"E compreendia-a, talvez, de esguelha, mas compreendia-a e essa era a novidade" Molloy, Samuel Beckett

domingo, dezembro 31, 2006

Dez mil pessoas deixam Vale dos Nobres
http://dn.sapo.pt/2006/12/31/artes/dez_pessoas_deixam_vale_nobres.html
POR Paula Lobo

Os dez mil habitantes de Qurna, a aldeia situada na margem ocidental do Nilo vizinha de Luxor e do templo de Karnak, perderam a batalha de seis décadas que travavam com as autoridades. As suas casas, conhecidas pelas pinturas murais e erigidas na necrópole que alberga mais de 950 túmulos do tempo dos faraós, estão finalmente a ser demolidas, naquela que é já considerada a maior operação de realojamento no Egipto depois da construção da barragem do Alto Assuão. Mas até a UNESCO coloca reticências ao plano.A decorrer até meados de Janeiro, a polémica destruição das casas de tijolo de lama onde residiam cerca de 3200 famílias começou no início deste mês. Com honras de cerimónia oficial, perante vários ministros e altos funcionários egípcios, os bulldozers avançaram e a evacuação foi justificada pela necessidade de explorar e proteger a necrópole da degradação causada pela população (há muito acusada de dilapidar os tesouros) e pela água (a aldeia não tinha saneamento básico e o Governo proibiu há anos quaisquer obras de melhoramento).
Parte da antiga capital Tebas, a colina onde se ergueu Qurna guarda as sepulturas pintadas de nobres, altos dignatários e escribas da corte, datadas do segundo milénio antes de Cristo. De acordo com o Le Monde, a sedentarização das tribos Ben Hilal, no século XV, levou à instalação dos primeiros habitantes no interior das câmaras mortuárias, tendo a aldeia crescido em cima e em redor desta necrópole, situada junto ao Vale dos Reis.As tentativas de evacuar o local datam de 1948, recorda a Reuters, quando o Governo egípcio, a conselho do arquitecto Hassan Fathi, concebeu o plano de Nova Qurna, nas margens do Nilo. Agora, acrescenta a BBC, os ocupantes do Vale dos Nobres estão a ser reinstalados em Taref, uma aldeia a meia dúzia de quilómetros de distância construída por 31 milhões de dólares (23,6 milhões de euros).E as críticas não param. A população diz que as novas casas são demasiado pequenas para famílias tão numerosas e pergunta como vai sobrevi- ver. Porque, além de não ser permitido guardar animais domésticos junto às habitações, a nova aldeia fica fora da rota dos turistas e a venda de artesanato e imitações de antiguidades era o meio de subsistência em muitos lares.A comunidade científica também está céptica. "O problema é que a ideia de paisagem cultural não está a ser tida em conta. Tem de haver uma séria reflexão sobre a gestão de sítios [arqueológicos] como Luxor", afirmou à AFP o egiptólogo Naguib Amin. "Pelas suas tradições e a sua arte popular, os habitantes asseguravam a derradeira ligação entre o passado e o presente. Com a demolição de Qurna, é uma parte da memória de Tebas que vai desaparecer. É um património cultural que se destrói", lamentou o arqueólogo francês Christian Leblanc, em declarações ao Le Monde.
A UNESCO, por intermédio do seu Comité do Património Mundial (reunido em Julho, na Lituânia), já solicitou ao Estado egípcio que, até 1 de Fevereiro de 2007, forneça mapas topográficos e esclareça quais os seus planos para aquela área, nomeadamente a nível de novas infra-estruturas. O texto da resolução, disponível no site do organismo, refere mesmo o não fornecimento de dados por parte das autoridades e pede informações sobre o impacto visual e ambiental de novos projectos de desenvolvimento, as futuras investigações arqueológicas e a gestão turística do sítio. Recorde-se que Tebas e as suas necrópoles estão classificadas como Património Mundial desde 1979."O facto de a arqueologia estar a reconquistar aqui os seus direitos é o sonho da minha vida. Há tesouros escondidos e os túmulos de Qurna sofreram danos terríveis", disse à AFP Zahi Hawass, presidente do Conselho Supremo das Antiguidades, acusando os ocupantes de pilharem as sepulturas para vender artefactos aos turistas. "As 3500 famílias partem para uma vida melhor. Esta é mais importante operação de realojamento desde que [o templo de] Abu Simbel foi salvo na Núbia, há 40 anos", afirmou à agência o governador de Luxor, Samir Farag, sobre a transferência de pessoas e monumentos no sul do país, durante a década de 60, em virtude do alagamento de terras causado pela construção da barragem do Alto Assuão e pelo lago artificial Nasser. Segundo o ministro da Habitação egípcio, Ahmed Maghrabi, graças a um acordo com a UNESCO serão preservados os 30 edifícios mais bonitos. Segundo o governador de Luxor, só 15 escaparão aos bulldozers. E como se trata de uma zona turística, acrescentou, as lojas podem ficar.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Oito perguntas e mitos sobre o dia de Natal
http://dn.sapo.pt/2006/12/24/tema/oito_perguntas_e_mitos_sobre_o_de_na.html
25 de Dezembro de 2006
POR Rute Araújo

