Investigação portuguesa
Estudo: dependentes de heroína têm dificuldade em perceber as emoções dos outros
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1267419
16 de Agosto de 2006
Os dependentes do consumo de heroína em período de abstinência têm dificuldade em identificar nas expressões faciais das outras pessoas emoções básicas como a alegria e a tristeza, revela um estudo científico português.
O estudo "Expressão facial: o reconhecimento das emoções básicas em toxicodependentes - estudo empírico com portugueses" visou perceber até que ponto os dependentes de heroína em período de abstinência conseguiam identificar emoções básicas.Segundo o director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção (FEELab), Freitas-Magalhães, responsável pelo estudo, que decorreu entre 2004 e 2006, "os heroinómanos têm défices cognitivos na identificação das emoções básicas" - alegria, tristeza, surpresa, medo, cólera e aversão.O estudo incidiu sobre o período mais grave de abstinência, que ocorre entre as 24 e as 72 horas sem consumo de droga, e revelou que os toxicodependentes nessas condições apresentam confusão mental e pouca capacidade de reconhecer emoções.De acordo com Freitas-Magalhães, esta descoberta "tem implicações ao nível dos profissionais de saúde que lidam com estes doentes", uma vez que "muitas vezes utilizam determinadas expressões para os motivar, quando na realidade os doentes não estão a perceber nada".Para este trabalho foram estudados 60 dependentes de heroína (25 mulheres e 35 homens) com idades entre os 18 e os 40 anos.A linha de investigação aborda no total outros tipos de dependências como cocaína, álcool ou canabis, cujos dados ainda não estão trabalhados.Relativamente aos heroinómanos, os resultados do estudo confirmam que as mulheres são mais espontâneas na identificação e caracterização das emoções básicas do que os homens.Segundo Freitas-Magalhães, este é um padrão que se verifica sempre: independentemente de consumirem ou não drogas, as mulheres têm sempre mais facilidade em identificar as emoções dos outros. As heroinómanas têm menos capacidade de fazer essa análise do que uma mulher que não consuma drogas, mas continuam a fazê-lo com mais facilidade do que os homens que consomem heroína.O estudo indica também que a partir das 72 horas de abstinência os toxicodependentes "começam a conseguir identificar de forma lenta e gradual as emoções, recuperando praticamente toda a capacidade de juízo e de reconhecimento".Os resultados deste estudo serão publicados no "Journal of Consulting and Clinical Psychology", da Associação Americana de Psicologia.Freitas-Magalhães é professor das Faculdades de Ciências Humanas e Sociais e de Ciências da Saúde da Universidade Fernando Pessoa, sendo fundador e director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção.

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