapazes de mão dada
pouca vergonha, com este frio
uma bela tarde e dois agentes que disseram "proibido"
e circular
não sei quantos casais à volta, a fazer
muitas vezes nas quatro paredes
aconteceu comigo
quando novo, sem desistir de um princípe
andar de mão na rua, que outros saibam
um casal de certa idade comovente, porque namoram
ainda se amam, se apetecem
acrescentam os linguistas
relação e cerco
num momento a graça, a liberdade maior
uma terra a meio de fronteiras
o casamento, as contas, as partes adultas
o sexo é o princípio
meio e fim púdico, os corpos finais
a abstinência num sorriso
quando falamos, o espanto erótico
a partida para o sexo
desejo que quis ser padre
até um despertar, uma pessoa por dentro
mulher dentro e fora
os sinais exteriores dos machos nas relações
não me dava um beijo, nem a mão
ir até ao mar, passear, areia e jantar
toda a gente os mesmos sonhos
mesmo se nunca soube
olhar nos olhos
namorado cego da noite para o dia
para a noite desde os quinze
sem ver, apaixonou-se
uma atracção inexplicável, vozes, maneiras de falar
recita o retrato na escuridão
na exactidão do peso e da altura de uma heroína de romance
o seu
não se ama o outro, a ideia
sabermos isto tudo mas distraímo-nos
falhar e voltar a tentar
uma forma pobre de alegria
mas com alguém
namorar

0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home