Quando é realmente noite de Natal?É como festejar o aniversário de alguém no dia errado, no mês errado e nem sequer acertar na idade do aniversariante. Sempre que o Ocidente cristão se senta à mesa, na consoada, para celebrar o nascimento do Menino Jesus, é isso que acontece. Ninguém sabe exactamente quando Cristo nasceu, há muitas datas possíveis, mas certo é que não foi a 25 de Dezembro."Pensa-se que terá sido em Setembro, porque foi durante um recenseamento e houve um naquele mês. Agora, a data exacta não se conhece", explica o sociólogo das religiões Moisés Espírito-Santo. Não se sabe e, até ao século V, não era importante. "O que era celebrado era a aparição do Menino aos de fora, aos não judeus, o dia da epifania, que é a 6 de Janeiro". Foram os romanos que mudaram o calendário das celebrações. "A data de 25 de Dezembro apareceu para cobrir uma festa pagã muito popular em todo o Império, o culto do Sol, no solstício de Inverno". Festa com festa se paga e Constantino, o primeiro imperador cristão, sabia o que fazia quando decidiu trocar as voltas ao povo, dando origem a uma das celebrações mais importantes de hoje. Quanto ao dia do nascimento, por mais que se cruzem dados, não ficaram muitas pistas que permitam encontrar a resposta. "Naquele tempo, a idade tinha muito pouco valor. As pessoas podiam viver e morrer sem saber quantos anos tinham." Jesus Cristo tinha 33, mas terá morrido mesmo no ano 33 depois de Cristo? Se o dia e o mês do nascimento são um quebra-cabeças, já o ano é consensualmente errado. Cristo nasceu antes de Cristo. Seis anos. E só um erro no calendário explica o sucedido. Se quiser decorar o bolo-rei com velas, não se engane. Compre 2012.
Os astrónomos de hoje acumulam o conhecimento de muitos séculos a olhar para os céus, e já viram um pouco de tudo. Mas a descrição que o Evangelho de Mateus faz da Estrela de Belém não bate certo com nenhum fenómeno astronómico conhecido. Não era um pássaro. Não era avião. O que apareceu nos céus aos reis magos podia ser muita coisa, mas também não era uma estrela. A melhor tradução para o texto sagrado seria astro, a palavra única dos romanos para algo que está para lá da Terra. "Cientificamente, nunca saberemos o que foi, não temos dados para fazer uma reconstituição fiel", afirma o astrofísico Rui Agostinho. Este episódio apenas é descrito numa passagem breve de um dos evangelhos, e "o texto é parco em detalhes e conhecimento científico". Do que se lê, percebe-se que a descrição do movimento da Estrela de Belém "não é como o movimento diurno que um astro normalmente tem". Surgiu no Ocidente, desapareceu, voltou a surgir. E parou sobre o estábulo onde Jesus tinha nascido. "Ora, nos céus, não há nada que possa parar." Além disso, lembra Rui Agostinho, "não foi um fenómeno deslumbrante, porque não chamou a atenção do povo judeu. Quando questionado sobre se viu a Estrela, Herodes responde: "Nós aqui não vimos nada". O que mostra que passou despercebido, não teve um forte impacto visual. O astrofísico diz que há apenas uma explicação possível, mas é "muito muito remota". Acontece quando Júpiter e Vénus passam ao pé um do outro, alinhados na vertical, dando a ilusão de um objecto luminoso. Chama-se conjunção tripla de planetas e é quase tão rara que pode ser mitológica. Como a Estrela de Belém.É possível uma virgem engravidar?O assunto é do domínio da fé, mas a ciência não o contraria. A doutrina cristã diz que Jesus foi concebido no útero da sua mãe, sem que tenha havido qualquer contacto com um pai humano. À luz das leis do mundo animal, é possível a uma fêmea conceber sozinha um filho? Sim, pelo menos teoricamente. E não seria inédito.O fenómeno ocorre em várias espécies, dos lagartos aos peixes, e já foi verificado também em ratinhos. Chama-se partenogénese, uma palavra que vem do grego e significa precisamente parto virgem. Desenvolve-se um embrião, sem que tenha ocorrido fertilização do óvulo, em animais que, por estratégia de sobrevivência ou adversidade do meio ambiente, evoluíram para uma reprodução assexuada.Mário de Sousa, especialista em genética e medicina de reprodução, explica que, no ser humano, "também é teoricamente possível, mas não existe nenhum caso descrito nem sequer previsão do risco de algo do género acontecer". Diz o especialista que a mulher pode ovular e o ovócito pode dividir-se e tornar-se maduro sem que tenha havido contacto com espermatozóides. As leis da vida não o impedem. Neste ponto, ciência e religião estão de acordo. Mas o mesmo não acontece com o resultado final de uma gravidez nestes moldes.No livro sagrado, Jesus nasceu da Virgem Maria e é homem. No livro da ciência, Jesus podia nascer da Virgem Maria, mas seria sempre mulher. Sem pai, não há cromossoma Y a cruzar-se com os cromossomas X femininos, nem forma de uma criança nascer do sexo masculino.Pode o Pai Natal entregar numa só noite todos os presentes?Se o seu filho lhe perguntar como é que o Pai Natal percorre o mundo inteiro numa noite, o melhor é pôr de parte as explicações científicas. Desde 1850 que os especialistas tentam embrulhar o mito numa fórmula científica realista. Os cálculos realizados mostram aquilo que todos intuem: o Pai Natal não tem uma vida fácil. A começar pela carga que transporta no seu trenó, qualquer coisa como 400 mil toneladas de presentes, na melhor das hipóteses. Como cada rena consegue apenas carregar 150 quilos, precisaria de 360 mil se quisesse manter a tradição e não recorrer a motores supersónicos. Além do peso, enfrenta o problema do tempo. Como apenas conta com as horas de sono das crianças, restam-lhe 31 horas para completar o serviço, beneficiando da ajuda dos fusos horários e da rotação da Terra. Divididas as horas por todos aqueles que esperam receber presentes a 25 de Dezembro - existem dois mil milhões de crianças, mas só 108 milhões de lares estão à sua espera - o velhinho de barbas teria de fazer perto de mil visitas por segundo. O que lhe dá apenas 715 microssegundos para estacionar o trenó, descer pela chaminé, deixar os presentes, comer alguma coisa que lhe tenham deixado, voltar a subir a chaminé, entrar no trenó e seguir para a próxima casa. Para que não haja atrasos, teria de deslocar-se a uma velocidade de 1046 quilómetros por segundo, mais ou menos três mil vezes a velocidade do som. As consequências da energia gerada por tamanha velocidade são inimagináveis. Mas não será difícil perceber que o transformariam e às suas renas em carvão. Por isso, se o seu filho lhe perguntar, deixe a ciência de lado.Quantos quilómetros viaja o bacalhau para chegar ao seu prato?Exactamente 2730,86 quilómetros em linha recta, a distância que separa a capital da Noruega, de onde vem a maioria do bacalhau consumido, da capital de Portugal. Mas o bacalhau não chega assim tão facilmente à sua mesa, percorre mais quilómetros, normalmente fica retido em Ílhavo, onde estão as fábricas que o transformam no peixe seco e salgado que se vende nos supermercados. Todos os anos, são importadas cerca de 8o mil toneladas, já chegaram a ser mais de cem mil. Cada português come, em média, oito a nove quilos.Mesmo assim, não tome o bacalhau que lhe chega todos os Natais ao prato como algo adquirido. Há mais de uma década que o peixe que se tornou prato tradicional anda a lutar pela sobrevivência. E mesmo com os limites impostos à captura, não recuperou da pesca intensiva das últimas décadas.É que não se trata de uma espécie de fácil reprodução. O bacalhau atinge a idade adulta aos quatro anos, mas só a partir dos seis a fêmea chega à maturidade reprodutiva. Cada uma produz milhões de ovos em cada ano, mas apenas um em cada milhão sobrevive até à idade adulta. Há registo de peixes capturados com 27 anos, mas são a excepção. Hoje, tem um carimbo que lhe confere a categoria de "espécie vulnerável". E muitos acreditam que só conseguirá voltar aos stocks de outros tempos se deixar mesmo de ser pescado. Os mares da Terra Nova, no Canadá, são o motivo de maior preocupação. Se estiver preocupado e não conseguir imaginar um Natal sem bacalhau, o melhor é apostar no peru. Pelo menos, até que os mares do norte se encham novamente de peixes.Porque é que, nesta altura, há uma árvore de Natal na sua sala?Diz-se que foi escolhido por ser a árvore verde que se destaca na imensidão da neve, a única que não perde as folhas por mais frio que seja o Inverno. Mas a tradição do pinheiro rapidamente viajou para os locais onde não há neve, não há frio e o verde é a cor predominante na paisagem de Natal. Impôs-se a tradição, nascida do cruzamento entre do católico e o pagão, e exportou-se a ideia para o mundo.A lenda diz que, 800 anos depois de Cristo, São Bonifácio encontrou, na Alemanha, um grupo de pagãos a adorar uma árvore. Enfurecido, decidiu cortá-la e, do tronco decepado, nasceu um novo pinheiro. Aos olhos de Bonifácio, foi o sinal de que aquela terra de pagãos seria semeada pela fé de Cristo. A forma triangular do pinheiro encaixou na perfeição na simbologia cristã, com os três pontos a representar a Santíssima Trindade. Foi o início da tradição natalícia. No século XVI, os primeiros pinheiros enfeitados foram transportados para o interior das casas. A estrela, as velas e as luzes, tudo foi acrescentado a pensar na celebração do nascimento e da vida.Mas não faltam lendas e histórias sobre árvores enfeitadas, muitas delas sem ligação à época natalícia. Na Idade Média, quem acreditava que as árvores tinham os seus espíritos, enfeitava-as logo que as primeiras folhas começavam a cair no Outono, para que eles não partissem em debandada. Os romanos celebravam o solstício de Inverno enfeitando as casas com plantas verdes, cujos ramos ofereciam em Janeiro. Os egípcios prestavam culto a tudo o que nascesse verde. Com ou sem Natal, a árvore representa a natureza e o triunfo da vida sobre a morte. Alguma vez temos realmente uma noite feliz?Não é possível fingir que ele não existe. Está em cada rua enfeitada, nas músicas dos elevadores, é motivo de conversas, notícia nos jornais, pretexto para mensagens de telefone e e-mails de boas-festas. Mesmo querendo, ninguém consegue fugir ao Natal. "Há um esforço quase mundial para que seja um dia feliz. O movimento da sociedade é de tal forma poderoso que é impossível ficar imune. Não se consegue não assumir uma posição, nem que seja de oposição ou indiferença", diz a psicóloga Gabriela Moita.O problema é que quem imaginou o Natal, imaginou-o feliz. E quando a realidade não se adequa às expectativas? "Para muita gente é o momento de maior infelicidade do ano", porque não há forma de o mundo encaixar no que se imaginou para a época.Os consultórios dos psicólogos e psiquiatras enchem-se nesta altura. "Em Novembro, já começam as dores de cabeça. Chega-nos muita gente com sintomatologia depressiva ou de ansiedade, porque antecipam a obrigação de estar num contexto familiar que lhes é muito agressivo", porque têm que fazer escolhas sobre onde passar o Natal, porque acabam por ser obrigados a estar com quem têm relações difícil. Se a época gira em volta da partilha, da paz e da harmonia, "há uma maior reflexão sobre isto". E aumenta a angústia de viver o oposto. Se é um dia para estar junto de quem se gosta, surgem as lembranças de quem está ausente, se é dia de harmonia, é mais difícil tolerar os conflitos, se há obrigação de ser feliz, suporta-se menos a dor. "Quando é bom, é bom, mas quando é mau é muito mau", sintetiza Gabriela Moita.No Natal, queremos paz e amor ou só presentes?

sexta-feira, dezembro 22, 2006

A quadra em factos, números e histórias
Tudo o que sempre quis saber sobre o Natal
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=374483
POR Carla Tomás e Margarida Cardoso
22 de Dezembro de 2006

As origens das festividades, o bacalhau consumido na Consoada, os gastos das câmaras de Lisboa e Porto e alguns conselhos de Boas Festas.


Rui Ochôa
Há muita história por trás da festa das festas
19:03 quinta-feira, 21 DEZ 06





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Os cristãos dedicam esta Quadra às celebrações do nascimento de Cristo, mas as festividades desta época do ano remontam a milhares de anos antes e eram dedicadas a deuses e monstros em preces para que o Inverno não fosse muito rigoroso.
Os Romanos festejavam a Saturnália (dedicado a Saturno), celebrando o Solstício de Inverno e a vitória do dia sobre a noite a 25 de Dezembro. Nestas festas a que os cristãos chamam «pagãs» também se trocavam presentes e se ornamentavam árvores (como os pinheiros) para afugentar os maus espíritos. As árvores eram uma expressão da fertilidade da Mãe Natureza.
Só no século IV d.C., com o papa Júlio I é que se fixa 25 de Dezembro como data de nascimento do Menino Jesus e os pinheiros enfeitados só começam a entrar nas casas europeias no século XVI. Em Portugal, até há 50 anos, preferia-se o Presépio e o sapatinho debaixo da chaminé. Mas hoje são poucos os lares sem uma Árvore de Natal.

Tiago Miranda
Também a figura do Pai Natal tem mais barbas do que as da Coca-Cola – a marca concebeu em 1931 a imagem do velho de barbas brancas e fato e barrete encarnados que conhecemos hoje. Mas a figura do «Velho Inverno» que andava de casa em busca de oferta de comida e bebida já constava do folclore dos povos nórdicos.
Ceias de Consoada
O célebre manjar de Natal – o bacalhau – está em risco de extinção e é cada vez mais caro, tendo o seu preço subido 15% nesta Quadra (com preços que variam entre €7,99 e €11,49. Por isso há sempre a hipótese de optar por outras iguarias como o polvo, o cabrito ou o peru e uma imensa variedade de doces caseiros para a sobremesa.Portugal consome 70 mil toneladas de bacalhau seco por ano e 180 mil toneladas de bacalhau molhado, 35% das quais só na época natalícia.
Números
€ 1.000.000 é a verba orçamentada pela Câmara Municipal de Lisboa para as iluminações e enfeites de Natal em 45 ruas e avenidas da capital. Esta verba é gerida pela União de Associações de Comércio e Serviços (UACS) com a qual a autarquia tem um protocolo há anos. Isto sem contar com as iluminações patrocinadas por empresas privadas como acontece na Av. da Liberdade ou com a Árvore gigante no Terreiro do Paço.

Oliver Weiken/Lusa
885 kwts/hora é o valor do consumo de energia das iluminações de natal estimado para Lisboa.€ 500.000 é a verba concedida pela Câmara Municipal do Porto à associação de Comerciantes local para as iluminações de Natal nesta época festiva. Rui Rio cortou em 40% as despesas de Natal em 2002.
Também no programa das festas para a Passagem do Ano, a autarquia alfacinha se revela mais despesista do que a tripeira. Carmona Rodrigues orçamentou €400 mil, enquanto Rui Rio se ficou pelos € 60 mil.
Estamos na quadra em que o consumismo e o desperdício abundam e, como tal, nada melhor do que deixar alguns Conselhos Ecológicos aos leitores:
1 – Se ainda não comprou a sua árvore de Natal, opte por uma natural em vaso ou com corte certificado, e mantenha-a na varanda ou no pátio para ser reutilizada o próximo ano. Se não tem espaço para isso, compre uma artificial. Opte também pelo azevinho artificial, pois o selvagem está em vias de extinção;2 – Ofereça prendas feitas por si, reciclando materiais, ou privilegie produtos duráveis, úteis, educativos e inócuos. Se tiverem pilhas que sejam recarregáveis;3 – Isole bem a sua casa e use lâmpadas eficientes para poupar energia, reduzir a conta da electricidade e ajudar a limitar a emissões de gases de efeito de estufa;4 – Não deite fora o papel e os laços das prendas, pois podem servir para embrulhos no próximo ano limitando a produção de lixo;5 – Separe todas as embalagens de papel/cartão, plástico/metal e vidro (as garrafas festivas) e coloque no ecoponto mais próximo… mas só a 26 de Dezembro ou a 2 de Janeiro, uma vez que a recolha do lixo não se fará em muitas cidades nos dias 24 e 25 de Dezembro nem nos dias 31 e 1 de Janeiro, pois os trabalhadores das câmaras também têm direito a gozar a época festiva.
Sugestões para dia 25Terminada a azáfama das compras e os jantares e almoços em família fica um dia para desfrutar das ofertas lúdicas e culturais. Segue um levantamento de sugestões para as cidades de Lisboa e Porto.. As salas de cinema vão estar a funcionar com um vasto cardápio de filmes em cartaz. Destacamos "Artur e os Minimeus", de Luc Besson, ou "O Nascimento de Cristo" como bons filmes para ver em família;. Os Coliseus de Lisboa e Porto abrem as portas a quem gosta de Circo (às 16h);. Para miúdos e graúdos há as pistas de gelo do Palácio de Cristal (das 10 às 16h30);. Há sempre belos passeios a fazer nos jardins e parques das cidades, ou circuitos às iluminações de Natal quando a noite cair. No "Porto a Brilhar" há uma visita de 45 minutos às iluminações de Natal a qautro metros de altura, com partidas da Praça da Liberdade às 20h30 e 21h30;

Sobre famosos

Lista disponível na Internet
Os 40 maiores boatos sobre famosos
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=374383
Paula Cosme Pinto

forja a própria morte
continua a viver
tem uma relação com um irmão
um namoro de longa data
não é o verdadeiro pai
todos os dias adormece para continuar a viver

Morte repentina

A morte repentina de um tirano vitalício
http://dn.sapo.pt/2006/12/22/internacional/a_morte_repentina_um_tirano_vitalici.html
22 de Dezembro de 2006
POR Luís Naves


uma ditadura num deserto terminou com uma morte
uma estátua em ouro maciço seguiu o sol
uma imagem aparecia e desaparecia, em todo o lado

proibiu-se o uso de dentes falsos a inimigos imaginários
figuras desconhecidas
certamente fiéis
presidem à cerimónia fúnebre
fica com o poder quem estiver mais bem imobilizado

não se sabe até que ponto irão as lealdades nesta tribo

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Jejum

"Pregador do Papa" propõe jejum por abusos sexuais
Iniciativa deveria exprimir arrependimentopelos crimes de membros do clero
http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&m=12&d=16&uid=&id=112599&sid=12425
16 de Dezembro de 2006

fala-se de um dia de arrependimento para alguns membros culpados
(cometeram crimes)
depois
disciplina e abominações
um tempo especial para a alma
e jejum nas partes do corpo onde o problema foi mais grave

Rua

http://jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&m=12&d=16&uid=&id=112596&sid=12425
Estado paga às prostitutas de Ipswich para não saírem à rua
POR José Bento Amaro

há uma recompensa
não existem pistas
um detalhe
(um indivíduo)
as autoridades oferecem dinheiro
em substituição de encontros com o suspeito

encontrou-se uma mulher

salva
(não se conhecem pormenores)
a cidade é de muito pequena dimensão
existem dezenas de prostitutas numa cidade desta dimensão
em lugares
especiais

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Europeus

Eurobarómetro
Europeus mais descontentes com a União Europeia
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=374272
POR Cristina Pombo

os cidadãos têm mais dúvidas sobre o futuro
os europeus estão mais pessimistas do que no início
acreditam que a europa avança
acreditam na comissão (48 por cento)
no parlamento (52 por cento)
e na constituição (53)
são favoráveis ao alargamento
(demasiado na sua vida)
acreditam na concorrência, na paz e na vida humana
(43 por cento)
a religião surge no fim, reunindo apenas alguns votos
questionados sobre temas sensíveis, como o consumo, os casamentos e as crianças, seguem a maioria

Multidões

Chineses juntam "striptease" aos enterros
Funerais eróticos movem multidões

http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=374316
POR Cátia Mateus

numa localidade da china os enterros têm música e teatro obrigatórios
as famílias mais poderosas homenageiam os seus mortos com cerimónias eróticas


atenção: um funeral, seja qual for a cultura
atenção: uma honra, com demonstrações e festejos

o defunto desconhece a maior parte dos presentes
os funerais são a fórmula ideal numa região afortunada
com termas, espectáculos célebres


existem grupos especializados
que preferem um enterro a espectáculos menos intimos

nas aldeias remotas há nus integrais e aproximações ao público
as famílias poderosas contratam duas companhias


os operários exilados encontram satisfações nos funerais
na realidade são 140 milhões de trabalhadores

em centros industriais
sem dinheiro para satisfazer os seus desejos
os patrões punem os jogos e os filmes saudáveis

uma alternativa aos funerais é alugar apartamentos baratos para os trabalhadores receberem as suas mulheres